08/07/2021 às 12h00min - Atualizada em 08/07/2021 às 12h00min

Surgimento de casos de covid em escolas de Uberlândia deixa pais e profissionais apreensivos

Instituições públicas e privadas tiveram atividades suspensas por suspeita da doença essa semana

SÍLVIO AZEVEDO
Segundo Prefeitura, protocolos sanitários são seguidos na volta às aulas | Foto: Secom/PMU
Nesta semana, a Secretaria Municipal de Educação confirmou que duas escolas municipais de Uberlândia tiveram atividades suspensas por suspeita de Covid-19. Na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Professora Carmelita Vieira dos Santos, no bairro Tibery, a suspensão das aulas de uma turma vai até dia 10 de julho, enquanto a Professor Otávio Batista Coelho Filho, no Bairro Brasil, não funcionará no turno vespertino até o dia 12.

A situação deixa pais e profissionais da educação ainda mais apreensivos. Mãe de quatro filhos, com idades entre 10 e 1 ano, Ana Carolina Martins da Silva está em casa com as crianças. Moradora do bairro Pequis, ela diz que o caçula está com Covid, e possivelmente contraiu a doença no Centro Educacional Professora Amenaí Matos Neto (CCAU), enquanto os outros apresentam sintomas.

“Ele foi diagnosticado no dia 30 e estava há uma semana frequentando a creche. O médico lá da UAI Planalto disse que possivelmente ele pegou na creche, pois em casa ninguém tinha manifestado sintomas da doença. Agora os meus outros filhos estão com gripe e a ter sintomas, mas ainda aguardam serem chamados para fazer os testes”, revelou.

Segundo a dona de casa, as aulas não deveriam ter voltado. “Pra mim deveria continuar do jeito que estava, não voltava com as aulas não. É muito difícil levar o filho pra escola e ter um diagnóstico de gripe e depois constatar que está com Covid-19. Ele é muito pequeno e passou muito mal”, observou.

De acordo com um professor da rede municipal, que preferiu não se identificar, muitas escolas estão com servidores afastados por causa da Covid-19. No momento, ele também está afastado após ter confirmado que está com a doença.

“Existem relatos de que grande parte das escolas tem profissionais testando positivos e são afastados, porém é abafado. Têm escolas com até sete profissionais afastados e ninguém fala nada. Impera o silêncio. A pressão psicológica em cima dos servidores está grande. A Secretaria de Educação não nos presta nenhum auxílio”, disse.

Ainda segundo o profissional, ele trabalhou a semana passada contaminado, e pode ter exposto colegas e alunos aos vírus. “Trabalhei de segunda a quinta-feira. Trabalho em duas escolas da zona rural, utilizo de van escolar junto com meus colegas de trabalho. Testei positivo na sexta-feira e segundo o médico já teria uns cinco ou seis dias que estava contaminado e não apresentei sintomas febril. Eu estou triste por pensar que possa ter transmitido pra alguém”.

Mesmo com dois casos confirmados, o servidor afirma que as aulas continuam acontecendo dentro da normalidade. “A rotina segue normal. Todos trabalhando normalmente. Estou afastado, mas participo de grupos no Whatsapp e vi um pai dizendo que a filha não iria pra escola pois teria testado positivo para Covid. Meus alunos não foram informados porque o professor está afastado”, afirmou.

O professor ainda diz que os profissionais da educação querem trabalhar, mas que tenham segurança para exercer suas atividades escolares. “Nós queríamos que acelerasse o processo de vacinação, pois está comprovado que a vacina ajuda, para que possamos retornar de maneira segura e coletiva. Já temos um ano e meio de pandemia, nesse processo, e agora que estamos tão próximos, não seria mais seguro vacinar e retornar com mais tranquilidade? Se não falta recurso, como o Governo fala, por que não vacina todo mundo?”, argumentou.

O Diário entrou em contato com a Prefeitura de Uberlândia questionando as demandas repassadas pelos entrevistados, mas, até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

ESCOLAS PARTICULARES
Não são apenas as escolas municipais que sofrem com casos de Covid-19. O Diário recebeu informações de que algumas instituições de ensino particulares da cidade estão suspendendo atividades.

O Diário entrou em contato com algumas escolas particulares que confirmaram ter casos suspeitos e confirmados de Covid-19. Algumas pediram que não fossem identificadas, mas garantiram estar seguindo o protocolo sanitário, suspendendo atividades parcialmente ou de forma integral.

Segundo a presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Triângulo Mineiro (Sinep), Átila Rodrigues, as escolas são orientadas e cumprem rigorosamente os protocolos sanitários. “O protocolo fala que se a criança vier com histórico de contato com alguém da família, ela não pode ir pra escola. Ela se ausenta por cinco dias, se não apresentar sintomas, ou tiver o teste negativo. Caso tiver o sintoma, foi à escola, suspende a turma toda. Se tiver contato com mais de uma turma, suspende as turmas”, explicou.

Átila ainda reforça que não há registro de contágio de alunos e profissionais dentro das escolas e que os números estão aquém do que era esperado pela Sinep nesse reinício das atividades, fruto da orientação e cumprimento das normas sanitárias. “Mas o que percebemos é que estamos fazendo todo o cumprimento do protocolo pra evitar contágios. Nós não temos nenhum histórico de contaminação dentro das instituições. O que temos é suspensão para prevenir esse contágio, e isso está dentro do protocolo”, pontuou.

A presidente informou que conta com a colaboração dos pais no controle da doença nas escolas particulares filiadas ao Sinep. “Percebemos que os pais que optaram por voltar com o ensino presencial, são mais preocupados e meticulosos. Temos a colaboração deles nesse sentido, prestando informações”, comentou.

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