16/01/2022 às 11h00min - Atualizada em 16/01/2022 às 11h00min

Equipe da UFU promove projetos que incentivam o empreendedorismo social em Uberlândia

“Bread&bug” e “Aroeiras” são desenvolvidos em comunidades da cidade e visam estimular o empreendedorismo

GABRIELE LEÃO
O projeto “Bread&bug” está atuando na comunidade “Migos da Horta”, no bairro Pacaembu | Foto: UFU/Divulgação
A equipe Enactus da Universidade Federal de Uberlândia (Enactus/UFU) está desenvolvendo dois projetos na cidade para promover o empreendedorismo social em comunidades locais. Uma das ações é a  “Bread&bug” que consiste na criação de adubo orgânico com pequenos produtores agrícolas. O outro projeto se trata do “Aroeiras” que busca gerar renda para mulheres por meio da costura de resíduos têxteis.

Julia Caroline Vasconcelos Silva, presidente do time da Enactus, contou que o projeto “Bread&Bug” foi criado para ser o “ganha-pão” dos pequenos produtores agrícolas. A ação consiste em desenvolver um sistema alternativo de fertilização orgânica do solo com excrementos gerados na criação de insetos de Tenébrio molitor (Larva-da-farinha). 

“A iniciativa agrega conhecimento sobre os métodos alternativos de adubação para a agricultura de pequena produção, pensando no reaproveitamento de resíduos da própria produção agrícola, com a finalidade de baixar os custos. Quatro comunidades recebem o adubo produzido, além de mentorias para que os próprios produtores consigam dar sequência no projeto”, comentou.

Carlos Eduardo Pereira é autônomo e dono de uma horta orgânica no bairro Pacaembu. Ele e outro produtor são responsáveis pelo cultivo em mais de três mil metros de produção. Há um ano a horta produz hortaliças que deixam o prato de 50 famílias da comunidade mais saudável.

“O terreno, em frente a minha casa, estava desocupado há mais de 30 anos e depois de um pedido ao município, conseguimos a liberação para trabalhar. Em parceria com a Enactus, recebemos o fornecimento de adubo orgânico, que ajuda na produção orgânica das hortaliças, sem fertilizantes ou agrotóxicos”, explicou o produtor. 
A horta hoje produz couve, alface, chicória, agrião, rúcula, pimenta, cebolinha e mais outras variedades. Carlos ainda contou para a reportagem que a produção é distribuída entre a comunidade do bairro, em formas de kits e um valor de doação é repassado para custeio da produção. 

“Essa é uma maneira que encontramos de distribuir o que é plantado e com essas doações conseguimos manter o projeto com a compra de sementes, custo de água e esgoto”, contou. 

AROEIRAS
O projeto “Aroeiras” tem como objetivo empoderar mulheres e gerar renda por meio da fabricação e venda de produtos através da reutilização de resíduos têxteis que normalmente seriam descartados por indústrias e lojas de Uberlândia. Atualmente, são oito participantes da Comunidade Sal da Terra, localizada no bairro Shopping Park. 

De acordo com dados divulgados no site da Enactus/UFU, a equipe recolhe em média 57 kg de tecido por mês, impedindo que sejam descartados indevidamente. “Temos parcerias que fazem a doação de tecidos retalhos para serem reciclados, dessa maneira, ajudamos o meio ambiente e oferecemos uma profissão para essas mulheres”, esclareceu Julia Vasconcelos. 

Desde 2020 a dona de casa, Flaviane Lourenço, está inscrita no projeto para aprender a arte da costura. O gosto pela técnica do fuxico, que trabalha o retalho de tecidos recortado em formato circular, conquistou até mesmo as filhas dela.

"Nesta técnica podemos fazer diversos formatos e desenhos, mas as flores ganharam o gosto das minhas filhas de 15 e 13 anos”, contou.
Foi no Centro Comunitário que a dona de casa se inscreveu para as aulas de costura e começou a garantir uma renda extra. Com a pandemia da covid-19, as oficinas precisaram ser administradas online, mas não foi um desafio para Flaviane.  “Recebemos os vídeos e os produtos em casa para que nesse meio tempo as alunas conseguissem praticar”, comentou.

Os cursos de capacitação também englobam aulas de pinturas para customização dos produtos e noções introdutórias de marketing e gestão financeira, visando proporcionar maior independência às participantes. 


 

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