09/06/2021 às 14h25min - Atualizada em 09/06/2021 às 14h25min

Sem eventos, donos de foodtrucks se adaptam para continuar trabalhando

Sem possibilidade de manter as atividades normalmente, número de associados em Uberlândia reduziu 55%

NILSON BRAZ
Empresário do ramo de churros tinha dois pontos fixos e dois foodtrucks antes da pandemia | Arquivo pessoal
Os impactos causados pela pandemia do coronavírus vão se somando ao longo do prolongamento das restrições de circulação e funcionamento do comércio e de alguns serviços. Com a vacinação progredindo de forma lenta em todo o país, muitos setores estão se vendo em um beco sem saída. Um desses setores é o de foodtrucks, os conhecidos carrinhos e trailers que foram adaptados como cozinhas, e que eram vistos por toda parte em Uberlândia.

Os foodtrucks faziam parte das atrações de eventos que aconteciam nas praças e ambientes públicos da cidade. De acordo com a presidente da Associação Comboio de Foodtrucks de Uberlândia, Renata Gusmão, desde o início da pandemia, quando foi estabelecida a primeira medida de contenção do vírus, em março de 2020, eles estão sem trabalhar. A emissão dos alvarás da prefeitura que permitiam a realização dos eventos e as atividades dos foodtrucks foram suspensas e ainda não foram retomadas.

Dos mais de 40 associados antes da pandemia, apenas 18 permanecem ligados à associação. Renata conta que, desde então, muitos buscaram alternativas para tentar continuar mantendo essa fonte de renda. “A maioria se reinventou nas cozinhas de casa, sem os trucks. Alguns se reinventaram fazendo entrega, outros com os aplicativos de alimentação. É a forma com que eles estão se mantendo hoje, aguardando a liberação para a retomada dos eventos”, afirmou.

Mas, não foi apenas a paralisação dos eventos que impactou o setor. O empresário de Uberlândia, Alexsander Duarte, trabalha com foodtruks de churros e hambúrguer. Ele conta que antes da pandemia mantinha quatro estruturas funcionando, dois pontos fixos e dois móveis, e já estava com planejamento para expandir ainda mais o negócio. Mas, o planejamento foi frustrado e hoje o faturamento caiu para menos da metade.

“Eu tive que cancelar, ou pelo menos prorrogar, a negociação desses dois novos pontos, fechei um dos pontos fixos, que funcionava dentro de um clube, os foodtrucks ficaram praticamente parados, ficando ativo só o ponto fixo que fica dentro de um supermercado atacadista”, comentou Alexander.

Assim como a maioria dos empresários do setor, Alexander investiu em entregas por aplicativos no início da pandemia. Na tentativa de evitar as tarifas que esses meios cobram, criou um cardápio digital em que os clientes são direcionados direto para o whatsapp comercial da loja, podendo fazer as entregas por conta própria. Mas, ele conta que a expectativa é de que os eventos voltem, com segurança, para que o faturamento retorne na mesma proporção anterior à pandemia. 

“Eu fazia muita feira agropecuária, evento universitário, isso era grande parte do meu faturamento. Hoje eu tive que me adaptar a essa realidade de delivery, mas ainda assim, com todas essas adaptações, eu ganho 80% do que eu ganhava antes”, finalizou.

LADO POSITIVO

Já para o empresário Roberto Mutruyoshi Fuzinaga, a alternativa do delivery acabou sendo ainda mais vantajosa do que era antes. O trailer dele é de comida japonesa. À reportagem, ele contou que assim que pararam os eventos, procurou se reinventar. Colocou o trailer para dentro da garagem e seguiu trabalhando, mas apenas com entregas. “Para se ter uma ideia, antes, nos eventos, eu vendia uma caixa de salmão. Hoje estou vendo quase cinco. Mas, a ideia é voltar a realizar os eventos assim que puder novamente, porque é uma forma de continuar aumentando o negócio”, afirmou.

Por não ter a regulamentação para a atividade dos foodtrucks na Prefeitura de Uberlândia, os empresários não podem, simplesmente, parar em qualquer praça ou rua para vender. Por esse motivo, a associação foi criada, a fim de promover eventos e dar visibilidade para o segmento. Com a suspensão dos eventos, tanto os promovidos pela associação, quanto aqueles em que os foodtrucks participavam como convidados, a única forma de continuar trabalhando foi através do serviço de entregas.

“Não se pode comercializar nada em via pública ou praças. Isso só era possível com a promoção de eventos, em que era necessária a emissão dos alvarás, mas eram alvarás provisórios, apenas para os eventos. Não tem como tirar um alvará para ficar uma semana, ou um mês inteiro”, explicou Renata.

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