17/07/2021 às 12h00min - Atualizada em 17/07/2021 às 12h00min

Vacinação de pessoas em situação de rua em Uberlândia gera dúvidas e questionamentos

Prefeitura informou que 200 pessoas em situação de rua já foram imunizadas e que estuda a necessidade de mais uma ação para a categoria na cidade

LORENA BARBOSA
Vacinação foi realizada na Praça da Bíblia | Arquivo Pessoal/Jack Albernaz
A população em situação de rua é um dos públicos prioritários a receber a imunização da covid-19 pelo Plano Nacional de Vacinação. Isso porque a vulnerabilidade social e econômica, assim como a dificuldade de chegar até essas pessoas, expõe elas a riscos maiores de contaminação e disseminação da doença.

A Secretária de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgou nota informando que enviou aos municípios 100% das doses de vacinas para os moradores em situação de rua. Em Uberlândia, a vacinação para esse público aconteceu somente no dia 2 de julho. De acordo com Jack Albernaz, Presidente do Fórum Permanente das Pessoas em Situação de Rua da cidade, a vacinação que aconteceu na data divulgada pela prefeitura pode não ter atendido a todas as pessoas em situação de rua. Na ocasião, as equipes estiveram em praças das áreas centrais da cidade e também em abrigos.

Essa dúvida em relação a quantidade de doses já aplicadas na população de rua vem da falta de informação. Segundo Jack, não houve um trabalho feito pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social avisando sobre a vacinação com antecedência. A divulgação foi feita de um dia para o outro e o horário só foi informado no dia. “Não foi explicado se a vacina seria aplicada na pessoa mesmo sob efeito de álcool e drogas, não tinha a informação se ela iria se vacinar não estando com documentos. Então foi tudo em cima da hora”, explicou Albernaz.

O Fórum estima que hoje em Uberlândia 1400 pessoas vivam em situação de rua, não apenas na região central, mas também nas periferias e principalmente nos assentamentos. Conforme passado pelo representante, a Secretaria Municipal de Saúde disse, de forma informal, no dia da vacinação, que foram disponibilizadas 519 doses para a população de rua e abrigados. “Tem que pensar que tem gente que é considerada invisível, mas existe. Que come, bebe, que encosta nas coisas, chega nos lugares. Essas pessoas estão aí e elas podem ser agentes de contaminação”, disse o presidente do Fórum.

Jack Albernaz disse ainda que não apenas o Fórum, mas também vários outros grupos da cidade que trabalham prestando assistência, tentaram contato com a Prefeitura Municipal de Uberlândia para conseguir respostas aos questionamentos sobre a continuidade da vacinação para esse público, mas não tiveram nenhum retorno. Segundo ele, ainda não há confirmação de que o público que não recebeu a vacina vá ser imunizado em outro dia.

“Eu acho que deveria haver mais clareza das informações da vacinação após o dia 2 de julho. Não tem mais outra data? Quer dizer, quem não vacinou, não se vacina mais? Essas respostas são fundamentais", concluiu o representante.

O Diário questionou a Prefeitura de Uberlândia se esse público de pessoas em situação de rua foi vacinado em sua totalidade e se haverá nova data de imunização para concluir este grupo.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “já imunizou contra a Covid-19 cerca de 200 pessoas em situação de rua em duas ações em pontos estratégicos e em abrigos subvencionados pelo município. Devido à característica flutuante deste público, o Programa de Imunização está estudando junto a outras secretarias envolvidas a necessidade de mais uma ação para a categoria na cidade”.

CONSULTÓRIO DE RUA
De acordo com o Fórum Permanente das Pessoas em Situação de Rua de Uberlândia, um importante aliado no processo de imunização desse público seria o Consultório de Rua. Trata-se de um projeto de assistência que está desativado em Uberlândia.

O impasse para o retorno do serviço dura mais de um ano. Em fevereiro deste ano, a Prefeitura Municipal de Uberlândia se comprometeu a voltar com o serviço dentro de quatro meses. O prazo terminou em junho, e o Consultório de Rua ainda não voltou para as ruas.

De acordo com o Ministério Público, nesta quinta-feira (15), foi pedido em juízo que a prefeitura seja intimada a comprovar o funcionamento do serviço no prazo de 10 dias. Ainda segundo o procurador da República Leonardo Andrade Macedo, o próximo passo da Procuradoria é pedir em juízo a aplicação de multas e penalidades ao município.

Questionada pelo Diário sobre o Consultório de Rua, a Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota, que a remodelagem do Consultório de Rua está em fase final. “A Secretaria Municipal de Saúde informa que a remodelagem do Consultório de Rua segue em andamento e, atualmente, está em fase de contratação de novos profissionais. Durante esse tempo, a população vulnerável permanece assistida e monitorada pelas equipes de Atenção Primária. Todo trabalho é compartilhado e integrado às Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e dos demais serviços de Urgência e Emergência da rede pública”, constou.
 

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