11/06/2021 às 15h25min - Atualizada em 11/06/2021 às 15h25min

Escolas estaduais retornam com aulas presenciais no dia 21 de junho

Decisão divide opiniões da comunidade escolar; Sindicato disse que vai recorrer da decisão

LORENA BARBOSA
Retorno será inicialmente para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I Foto: PEXELS
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou na tarde da última quinta-feira (10) que as aulas nas escolas estaduais devem retornar de forma presencial no próximo dia 21 de junho. No comunicado consta, ainda, que os profissionais da educação devem retornar às atividades presenciais na próxima segunda-feira (14).
 
Ainda segundo o comunicado, o retorno será inicialmente para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A decisão fica a cargo das famílias, que poderão ou não optar pela modalidade presencial. O aluno que não retornar para a escola seguirá o ensino de forma remota.
 
O retorno foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que observou a segurança do protocolo sanitário adotado pelo governo do Estado. No entanto, a retomada só será permitida nos municípios que estiverem na onda verde ou amarela do Plano Minas Consciente e onde a prefeitura não apresentar restrições.
 
A decisão não foi surpresa para a comunidade escolar que já vinha se preparando desde março para implementar as normas de segurança. De acordo com a diretora da Escola Estadual Alice Paes, Vania Kiomura, todos os protocolos sanitários foram rigorosamente cobrados pela Superintendência Regional de Ensino. "Houve capacitação de profissionais, recebemos verba para tapete sanitário, termômetro, máquina de sanitização. A escola está preparada" afirmou.
 
Em Uberlândia, a decisão divide opiniões entre os profissionais da educação. A professora Enicileila Gonçalves da Silva, de 54 anos, destacou que o trabalho remoto tem sido exaustivo e que o retorno de forma escalonada e segura é uma decisão acertada. "A gente não tem horário para trabalhar, tomando todos os cuidados e seguindo o protocolo de segurança, o melhor seria o retorno mesmo", disse.
 
Já a professora Patrícia Iolanda de Andrade, de 49 anos, que leciona para alunos com idades entre 6 e 11 anos, a preocupação está em como será o comportamento dos alunos no reencontro com os colegas. "A maior dificuldade vai ser controlar as crianças. Até adulto às vezes se pega dando uma abaixadinha na máscara. A criança quando vir o amiguinho vai correr e vai abraçar, vai ser difícil manter a distância no intervalo", destacou.
 
A servidora também argumenta que ainda não houve vacinação dos profissionais de educação. Para ela, o ideal seria retornar apenas quando os trabalhadores estivessem imunizados contra a covid-19. Preocupação que é compartilhada por alguns pais. A assistente administrativa Queila Aparecida tem uma filha de 11 anos e não vai aderir ao retorno presencial. A menina vai continuar estudando em casa até que a vacinação seja avançada para os profissionais da educação.
 
"Por mais que o estado ofereça todos os protocolos de segurança, é difícil para a criança que acaba emprestando o material para o colega, abraça o amiguinho", disse Queila.
 
Para a autônoma Jussara Gonçalves, mãe de duas crianças em idade escolar, a preocupação vai além dos protocolos de segurança. Ela acredita que o psicológico dos filhos está abalado por ficarem em casa todos os dias, já que a escola, além de educação, é onde a criança convive com outras pessoas fora do ambiente familiar.
 
"A gente se assustou demais, e as crianças viram que isso é verdade, que não é brincadeira. Eles cobram da gente o uso de máscaras, quando saem tomam todos os cuidados, e esses cuidados serão estendidos para o convívio com o coleguinha", afirmou.
 
ALINHAMENTO
Nesta sexta-feira (11) acontece uma reunião na Superintendência Regional de Ensino com todos os diretores e responsáveis pelas escolas para alinhar como será a volta às unidades de ensino. No encontro também serão estabelecidas as questões de grupo de risco e quais os profissionais retornarão ao trabalho presencial.
 
SINDICATO QUESTIONA
De acordo com a representante do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), Denise Romano, o comunicado foi recebido com espanto. Ela afirma que não há infraestrutura nas escolas estaduais para o retorno dos alunos e que não houve nenhuma conversa sobre como será feito o transporte escolar nos municípios.
 
A representante destacou ainda que, por causa do atraso na vacinação no estado e em todo o país, vão questionar a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) de autorizar esse retorno. "Nós do Sind-UTE vamos recorrer dessa decisão até o último recurso que for possível no poder judiciário.", disse Denise.


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