03/10/2021 às 13h30min - Atualizada em 03/10/2021 às 13h30min

Associação de bares e restaurantes no Triângulo Mineiro defende retorno do horário de verão

Alteração nos relógios poderia aumentar de 20% a 30% nas receitas, defende Abrasel

SÍLVIO AZEVEDO
Associação diz que medida seria importante para o setor, que sofreu com o fechamento compulsório de estabelecimentos por causa da Covid-19 | ARQUIVO DIÁRIO
Dois anos após o fim do horário de verão, em meio à crise econômica causada pela pandemia da Covid-19, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) encaminhou ao Governo Federal um pedido de revisão da medida. Segundo a entidade, o retorno poderia ajudaria na recomposição de perdas econômicas causadas pela pandemia.
 
De acordo com o presidente da Abrasel no Triângulo Mineiro, Fábio Bertolucci, a medida seria importante para o setor, que sofreu com o fechamento compulsório de estabelecimentos por causa da Covid-19.
 
“Seria uma forma de a gente aumentar a receita e tentar recuperar o prejuízo que sofremos nos meses anteriores. Levando-se em conta que o horário de verão, coincide-se com o final do ano, a gente tem uma expectativa da maioria de vendas, do aumento da receita e, consequentemente recuperar um pouco do nosso setor”, disse em entrevista ao Diário.
 
A estimativa da Abrasel é que, com o retorno do horário de verão, bares e restaurantes consigam um aumento de 20% a 30% nas receitas. “Com essa demanda, você permite o lugar a trabalhar uma hora a mais em uma época do ano quem se tem um consumo maior de bebidas, principalmente, isso ajuda muito na receita. É uma hora a mais de cliente, de consumo, de entretenimento”.
 
O pedido foi feito em julho, porém até hoje, não houve retorno oficial do Ministério de Minas e Energia. “Essa demanda, infelizmente, não temos uma luz muito clara. Existe uma resistência muito grande por parte do governo, pois ele não vê o horário de verão como uma solução para a questão hídrica e energética do país. Então, quem hoje lida com isso, enxerga mais como uma demanda de um único setor”, disse Bertolucci.
 
O presidente da Abrasel no Triângulo Mineiro salienta ainda que, mesmo com a reabertura gradual, os estabelecimentos ainda seguem com dificuldades, muito por conta das dívidas causadas pelo período de fechamento. “Todas as gorduras que estamos tendo agora, estão sendo usadas para pagar dívidas dos meses anteriores, principalmente com o Governo. Tudo que conseguimos economizar, é para pagar as dívidas postergadas. Tudo que tinha que ser pago foi postergado e a conta, agora, está chegando”.
 

Em nota enviada ao Diário de Uberlândia, o Ministério de Minas e Energia esclareceu que a contribuição do horário de verão é limitada, tendo em vista que, nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário de energia para o período diurno. Assim, no momento, o MME não identificou que a aplicação do horário de verão traga benefícios para redução da demanda.
 
ECONOMIA QUESTIONÁVEL
De acordo com o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), José Rubens Macedo Júnior, em termos de redução de consumo, a contribuição do horário de verão é praticamente inexistente, com menos de 0,5% de economia.
 
O professor aponta que o momento atual de iminência de uma crise energética, essa pode ser uma solução paliativa e emergencial, pois o horário de verão tem uma característica que desloca a potência máxima ligada na ponta.
 
“O volume de carga ligada na ponta ele reduz. A carga de iluminação entra uma hora depois e sai do pico de carga do país. Ele reduz essa demanda máxima do dia em até 5%. De repente, nesse momento, o horário de verão pode ser uma coisa que nos dê uma sobrevida de algumas semanas, talvez”, afirmou.
 
Mas, para isso, seria necessária uma análise técnica mais detalhada por parte da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “No setor elétrico é uma ciência exata. Você calcula o que vai acontecer. Não tem previsibilidade. A única coisa que se demanda de uma certa previsibilidade é o volume de água que vai cair nos próximos meses, é a única variável que conhecemos. Todo resto calculamos na ponta do lápis e não tem subjetividade”, disse José Rubens.
 
 
 
 

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