08/11/2021 às 14h01min - Atualizada em 08/11/2021 às 14h01min

​Ex-vereadora Pâmela Volp e mais duas pessoas são presas por esquema de exploração de travestis

Ação conjunta do GAECO e MP investiga intercâmbio de prostituição, homicídio e exploração sexual; crimes aconteciam em Uberlândia e em regiões no sudeste e sul do país

GABRIELE LEÃO
Ex-vereadora cassada em 2020 é uma das suspeitas de chefiar o esquema I Foto: Aline Rezende/CMU
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) prendeu na manhã desta segunda-feira (8) a ex-vereadora Pâmela Volp, a filha dela, Paula Volp e Lamar Bionda, também acusada de envolvimento em um esquema de exploração de travestis em Uberlândia e outras regiões do país. As três são suspeitas dos crimes de exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, roubo, lesão corporal, homicídio, constrangimento ilegal, ameaça, posse e porte de arma de fogo.
 
Durante a operação, foram apreendidos R$106 mil em dinheiro na casa da ex-vereadora e um caderno com informações sobre o esquema de prostituição, caixa e dívidas de profissionais do sexo, agenciados por Volp. Em entrevista coletiva nesta segunda, o promotor do GAECO, Thiago Ferraz, informou que os crimes estão interligados entre Uberlândia, São Paulo e Criciúma, em Santa Catarina.
 
As investigações começaram após uma denúncia anônima, em abril deste ano, que dava detalhes sobre o esquema. O promotor de justiça do Ministério Público (MPMG), Ricardo Mazini Bassetto, informou que a prisão das três mulheres é temporária por pelo menos cinco dias, podendo ser prorrogada após análises das provas.  


 
Um dos crimes investigados é o homicídio de uma travesti, que morreu em 2015, em Uberaba. De acordo com Ferraz, o jovem de 20 anos, natural do Acre, teria sofrido com complicações devido a um procedimento realizado com silicone industrial. Ainda de acordo com a justiça, há provas de que o silicone foi implantado a mando da ex-vereadora Pâmela Volp.
 
OPERAÇÃO E PRISÕES
O major da Polícia Militar (PM), Sandro Nunes Viana, informou que a operação começou às 6h da manhã e na casa de Volp, no bairro Umuarama, foram apreendidos R$106 mil em dinheiro e encontrados dois carros de luxo, avaliados em quase R$ 1 milhão.
 
Em outro local, no centro da cidade, foram captados um HD externo, materiais para aplicações do silicone industrial e próteses de silicone, além de porções de maconha e cocaína. No Tibery, outra suspeita de participar do esquema, Lamar Bionda, também foi presa.
 
PONTOS DE PROSTITUIÇÃO
As investigações ainda apontaram que os pontos de prostituição eram setorizados, em Uberlândia. Os bairros Tibery e São Jorge, por exemplo, eram comandados por Lamar Bionda. Já os bairros Umuarama e proximidades eram agenciados por Volp.
 
Ainda de acordo com Ferraz, não havia a possibilidade de ninguém trabalhar nas regiões citadas de forma autônoma. “Se alguém tentasse oferecer o serviço sem estar na proteção de Pâmela Volp, por exemplo, essa pessoa era coagida e poderia sofrer agressões e até roubos, para sair do local. Recebemos diversas denúncias que confirmam esse esquema, uma pessoa chegou a ser foi agredida com uma barra de ferro”, comentou.
 
A filha da ex-vereadora, Paula Volp, era responsável pelo financeiro do esquema. Era ela quem realizava as arrecadações dos valores das diárias das travestis. A investigação apontou três pontos de trabalho e pensões, sendo, na Avenida Professora Minervina Candida Oliveira, na Av. João Naves de Ávila e Av. Floriano Peixoto. Os pontos eram agenciados, exclusivamente, por Lamar e Volp.
 
As profissionais do sexo, no consórcio de Pâmela, pagavam a diária de serviço, sendo R$50, além da taxa de limpeza e hospedagem nas pensões. Mesmo se não comparecessem para o trabalho, a taxa era cobrada, sendo assim, as dívidas contraídas por elas eram impossíveis de serem pagas.
 
INTERCÂMBIO 
Na investigação, uma outra mulher foi apontada como parceira de Volp. A mulher, que mora em Criciúma, em Santa Catarina, seria parceira da ex-vereadora para incentivar o intercâmbio de travestis entre as cidades.
 
“Quando os profissionais do sexo ficavam famosos na cidade e conseguiam mais ter lucros, eles eram enviados para Criciúma para fazer o trabalho na cidade. Da mesma maneira acontecia na cidade do sul, outras pessoas eram enviadas para trabalhar em Uberlândia”, comentou.
 
Os investigadores também revelaram que, em São Paulo, uma clínica médica era utilizada para o implante de silicone e as travestis que faziam o procedimento estético no local também contraiam dívidas com Volp. A polícia ainda investiga quais eram as associações do médico com a ex-parlamentar.
 
O Ministério Público informou em entrevista que continuará investigando o caso e incentiva que outras vítimas se apresentem. Ainda de acordo com Mazini Bassetto, todas os boletins de ocorrência de agressão à travestis serão reavaliados.
 
O Diário não conseguiu contato com a defesa dos acusados na investigação.
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