20/07/2021 às 11h00min - Atualizada em 20/07/2021 às 11h00min

"Dedo de Verso" lança disco com canções e poemas criados por crianças durante a pandemia

Álbum do projeto social tem direção artística do músico e escritor Enzo Banzo e participação do Grupo EMCANTAR

DA REDAÇÃO
Oficinas do projeto “Dedo de Verso” | Foto: Divulgação
O disco "Dedo de Verso", que chega às plataformas de streaming (Spotify, Deezer, iTunes, Amazon e Youtube), no dia 23 de julho, é um álbum infantil com 20 canções e poemas compostos coletivamente em oficinas remotas por 127 crianças do Triângulo Mineiro, em plena pandemia do coronavírus.

O álbum é resultado das atividades de formação do projeto "Dedo de Verso", no qual crianças participantes de oficinas são estimuladas a criar canções e poemas em brincadeiras coletivas com a poesia da voz.

“As palavras partem da fala do dia a dia, em um dedo de prosa que vira dedo de verso, e que, nas diferentes vozes, se transforma em um canto diverso”, explicou Enzo Banzo, diretor artístico do projeto e responsável pelas melodias das canções.

No disco, os textos criados pelas crianças são cantados e falados por artistas de reconhecida atuação na região: além de Enzo Banzo, o Grupo EMCANTAR, que também assina a produção musical; e os cantores Luiz Salgado e Kainã Bragiola.

PANDEMIA E ESPERANÇA
Um álbum feito por criança, para criança, cantado para a moçada, cheio de imagens, curiosidades, divertido e ao mesmo tempo reflexivo. É assim o disco Dedo de Verso. Algumas canções revelam-se um importante retrato de como os participantes sentiram os impactos da pandemia em suas vidas, como é o caso da 5ª faixa do álbum, "ET na Quarentena", cujo refrão gravado em coro pelo Grupo EMCANTAR diz: essa quarentena/está mexendo com minha cabeça/daqui a pouco vou comer coxinha/pensando que é a sobremesa/macarrão no copo/suco no prato, bolo no almoço/ tomar sorvete de ovo mexido/correr atrás da bola do cachorro.

Já na 2ª faixa do álbum, "Correria", o dia a dia cansativo é contraposto pela esperança e afeto: eu queria abraçar as pessoas de volta/eu queria um dia bem mais divertido/eu queria cantar dançando com os amigos.

“E assim o disco é entremeado por faixas também divertidas, como "Um dia de azar", que abre o álbum saudando: "oi, eu vi um boi"; e peças líricas, belas e profundas, como a surpreendente "Houve um tempo em que eu fui você", menciona também o ator e oficineiro do projeto, Rafael Michalichem, que juntamente com a escritora, Cleusa Bernardes, e Erika Moraes, abraçaram o desafio de produzir literatura com as crianças em plena pandemia.

A ideia inicial era que, após oficinas presenciais, os participantes apresentassem os textos cantados e teatralizados em saraus abertos à comunidade. “Porém, diante da impossibilidade desse formato por causa da pandemia, surgiu a ideia de adequação do projeto para a gravação do disco, que acabou se tornando uma grande surpresa positiva até mesmo para nós”, contOU Enzo Banzo.

Além das oficinas de criação literária, as crianças puderam vivenciar a transformação da poesia em canção nos workshops “Letra Sobre Melodia” conduzidos pelo músico e diretor do projeto.

E depois de tudo isso, o resultado do trabalho ganhou o estúdio de gravação com arranjos e vozes profissionais, em uma produção musical que passeia por diferentes sonoridades, de violões a naipe de metais, passando por uma variedade de timbres. Entre as faixas cantadas, surgem textos falados ambientados em trilhas que geram climas poéticos na esfera do som.

AS CRIANÇAS
Julia Guedes Resende, de 12 anos, participou das oficinas do projeto e expressa como se sente com o resultado do processo. “Eu lembro do dia que eu escrevi o poema. Eu adorei o resultado dele, de como ficou na música. Ficou muito bom, muito melhor do que eu esperava. É uma honra ser a fonte dessa arte, eu gostei muito, do fundo do meu coração.”

José Antônio Moreira Junior, de 14 anos, é outro participante que também fez questão de deixar seu agradecimento. “Eu gostei muito de participar dessa grande oportunidade de criar música. Foi uma experiência que me fez ter novos conhecimentos e ver a capacidade que nós temos de criação. E vimos que o mundo musical é uma experiência que todos deveriam participar para ter conhecimento de criar as coisas. Muitas pessoas falam que não têm capacidade de aprender ou criar uma música, mas eu aprendi que qualquer pessoa com criatividade pode criar uma bela música e uma bela arte”, afirmou.

As ações do projeto "Dedo de Verso" são viabilizadas pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, em parceria com o Programa Transforma e patrocínio do Instituto Algar. "Dedo de Verso" teve sua primeira edição em 2017, sendo retomado em 2020.

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