15/01/2022 às 11h00min - Atualizada em 15/01/2022 às 11h00min

Modelo híbrido de trabalho se torna tendência para empresas de tecnologia em Uberlândia

Por causa da pandemia, grande parte dos colaboradores têm a chance de realizar tarefas fora dos escritórios

SÍLVIO AZEVEDO
Sankhya, empresa de tecnologia, já está utiliza o modelo híbrido | Foto: Divulgação
Depois da onda de contágios e mortes causados pela covid-19, empresas de Uberlândia estão se adaptando a novos formatos de trabalho. Além do home-office, que ficou evidente no período de pandemia, agora, com o retorno gradual das atividades, as organizações têm aderido a novas tendências, como os modelos híbrido e o chamado anywhere home.  

Um bom exemplo é a Sankhya, empresa de tecnologia, que já está utilizando o modelo híbrido. Segundo a diretora de pessoas e cultura, Mariá Menezes, a organização acompanhou o mercado e buscou entender qual forma atenderia melhor as necessidades da empresa, tudo dentro da realidade do momento.

“A gente entendeu para nós não funcionaria uma coisa ou outra. Precisaríamos reunir o melhor que cada um poderia oferecer, pois somos uma empresa de tecnologia. Da mesma forma que precisamos contar com os talentos que estão espalhados no Brasil todo, em outros momentos a gente também precisa que as pessoas estejam aqui, pois sabemos que o relacionamento se fortalece, as pessoas acabam se conectando mais e o processos criativos são potencializados”, destacou. 

A escolha pelo modelo híbrido também veio acompanhada pelo crescimento no número de times que trabalham para a empresa de tecnologia e que, no momento, não viu necessidade em expandir a estrutura física para atender a todos. Com isso a criação de um aplicativo para gerenciar o espaço de trabalho também foi um fator positivo.

“Então acabamos seguindo um modelo híbrido, com alguns direcionamentos para os times em que eles podem escolher quantos e quais os dias que estarão no escritório, fazer as reservas pelo aplicativo, o que dá mais flexibilidade e a gente consegue ter mais previsibilidade para preparar o espaço físico, pois oferecemos lanches, massoterapia e alguns benefícios presenciais que precisamos saber quem estará presente para oferecer da melhor maneira possível. Por isso trouxemos a ideia do app”, contou. 

A aceitação por parte dos colaboradores foi bastante positiva. “A gente tem grupos distintos. De maneira geral, como é bastante flexível a proposta, eles têm se sentido confortáveis. Mesmo os que estão alocados em trabalhos presenciais, com a alta de casos, temos colocado eles em home-office, diminuindo o time presencial. Tem pessoas que preferem porque em casa não tem uma estrutura. Então preferem ir ao escritório, que está funcionando com todos os cuidados e deixamos essa liberdade”, disse Mariá.

Outra empresa que também adotou o modelo foi a LuizaLabs, área de tecnologia do grupo Magalu, com todos os colaboradores em full-remoto, mas com os escritórios abertos três vezes na semana. De acordo com a consultora interna de gestão de pessoas da empresa, Gabriella Jeremias Soares, um formulário deve ser preenchido e uma equipe de saúde e segurança avaliar como ele está e a estrutura para ser alocado. 

“Então ele pode ir para o escritório de Uberlândia, São Paulo, dependendo da localidade de onde ele estiver, pode ir para o escritório que ele desejar. Mas, isso fica aberto. Ainda tem algumas datas sazonais. Caso tenha alguma reunião, ou alguma situação que precise de comparecimento físico, tudo é alinhado com as equipes”, afirmou.

Assim como em outras empresas, a mudança na LuizaLabs se deu por conta da pandemia da covid-19 e, segundo Gabriella, foi bem recebida pelos colaboradores, que sentiram segurança em trabalhar em um local com menos exposição ao vírus em um período em que a vacina ainda não estava disponível.

“Quando fomos pra esse modelo remoto, percebemos que os colaboradores se sentiram seguros nesse modelo, houve esse ganho por parte do trabalhador de trabalhar num local que eles se sentiam seguro e a gente foi reestruturando as formas de trabalho do nosso projeto até mesmo o uso de metodologias ágeis, de redesenho dos nossos trabalhos para que isso funcionasse. Hoje esse modelo foi institucionalizado justamente por perceber que ele funciona, que temos bons resultados e que as equipes estão estruturadas nesse modelo”, destacou.

Ainda de acordo com Gabriella, houve um movimento e várias empresas de tecnologia estão nesse formato híbrido, com algumas até fecharam seus escritórios e nem pensam nessa retomada do escritório físico. “O que percebemos é que tivemos uma diversidade cultural dentro das empresas, uma troca muito grande e que as pessoas conseguem ter uma qualidade de vida melhor do que antes. Então, independente do lugar que ela está, consegue trabalhar, trazer os resultados e se ajustar dentro da maneira como ele deseja, dentro da estrutura pessoal. Então assim, o que percebemos é que possivelmente várias empresas vão manter esse formato como o padrão, justamente por isso, ter ganhos dos dois lados”.

DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO
Outras empresas têm adotado uma nova tendência de modelo, o anywhere home, que possibilita ao colaborador trabalhar de qualquer lugar, seja ele em casa, cafés, escritórios de coworking ou até mesmo da praia ou fora do país.

É o caso da gerente de canais da Cedro Technologies, Raquel Macedo de Lima, que trabalha para a empresa uberlandense mesmo morando em Berlin, na Alemanha. Para ela, a pandemia veio para acelerar algumas coisas que seriam o futuro das empresas e o anywhere office foi uma delas. 

“As empresas, principalmente as de tecnologia e grandes corporações, já estão adotando o anywhere home e, por hoje, não precisar mais estar localmente dentro da empresa. Consegue manter a mesma produtividade no conforto da sua casa. No meu caso não foi diferente. A empresa é de Uberlândia, eu já morava em Blumenau (SC)”. 

A oportunidade de ir para a Alemanha apareceu cerca de um mês após ser admitida, com o marido recebendo uma proposta de emprego no país europeu. De acordo com Raquel, a após consulta a empresa, recebeu total apoio para a mudança. 

Mesmo com a flexibilidade de local, Raquel lembra que está a responsabilidade de apresentar resultados e o modelo de anywhere office traz resultados positivos para os profissionais que conseguem se adequar. Há também a vantagem de estar próxima de grandes eventos na Europa na área de tecnologia. 

“Em Portugal tem um dos maiores eventos de tecnologia que acontece anualmente e poder estar aqui me proporciona a estar mais perto desses eventos e poder ajudar a Cedro com relação as tecnologias que estão mais sendo utilizadas, ter uma visão não só pensando em Brasil, mas uma questão de fora, o que em questão de tecnologia está sendo utilizada, como está sendo a evolução e como isso pode ajudar a empresa morando fora do Brasil”, contou.

Raquel afirma que nem tudo são flores. Entre as dificuldades está a adaptação ao horário de trabalho, pois dentro da área de atuação, precisa trabalhar dentro do horário comercial brasileiro, que na Alemanha é das 13h às 22h.

“Quando a gente está no Brasil, acabou o expediente, umas 18h, 19h, vou ler um livro, assistir TV, espairecer, fazer academia. Aqui já não, porque tem que se adequar a isso. De manhã estuda alemão, inglês, a tarde trabalha até as 22h e, realmente adequar os horários é bem complicado, porque meu marido trabalha até as 18h. Mas como falei, a Cedro é bem flexível e isso me facilitou bastante o processo aqui”. 



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