24/02/2022 às 14h48min - Atualizada em 24/02/2022 às 14h48min

Caminhão clonado com chassi de viatura do Exército é apreendido em Uberlândia

Veículo foi identificado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-365; operação realizada em 11 estados combate organização criminosa que realizada fraudes

DA REDAÇÃO
Veículo foi identificado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-365 I Foto: DIVULGAÇÃO/PRF
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu em Uberlândia um caminhão clonado que utilizava o mesmo chassi de uma viatura do 16º Batalhão de Logística do Exército de Brasília. O motorista do veículo foi abordado na tarde desta quarta (23) na BR-365.
 
De acordo com a PRF, durante a fiscalização, ao checarem a documentação do caminhão, os policiais identificaram sinais de adulteração na numeração do chassi e do motor. Após uma consulta no sistema e contato com o 16º Batalhão de Logística do Exército em Brasília, a PRF confirmou que o veículo abordado em Uberlândia tratava-se de um clone.
 
O caminhão foi apreendido e encaminhado à Polícia Civil (PCMG). O condutor e o proprietário do veículo foram conduzidos para delegacia para prestarem esclarecimentos.
 
OPERAÇÃO
Nesta quinta (24), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deflagraram a Operação Fiat Lux, com o objetivo de coibir crimes contra o sistema veicular brasileiro. A força-tarefa já identificou cerca de 10 mil adulterações em veículos. Desse total, mais de 3.300 fraudes ocorreram com viaturas do Exército Brasileiro.
 
De acordo com as informações da PF e PRF, mais de 400 policiais federais e rodoviários federais cumpriram 82 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão. A operação foi realizada em 11 estados, entre eles: São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraíba, Ceará, Paraná, Pernambuco e Maranhão.
 
O Poder Judiciário, a pedido da Polícia Federal, determinou o afastamento das funções de 95 servidores do Detran: 85 são servidores do Detran-SP; 7, do Detran-TO; e 3, do Detran-MG. Cerca de 20 despachantes também foram afastados de suas funções no Estado de São Paulo.
 
O inquérito policial, instaurado no fim de 2020, teve origem após ter sido detectada a clonagem de veículos do Exército. Os números dos chassis eram utilizados ilegalmente, com objetivo de obter documentos legítimos, de forma a tentar legalizar veículos oriundos de roubo ou furto.
 
A investigação apontou que as clonagens dos chassis do Exército só foram possíveis porque contaram com a participação de servidores do Detran e de despachantes. Equipes do Exército prestaram apoio logístico durante a deflagração da operação. A investigação não aponta a participação de integrantes do Exército nas fraudes.
 
SISTEMA FINANCEIRO
Além da clonagem de veículos, a operação também identificou outra prática criminosa. Contando com a participação de servidores do Detran, cooptados pelo esquema criminoso, os envolvidos criavam veículos. Estes veículos fictícios existiam apenas no Sistema Federal da Secretaria Nacional de Trânsito, permitindo, assim, a realização de financiamentos e a participação em consórcios. Em razão desta falsificação, os veículos eram dados como garantia em operações financeiras, configurando crime contra o Sistema Financeiro Nacional.
 
 CRIMES FISCAIS
 A investigação também apontou que servidores do Detran e despachantes inseriam, no Sistema Federal de Registro de Veículos Automotores, automóveis comprados na Zona Franca de Manaus - com isenção de PIS e Confins - e emplacavam indevidamente esses carros em São Paulo para burlar a fiscalização.
 
Com essa prática, o abatimento ilegal de cada veículo (a maioria caminhonetes) girava em torno de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Após isso, os veículos eram revendidos sem recolhimento dos impostos, tendo sido identificado o uso de documentos falsificados em aproximadamente 300 automóveis.
 
O prejuízo causado pelas fraudes veiculares identificadas pela investigação soma mais de R$ 500 milhões, sendo que em 10 meses de atuação foram recuperados R$ 35 milhões em veículos, entre eles caminhões, caminhonetes e automóveis de luxo.
 
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de inserção de dados falsos, financiamento fraudulento, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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