31/08/2021 às 11h00min - Atualizada em 31/08/2021 às 11h00min

Uberlândia registra queda de 23% na geração de empregos formais em julho

Saldo do Caged é positivo no acumulado dos setes primeiros meses do ano na cidade; profissionais acreditam que dados não retratam a realidade do município

LORENA BARBOSA
Em julho, Uberlândia gerou saldo positivo de 1.007 empregos formais | MARCELO CABRAL
De acordo com o  Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados (Caged), Uberlândia teve saldo positivo de 1.007 empregos formais gerados em julho. Foram 10.605 admissões e 9.598 desligamentos. Entretanto, se comparado com o mês de junho, quando o saldo de emprego foi de 1.307, o resultado apresentou diminuição de 23% em julho, o que reflete também aumento nos desligamentos, assim como nas admissões. Apesar de números positivos, especialistas destacam que o Caged por si só ainda não representa o momento de retomada da economia.
 
O setor de comércio foi o que mais abriu vagas e contribuiu para o saldo positivo com 490 contratações. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Cícero Heraldo Oliveira Novaes, explica que esse saldo positivo nada mais é do que a reposição dos postos de trabalho que foram fechados pela insegurança trazida pela pandemia. Ele não considera uma retomada real, mas sim a volta de empresários que tiveram prejuízos e problemas e agora estão se recompondo novamente ao mercado.
 
“Ainda não podemos considerar um fato extremamente positivo, no sentido de que a economia está retomando, mas isso é bom considerando que o número não foi negativo”, destacou José Cícero.
 
Tiveram saldos positivos também no setor da construção civil com 354 contratações, serviços com 149 e a indústria com 104 vagas de emprego. O setor de agropecuária registrou o fechamento de 90 vagas e acumulou saldo negativo pelo quarto mês consecutivo. O saldo negativo do setor se deu em razão, principalmente, da produção de sementes certificadas, que fechou 73 vagas em julho. É importante destacar que Uberlândia não se beneficia na geração de vagas da colheita de café, característica do mês de julho, porque o município praticamente não produz o grão, mesma questão válida para a produção de soja.
 
O saldo acumulado nos sete primeiros meses do ano é positivo na cidade, com a criação de 8.744 postos de trabalho. Foram 70.017 admissões e 61.273 desligamentos de janeiro a julho deste ano. A economista do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (CEPES), Alanna Santos de Oliveira explica que os dados do Caged mostram uma tendência de melhora no quadro de geração de empregos formais.
 
Entretanto, indicadores relevantes do nível de aquecimento da economia, como o Índice de Volume de Vendas do Varejo do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Indicador de Formação Bruta de Capital do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresentaram significativa queda nos dois primeiros meses de 2021, o que tem deixado especialistas de mercado receosos quanto a confiabilidade dos dados do Novo Caged, que mudou a metodologia de pesquisa desde o ano passado. Alanna destacou que existe sim uma geração de emprego, não só no comércio como na construção e também na indústria. Contudo, ela não é tão intensa quanto a  apresentada.
 
“Até no nosso dia a dia a gente já tem uma percepção disso, principalmente a condição de miséria das pessoas e a quantidade de estabelecimentos que está com cartaz de aluga-se. Tudo isso meio que entra em contradição com o cenário tão positivo que o Novo Caged tem apontado”, destacou a economista.
 
Outra questão preocupante é que no dia 25 de agosto acabou o Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, que estava com a segunda edição vigente desde abril deste ano. O programa foi importante para minimizar as demissões durante a crise sanitário-econômica gerada pela pandemia de Covid-19, ao permitir a suspensão ou redução da jornada de trabalho e possibilitar a estabilidade no emprego por igual período ao da suspensão ou redução.
 
A expectativa, segundo a economista, é que as demissões possam crescer significativamente nos próximos meses. Mas um ponto positivo é que a vacinação tem avançado e isso ajuda muito a recuperação de alguns setores como lazer, turismo, bares e restaurantes.
 
O presidente da CDL afirmou que empresários do comércio torcem para que não haja mais problemas com a pandemia e que, a cada dia, mais segmentos sejam abertos, principalmente nos serviços que foram muito prejudicados. Ele acredita ainda que até final de outubro e novembro a economia possa começar a voltar aos eixos, mas estima que somente no próximo ano haverá um equilíbrio parecido com o que existia antes do coronavírus.
 
Cícero Heraldo Oliveira disse ainda que é preciso que o empresário tenha mais apoio do Legislativo para aumentar a empregabilidade. “A constituição como um todo precisa ser revista para que as empresas tenham um ambiente de negócios que facilite o crescimento. Hoje é imposto em excesso, problema em todos os sentidos e burocracia. O que contribui para que o empresário fique na informalidade”, concluiu o presidente da CDL.
 
DESEMPREGO
Ainda sobre os dados analisados, Alanna reforçou que os resultados referem-se a uma parcela do mercado de trabalho, o formal celetista, e deixa de contemplar grande parte de trabalhadores informais. Por isso, é  importante que os dados do Caged sejam analisados paralelamente a outros dados, como os da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Segundo os números dos meses de março, abril e maio deste ano, a taxa de desemprego no Brasil foi de 14,6%, o que corresponde a 14,8 milhões de pessoas em busca de colocação no mercado de trabalho. Os dados mostram ainda que 48,9% da população brasileira está empregada formalmente. A economista destaca que os números estão assim desde de maio de 2020, o que aponta que, há cerca de um ano, menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.
 

 
 
 

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