25/06/2021 às 14h00min - Atualizada em 25/06/2021 às 14h00min

Média anual de adoções em Uberlândia teve queda de até 80% em 2020

Paralisações dos processos durante a pandemia influenciaram na redução; além disso, processos que eram físicos, em papel, não tiveram como prosseguir

NILSON BRAZ
Adriana Tomais e o marido passaram pelo processo de adoção do Lucas, de 6 anos, durante a pandemia | Arquivo pessoal
Depois de quase 10 anos de espera, o administrador Luciano Soares de Souza e a esposa Fabiana Oliveiras Freitas Soares receberam a notícia de que finalmente tinha chegado a vez deles de adotar uma criança. Com poucos dias de vida, a Maria Soares Oliveira foi apresentada para o casal e hoje eles formam uma família.

A notícia de que adotariam a filha chegou durante a pandemia da covid-19. Luciano conta que, apesar da longa espera, a notícia chegou com certa surpresa. Um momento complicado para assumir um compromisso tão grande, já que ele estava desempregado na época. 

“Teve aquela comoção, misturada com angústia para saber como seria. Foi uma correria muito grande com aquela parte de mobiliar, berço, fralda, banheira, essas coisas. Tivemos uma ajuda muito grande do círculo de amizade. Em menos de três dias estávamos com tudo montado”, disse o pai adotivo.

Luciano e Fabiana são um dos poucos casais que adotaram crianças durante esse período de crise sanitária em Uberlândia. De acordo com o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Uberlândia, José Roberto Poiani, as restrições de atividades, contato pessoal e circulação de pessoas fizeram com que a média de adoções caísse até 80% no ano de 2020 na cidade.

“Uberlândia tinha uma média de adoções de 30, 40, até 50 crianças adotadas por ano. Nesse ano de pandemia, por causa dos períodos em que ficamos parados, sem poder trabalhar, apenas 10 processos de adoção foram finalizados no ano passado”, afirmou o juiz.

Ele conta que, assim como todos os demais setores da sociedade, os trâmites judiciais precisaram ser adaptados para que não ficassem completamente parados, mas que, ainda assim, aqueles processos que eram físicos, em papel, não tiveram como prosseguir, principalmente quando as restrições impostas pelas medidas de contenção da covid-19 eram mais rigorosas.

“Processos que não eram eletrônicos ainda ficaram prejudicados porque os prazos não estavam correndo. Entrevistas, as aproximações para fins de adoção ficaram prejudicadas porque eram difíceis de serem realizadas. Mas não é possível dizer que a fila de adoção aumentou, porque esse número oscila. Uberlândia tem, hoje, uma média de 200 famílias aguardando na fila de adoção”, disse Poiani.

SEM FILA
Em alguns casos específicos, a adoção não passa por essa fila de espera. A servidora pública Adriana Tomais adotou o pequeno Lucas Arthur Tomais, de 6 anos, depois que a mãe do menino morreu e ele não tinha parentes próximos, como o pai ou avós, para cuidar. O marido de Adriana é primo da mãe biológica de Lucas e o casal, que tem outros dois filhos adultos, resolveram adotar o garoto.

Apesar de não ter a necessidade de aguardar a fila de espera, mesmo esse método de adoção exige, por lei, que os pais adotivos passem por um processo de adaptação e aptidão para que recebam uma criança adotada. “O juiz nos orientou a procurar a (organização da sociedade civil) Pontes de Amor, porque ele disse que toda adoção muda a vida das pessoas. Então precisa de um apoio”, afirmou a servidora pública. 

 

PONTE DE AMOR
Em Uberlândia, o curso de preparação para pais adotivos é feito pela Pontes de Amor, uma organização da sociedade civil que existe desde 2012 em Uberlândia e trabalha em parceria com toda a rede de garantias dos direitos da criança e do adolescente. Além de trabalhar com os pais adotivos antes de receber a criança, a Pontes de Amor também faz um acompanhamento para saber como está a adaptação da criança e dos responsáveis com a nova rotina de vida e obrigações.

“O nosso trabalho é promover a convivência familiar e comunitária. Nós trabalhamos com a orientação de quem quer adotar, no acompanhamento jurídico. Temos projetos voltados para as famílias que já adotaram, o apoio às crianças e adolescentes durante o acolhimento, antes da adoção, e também depois que elas são inseridas nas famílias”, disse a presidente da instituição, Sara Vargas.

A Pontes de Amor também precisou se adaptar durante a pandemia. Todo o trabalho desenvolvido pela Pontes de Amor era feito de forma presencial. Mas, com as restrições e o retorno parcial de algumas atividades, a instituição precisou adaptar os cursos e atividades para o método online. Com isso, a instituição conseguiu dar continuidade aos processos de adoção na cidade, além de expandir para outros locais.

“Foi uma grande conquista. Nós conseguimos construir esse curso na modalidade online, com a parceria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), estando disponível para todo o Brasil. Então mais de 2.000 pessoas já fizeram o curso com a gente. Foi uma mudança que beneficiou não só Uberlândia, mas o Brasil inteiro”, finalizou Sara.

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