13/06/2021 às 09h00min - Atualizada em 13/06/2021 às 09h00min

Ração para animais de estimação teve aumento de mais de 22%

Insumos mais caros tem elevado o preço dos produtos em toda a cadeia de venda; comerciante diz tentar segurar parte dos reajustes

NILSON BRAZ
Cães acolhidos por ONG consomem mais de 25kg de ração por dia I Foto: Arquivo Pessoal

Quem tem um animal de estimação em casa, provavelmente sentiu o aumento no preço da ração. Alguns consumidores relatam aumentos recorrentes nos últimos seis meses. E esse encarecimento do produto está ligado a vários setores, afinal, toda a cadeia de produção, que envolve o preço da matéria-prima, armazenamento e transporte, foi impactada por algum aumento.
 
Quando é necessário comprar um grande volume de ração, o impacto do aumento no preço é mais perceptível ainda. A artesã Elizabeth Santana está à frente da ONG Acolhe, que trabalha no resgate e cuidado de animais abandonados. Com 85 cães acolhidos, o consumo de ração é de mais de 25kg por dia, fora o que ela gasta com os outros 14 cães e 10 gatos que ela cuida na própria casa.
 
“Eu nem parei para fazer a soma do quanto gasto, porque fico com medo. A gente, às vezes, ganha um saco de ração, de doação, compra outros dois no meu cartão, aí pego o cartão do meu filho e compro outro. Até dinheiro emprestado eu peguei nesse mês”, afirmou Elizabeth.
 
De acordo com o comerciante Ettore Rotelli Neto, que gerencia uma loja de produtos para animais de estimação, o aumento tem chegado em todos os setores. Ele conta que produtos que levam plástico, como acessórios para pets, casinhas, luvas, encareceram. Ele relata que durante a pandemia as luvas cirúrgicas tiveram um aumento muito grande. O comerciante disse que antes pagava R$ 28 em uma caixa que agora está custando R$106.
 
Com relação à ração, ele conta que os fornecedores dizem que o impacto maior está no aumento do preço do milho, que é utilizado na fabricação do produto. Ele conta que determinadas reações, que antes eram vendidas pelo valor de R$ 134,90, aumentaram para R$ 164,90. Um aumento de mais de 22% em um período de aproximadamente 6 meses.
 
“Há uns dois meses chegou a faltar ração pra comprar e eu tive que substituir porque o fornecedor estava com falta de insumos. Quando se trata de uma ração que leva mais proteína, como o frango, o aumento vem dessa carne, que também ficou mais cara porque esses animais são tratados com milho” disse o comerciante.
 
Ettore conta que é um efeito cascata. Tudo ficou mais caro. E para que isso não tenha um impacto negativo tão grande nas vendas, tenta segurar os preços o máximo possível. “Tenho tentado balancear, porque se repassar tudo deixa de vender, impacta na folha de pagamento, fica tudo muito complicado”, finalizou.
 
ALTERNATIVAS
Como forma de tentar contornar os aumentos recorrentes, os responsáveis pelos animais de estimação acabam comprando rações mais baratas, ou até mesmo complementando com alimentos caseiros. A Elizabeth, além de cuidar dos animais acolhidos pela ONG, também tenta auxiliar as pessoas que a procuram pelas redes sociais. Ela conta que muita gente, para não deixar os animais passar fome, dão a própria comida para os cães e gatos. Ou até mesmo situações mais complicadas ainda.
 
“A pessoa pede ajuda, manda fotos, pedindo para ajudar a comprar ração porque o cachorro tá passando fome. A gente chega na casa e encontra uma situação muito triste, que às vezes falta comida até para a própria família”, afirmou a voluntária.
 
AUXÍLIO
Como forma de levar conhecimento para a população sobre a alimentação dos animais de estimação, uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária (Famev) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolveu o Programa de Orientação Nutricional e Alimentar para Tutores de Animais de Estimação.
 
A iniciativa vai auxiliar a população orientando quanto à nutrição e alimentação dos animais, como cães e gatos, além de esclarecer sobre o impacto na saúde e bem-estar desses animais quando possuem uma alimentação balanceada.
 
A professora e coordenadora do programa, Janine França, explica que o mercado de alimentação para cães e gatos possui algumas segmentações que impactam nos preços e na qualidade das rações disponíveis para o consumidor. Mas que, ainda assim, todas elas são balanceadas.
 
“Com a pandemia, muito tutor sai de uma ração mais cara e compra uma mais barata. Isso vai impactar em qualidade, mas vale a gente lembrar que todas essas rações estão balanceadas. É preferível que o tutor faça essa mudança, mas que continue dando um alimento balanceado”, afirmou a professora.
 
A pesquisadora também deixa claro que, caso o responsável pelo animal resolva fazer uma alimentação caseira, natural, que isso seja feito da forma correta, com a instrução de um profissional qualificado, que possa determinar as quantidades e os tipos corretos de alimentos para cada tipo de animal. Orientação que também é necessária quando a opção é trocar de ração.
 
“Assim que as atividades presenciais forem retomadas na UFU, nós vamos atender esses tutores de forma gratuita. Vamos divulgar os dias de atendimento, vai ter agendamento e vamos tirar as dúvidas. De ração, do alimento, da quantidade, às vezes tem um animal que não está comendo, que não se adaptou a alguma mudança de ração”, finalizou a pesquisadora.


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