18/11/2021 às 12h22min - Atualizada em 18/11/2021 às 12h22min

Suspeitas de integrarem grupo de exploração sexual de travestis em Uberlândia serão denunciadas por latrocínio e homicídio

Julgamento deve acontecer em janeiro e outros mandados de prisão ainda serão cumpridos; ex-vereadora Pâmela Volp é investigada por três homicídios e por chefiar rede de prostituição na Itália

GABRIELE LEÃO
Ex-vereadora Pâmela Volp, cassada em 2020, é acusada de chefiar organização criminosa I Foto: Aline Rezende/CMU
O promotor do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Thiago Ferraz, informou, nesta quinta-feira (18), que as suspeitas de integrarem um grupo criminoso acusado de exploração sexual de travestis e transexuais em Uberlândia devem responder também por crimes de homicídio e tentativa de latrocínio. As investigações fazem parte da Operação Libertas. Na primeira fase, realizada no dia 8 de novembro, a ex-vereadora de Uberlândia, Pâmela Volp, e a irmã, Paula Volp, foram presas.
 
De acordo com o Gaeco, a ex-vereadora Pâmela Volp será denunciada por três homicídios e também será investigada por chefiar uma rede de prostituição de travestis na cidade de Monza, na Itália. A Justiça vai investigar se há ligações com tráfico de pessoas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) conseguiu estender as prisões preventivas de Pâmela Volp e de Paula Volp por mais 90 dias para apuração das denúncias do processo. Já Lamar Bionda, também envolvida no caso, foi solta nesta quarta-feira (17).
 
Em entrevista coletiva nesta quinta, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) disse que vai mover uma ação por tentativa de latrocínio, com pena que pode chegar a 30 anos de prisão, e homicídio. Ainda de acordo com o promotor, a audiência de instrução e julgamento de duas das suspeitas foi marcada para o dia 27 de janeiro de 2022. Ao todo, quatro pessoas estão detidas, em Uberlândia e Criciúma, em Santa Catarina.
 
A operação apura os crimes de associação criminosa, exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio, constrangimento ilegal, ameaça, posse e porte de arma de fogo. As investigações apontam a ex-vereadora Pâmela Volp como mandante dos crimes cometidos por um grupo criminoso. As investigações apontam que o grupo agia na cidade desde 1992.
 
SEGUNDA FASE
A segunda fase da ação foi iniciada nesta quarta-feira (17) e prendeu uma nova suspeita de participar do grupo. Raquel Rosa foi detida no bairro Tibery, em Uberlândia. A suspeita é de que a mulher gerenciava as finanças das casas de operações comandadas por Lamar Bionda.
 
A advogada de Lamar e Raquel, Daniella Ferreira, informou ao Diário que não teve acesso ao processo e ainda não sabe informar por quais crimes as suspeitas estão sendo acusadas.
 
 “Desde o dia que foi deflagrada a operação ainda não tive acesso aos autos, ou seja, não sei ao certo quais crimes elas estão respondendo (Raquel e Lamar). No entanto, minhas clientes não fazem parte de nenhuma organização criminosa e isso restará comprovado no momento certo. Ao contrário do que foi noticiado, a prisão temporária de Lamar acabou. E acredito que a da Raquel também não se prolongará”, afirmou.
 
O advogado da família Volp, Rogério Inácio de Oliveira, informou que não quis ter conhecimento do processo e disse que as acusações são inverídicas. “Sei que é uma construção interessada. Nada disso é verdade. Logo o momento dela vai chegar, mas não é agora. O problema é prender alguém que não precisa, pois se queriam os carros delas, as coisas dela, tudo bem. Mas, decidiram que alguém com 35 anos de trabalho não pode ter essas coisas”, comentou.
 
VEÍCULOS APREENDIDOS
Ainda de acordo com as investigações, um carro avaliado em R$ 1 milhão, modelo Porsche, da cor branca, era fruto da lavagem de dinheiro do grupo. O veículo que estaria na posse de um dos advogados foi apreendido nesta quinta.
 
Outro veículo, modelo SUV, foi apreendido também durante a segunda fase da operação. Segundo a Polícia Militar (PMMG), o carro foi usado nas cenas de crimes de espancamento e ameaças de travestis.
 
Mesmo com a investigação em curso e as cabeças da organização presas, os policiais acreditam que outras pessoas ainda fazem o controle da organização de prostituição. A PM incentiva que outras vítimas que passaram ou passam por crimes de exploração sexual denunciem pelo 181.
 



 OUTROS ESTADOS
Em Criciúma, em Santa Catarina, em um dos endereços alvo da medida judicial de busca e apreensão, foram encontrados mais de R$ 58 mil em espécie e mais uma pessoa foi presa.
 
A polícia cumpriu diligências de busca e apreensão em uma residência de Pâmela Volp, durante a manhã em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ainda não se sabe quais os itens foram encontrados no local.

*Matéria atualizada às 14h45 para acréscimo de informações.
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