18/04/2016 às 17h13min - Atualizada em 18/04/2016 às 17h13min

Circo armado, votação encerrada, impeachment aprovado. E agora?

Com 367 votos à favor e 137 contra, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Daqui para frente, clima é de incerteza

Jefferson Moraes
Divulgação

O dia 17 de abril de 2016 era para ser lembrado como um dos dias mais importantes da história da política nacional, como um momento de seriedade, justiça e renovação. Porém, o que os brasileiros assistiram não foi nada próximo disso. Com direito à confetes, daqueles usados em festas de criança, os deputados oposicionistas ao governo de Dilma Rousseff protagonizaram um verdadeiro circo no plenário do Congresso Nacional, em Brasília (DF). A votação mais parecia um leilão de gado, um banco de apostas ou até mesmo como se fosse um bando de marmanjos assistindo um jogo de futebol, gritando e esbravejando suas opiniões.

O resultado da votação foi: 367 votos favoráveis ao impeachment, contra 137. Portanto, às 23h47 deste domingo (17), a Câmara dos Deputados aprovou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que agora será analisado pelo Senado Federal. Dos 513 deputados, apenas dois faltaram a votação, sendo que houve sete abstenções. O voto de número 342, que era a quantidade necessária para o processo ser aprovado, foi dado pelo deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) e intensamente comemorado pelos deputados contrários ao governo.

Agora pensem comigo: já imaginaram, se nossos políticos tivessem a mesma determinação para votar leis de interesse da população, como tiveram para orquestrar todo o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff? Com certeza, se a vontade de nossos representantes fosse a mesma ao longo de todo esse tempo, nosso país estaria numa situação bem diferente. Os deputados realizaram debates e a votação durante 3 dias e 2 noites. Que vontade de mudar o Brasil, não é mesmo?

Processo segue para o Senado

Agora, o Senado irá criar uma comissão especial para analisar o processo, formada por 21 senadores e 21 suplentes. Em até 48 horas, o presidente da comissão deve ser escolhido e em até 10 dias, o relator deverá apresentar um parecer validando ou não a admissibilidade do processo.

Este parecer entrará em votação dentro da própria comissão e se aprovado, irá ao plenário, para ser votado entre os senadores. Para ser aprovada a instauração do processo de impeachment, é preciso o voto de 50% dos senadores, mais um. Ao todo, existem 81 senadores.

Caso seja aprovado pelo Senado, a presidente Dilma ficará afastada por 180 dias e o vice Michel Temer assumirá. Durante esse tempo, Dilma pode se defender. Novamente, a comissão irá avaliar a defesa da presidente e levar a julgamento. Para que Dilma seja definitivamente impedida, é preciso que 54, dos 81 senadores, aprovem o impeachment.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) irá decidir o tempo que leva cada uma dessas etapas.

Repercussão da votação na mídia internacional

O jornal The Guardian, do Reino Unido, afirmou que Dilma foi derrotada por um “congresso hostil e manchado por corrupção”. O The New York Times, dos Estados Unidos, citou Eduardo Cunha, dizendo que o presidente da Câmara usou contas na Suíça para “esconder milhões de dólares em propina”.

O El País, da Espanha, ironizou o fato da maioria dos deputados usarem “Deus” como suas justificativas de voto. O La Nación, da Argentina, disse que a votação teve “um cenário mais próprio a um campo de futebol do que a um dos momentos mais importantes da história”.

O Le Monde, da França, destacou que os deputados usaram o tempo para se promover. “Cada um dos 511 deputados presentes se beneficiou de seus 10 segundos de palavra para deixar sua marca nessa sessão histórica transmitida ao vivo”.

Deputados do Triângulo Mineiro

O Triângulo Mineiro está representado por oito deputados, sendo que seis deles votaram a favor do impeachment e dois, contra. Adelmo Carneiro (PT) e Aelton Freitas (PR) foram contra o prosseguimento do impedimento. A favor do processo, foram: Caio Nárcio (PSDB), Odelmo Leão (PP), Tenente Lúcio (PSB), Weliton Prado (PMB) e Zé Silva (SDD).

Eduardo Cunha: réu na presidência da Câmara

Pois é, o presidente da Câmara dos Deputados é o principal responsável pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é réu em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de recebimento de propina e lavagem de dinheiro. A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República, que pediu seu afastamento, que ainda não foi analisado pelo STF.

E agora, Dilma?

Segundo o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, a presidente Dilma não “se curvará” e continuará lutando “com suas forças para demonstrar à sociedade que não se abre mão da democracia que foi tão duramente conquistada”.

Manifestações em todo o Brasil

Em todo o país, manifestantes foram às ruas, com camisetas do Brasil, faixas, cartazes e outros adereços, para expressar suas posições políticas e sociais. As maiores concentrações aconteceram em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Em Uberlândia, os manifestantes ocuparam as praças Sérgio Pacheco e Tubal Vilela.

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