15/09/2021 às 14h10min - Atualizada em 15/09/2021 às 14h10min

Incêndios em vegetações aumentam 36% nos sete primeiros meses do ano em Uberlândia

Especialistas alertam para consequências ambientais e prejuízos a saúde da população

LORENA BARBOSA
Quase 600 hectares da reserva do clube Caça e Pesca foram queimados na última semana | Foto: Reprodução/WhatsApp
O belo sol de Uberlândia tem dado espaço à fumaça de incêndios nas últimas semanas. De acordo com o Corpo de Bombeiros (CBMMG), foram registradas 926 queimadas em vegetação apenas nos sete primeiros meses do ano. São 36% a mais do que os 677 incêndios registrados no mesmo período do ano passado.
 
Ainda conforme dito pelos militares, em aproximadamente de 90% das queimadas, as chamas começam depois de uma ação humana. Além de prejudicar a saúde da população, os incêndios também causam perdas irreparáveis para o bioma cerrado e para pesquisas ambientais.
 
O engenheiro ambiental, Fabrício Pelizer, explicou que o cerrado é um dos grandes berços de água do Brasil e o fogo no bioma deve acontecer de forma natural para que o próprio sistema possa se regular e renovar a matéria orgânica do solo. Porém, a intervenção humana e o longo período de estiagem, tem um impacto pesado sobre o ecossistema.
 
“As consequências vão desde a morte de animais, insetos, plantas, até a diminuição da capacidade de reservas hídricas. Espécies restritas ao cerrado acabam não resistindo e perdemos um potencial de biodiversidade. A gravidade climática também é grande. As cidades acabam ficando mais quentes devido ao superaquecimento desses locais”, apontou Pelizer.
 
Incêndios como o registrado na última quinta-feira (9) na reserva do Clube Caça e Pesca, onde quase 600 hectares de vegetação do cerrado, florestas, pastagens e reflorestamento foram queimados, além de causar o prejuízo ao cerrado e a saúde da população, é um golpe irreparável para os pesquisadores ambientais. Os profissionais catalogam e acompanham a relação no ecossistema de várias espécies de animais. Com a perda do ambiente, eles precisam se reinventar e começar do zero acompanhando o restabelecimento do bioma.
 
“O cerrado tem uma resiliência interessante. Apesar da agressividade do fogo, ele consegue voltar a dar frutos e tentar se restabelecer. Depende muito da gravidade desses incêndios, mas em alguns anos é possível ver o retorno de algumas aves, insetos e mamíferos voltando para essas áreas. É preciso verificar ainda se esses animais encontram abrigos e alimentos em outros locais”,  destacou o engenheiro ambiental.
 
O impacto na rotina da população vai desde a invasão de animais nas cidades em busca de abrigo até o superaquecimento citado pelo engenheiro ambiental. Além disso, a qualidade do ar fica muito prejudicada devido às fumaças, poeira e baixa umidade, o que provoca problemas respiratórios em muitas pessoas. Segundo a pneumologista, Bruna Zanatta, os atendimentos no pronto socorro e consultório aumentam aproximadamente 70% nesta época do ano por causa das infecções. As vias aéreas ficam mais secas, causando crises de rinite, faringite e bronquite.
 
“O sangue fica mais denso devido à falta de hidratação, o que favorece o aparecimento de problemas oculares, de alergias e até cardíacos. Além da pele, que fica ressecada e aumentam os casos de dermatite. Todo o organismo é prejudicado.”, destaca Zanatta.
 

A pneumologista orienta sobre os cuidados pessoais e domésticos que devem ser tomados. O uso de umidificador, toalhas úmidas, bacias de água e a manutenção da limpeza da casa são fundamentais. Cuidados pessoais, como manter o corpo hidratado principalmente em crianças e idosos, é essencial. Zanatta orienta ainda que é importante a ingestão de alimentos mais leves, como frutas ricas em líquidos, além do uso de chapéus e roupas que possam proteger do sol.
 
Enquanto os bombeiros combatem as chamas é preciso que a população se conscientize que fogo e tempo seco não combinam. Dobrar a atenção com bitucas de cigarro e faíscas próximo a vegetação que podem causar grandes incêndios é essencial. Mas, além da consciência, é preciso lembrar também que causar incêndio, expondo o perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio, incluindo lavoura, pastagem, mata ou floresta, é crime previsto no Código Penal Brasileiro e tem como pena até quatro anos de reclusão, além de multa.

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