28/10/2021 às 07h30min - Atualizada em 28/10/2021 às 07h30min

Estudo viabiliza exploração da rocha basalto para melhorar produção agrícola em Uberlândia

Pesquisa mostra que a rocha pode ser aliada dos produtores para diminuir custos e aumentar a produção

MARIELLE MOURA
Estudo foi apresentado pela Prefeitura de Uberlândia nesta quarta (27) I Foto: Marielle Moura
O estudo técnico que viabiliza a exploração do basalto por mineradoras em Uberlândia foi apresentado pela Prefeitura na tarde desta quarta-feira (27). A pesquisa mostra que o pó da rocha pode ser aliada dos produtores rurais da região para diminuir custos e aumentar a produção.
 
O material vem sendo trabalhado desde 2017, uma vez que existe uma enorme quantidade de material na cidade. De acordo com o estudo, a composição mineral e as características físico-químicas do pó de basalto de Uberlândia evidenciaram que a utilização do mineral auxilia na melhoria da qualidade do solo.
 
Segundo observações preliminares do estudo, o basalto pode ajudar na antecipação de colheita, no aumento do tamanho e peso da planta, além do aumento do tempo de prateleira do que é produzido.
 
O engenheiro agrônomo Marcos de Matos Ramos explicou que o basalto é rico em nutrientes que influenciam no crescimento e produtividade das plantas. “A composição mineralógica dessa rocha é rica em elementos importantes para o desenvolvimento das plantas, como potássio, cálcio, magnésio e outros micronutrientes tão importantes para o desenvolvimento. Portanto, a planta vai nutrir mais facilmente, se tornar mais forte e assim aumentar a produtividade.”, informou.
 
O engenheiro também disse que a tendência é ter melhores produtividades, com uma  produção agrícola de melhor qualidade e com um menor custo de produção, trazendo uma melhor receita para a atividade.
 
“A soja, por exemplo, o peso de mil sementes aumenta 5% e isso reflete diretamente na produtividade. Já no primeiro ano de uso dessa tecnologia adotada na propriedade aumentou em 10% a produtividade de soja. Uma área que tinha 55 sacos de produtividade sem o pó de rocha, aumentou para 61 sacos com a utilização do mineral,” explicou o engenheiro.
 
Para o prefeito Odelmo Leão, a entrega do estudo simboliza um grande avanço para a cidade. “Esse estudo vem para demonstrar que a rocha de basalto está pronta para atender a agricultura e seus nutrientes que a planta necessita, e ainda com a vantagem de que ela tem o silício, que fortalece a raiz e folha da planta e com isso se usa menos defensivos agrícolas,” disse.
 
O prefeito ainda mencionou que usando o basalto o produtor terá um custo mais barato para a produção e ainda conseguirá diminuir o uso de defensivos agrícolas. “Creio que a grande inovação do pó mineral é ajudar a promover essa nova revolução do campo que contribui com o meio ambiente e produz um alimento mais saudável e barato para a população,” completou.
 
EMPRESAS INTERESSADAS
Odelmo completou dizendo que já existem empresas interessadas na exploração do basalto e venda da matéria-prima para produtores em Uberlândia. “As pedreiras que produzem essa brita para fazer asfalto, vão ampliar a atividade e fazer este produto também”, informou.
 
As empresas interessadas na exploração do mineral devem obter registro junto ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para produção e comercialização do subproduto da mineração.
 
ESTUDO
O estudo é um desdobramento das pesquisas conduzidas desde 2017 pela gestão municipal em conjunto com a empresa Companhia de Promoção Agrícola e Tecnologia Campo. O relatório apresentado ainda teve o apoio da concessionária de ferrovias VLI na sua elaboração. As informações contidas no material atestam sobre a qualidade do pó de rocha originário de Uberlândia.
 
Como remineralizador de solo, o pó de basalto é capaz de auxiliar na recuperação da terra da forma mais natural possível e com viabilidade econômica, que é o grande desafio de todo produtor. O material possui destaque para as concentrações de cálcio, magnésio e potássio. Os estudos apontam para aumento de rendimento na produção e melhora de sanidade das plantas, com maior retenção de carbono no solo e maior resistência às intempéries. Consequentemente, o minério colabora na redução do uso de fertilizantes sintéticos, que encarecem os custos da lavoura.

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