01/06/2021 às 19h09min - Atualizada em 01/06/2021 às 19h09min

Polícia Civil prende oito pessoas pela morte de um casal no antigo Glória

Uma das vítimas estava envolvida em um feminicídio e outra não tinha qualquer ligação com o crime

NILSON BRAZ
Perícia mostrou a presença de grande quantidade de sangue humano no local utilizado em um dos crimes | Divulgação/Polícia Civil
A Polícia Civil de Uberlândia apresentou nesta terça-feira (1º) o trabalho de investigação de três homicídios que aconteceram em novembro do ano passado, em que um homem e duas mulheres foram assassinados. O trabalho de inteligência da Polícia chegou a oito pessoas nas cidades de Uberlândia, Tupaciguara, Planaltina, no Distrito Federal, e Jaranápolis, no interior do estado de Goiás, que foram indiciados por um dos crimes. 

De acordo com as investigações, a primeira morte, que aconteceu no dia 14 de novembro de 2020, foi motivada por uma briga de casal. Maria Tereza Rocha Cunha, de 43 anos, foi morta pelo ex-marido Anderson Vinicius Souza Silva, de 34. O corpo da mulher foi encontrado 10 dias depois enterrado às margens da rodovia Neuza Rezende, em Uberlândia. O crime foi caracterizado como um feminicídio.



De acordo com o delegado chefe da Polícia Civil de Uberlândia, Marcos de Brito Brandão, os filhos da Maria Tereza, inconformados com o assassinato da mãe, buscaram uma maneira de se vingar do ex-padrasto. A investigação também apontou que Anderson teria envolvimento com o tráfico de drogas na cidade. Os filhos de Maria Tereza e o dono de um bar, que fica no bairro Élisson Pietro, a antiga ocupação do assentamento Glória, teriam armado uma emboscada para Anderson, com o auxílio de outras pessoas que teriam desacordos ligados ao tráfico de drogas com Anderson.

Durante a emboscada, no dia 19 de novembro, Anderson e a então namorada dele, Cristiane Gomes Ribeiro, foram mortos dentro do bar e os corpos foram abandonados às margens da rodovia BR-365, sentido Patrocínio, e só foram encontrados mais de cinco meses depois, no início de maio. De acordo com a Polícia, Cristiane não tinha nenhum envolvimento com outros crimes.

“A Cristiane não tinha, absolutamente, nada a ver com a história. É o que nós chamamos de vítima inocente. Era uma pessoa que não tinha qualquer envolvimento com o crime. Ela estava no lugar errado, na hora errada”, afirmou o delegado Marcos Tadeu.

Os envolvidos no crime têm idades entre 21 e 49 anos. Um deles, identificado como Wesley Cardoso Gomes da Silva, mais conhecido como Morcego, de 32 anos, foi encontrado morto em Janeiro de 2020. A informação levantada pela Polícia Civil é de que ele foi sequestrado e morto por uma facção criminosa da qual Anderson fazia parte. O assassinato teria sido o motivo da execução. Este crime ainda segue em investigação.



PLANEJAMENTO

De acordo com a polícia, todas as pessoas envolvidas tinham funções específicas no assassinato de Anderson. Uma pessoa ficou responsável por aumentar o volume da música em um carro que estava estacionado na porta, a fim de disfarçar o barulho dos tiros. O dono do bar garantiu que Anderson se sentaria de costas para a porta, para não perceber a chegada dos executores, outros ficaram de tocaia e os filhos de Maria Tereza ficaram responsáveis por matar e se livrar do corpo de Anderson.

Para a Polícia, os filhos de Maria Tereza não sabiam da presença de Cristiane, já que a mulher teria ido ao banheiro no momento em que chegou ao bar. Quando avisados da chegada de Anderson, os irmãos entraram no local armados e atiraram na vítima. Ainda de acordo com a Polícia, outros envolvidos arrombaram a porta do banheiro e mataram Cristiane a facadas.

INVESTIGAÇÃO

Nos levantamentos feitos pelos investigadores, foi constatado que no dia em que os familiares de Anderson e Cristiane registraram o desaparecimento do casal, a Polícia Militar foi acionada por moradores do bairro Élisson Pietro, após terem ouvido tiros no bar onde aconteceu o crime, mas os militares não chegaram a entrar no local porque já estava fechado e não encontraram nada suspeito.

No entanto, com a autorização de um mandado de busca e apreensão, foi feita uma perícia no bar, que confirmou que uma grande quantidade de sangue humano tinha sido lavada do local, além de projéteis de arma de fogo que também foram encontrados.

A Polícia conseguiu levantar os locais onde os envolvidos poderiam estar e conseguiram prender todos os oito, com a exceção de Wesley da Silva, que tinha sido morto meses antes. Ainda de acordo com os investigadores, os principais envolvidos confessaram o crime.

“Eles foram indiciados por homicídio, homicídio qualificado e fraude processual. A priori foi pedida a prisão temporária deles e, consequentemente, houve a conversão da prisão em preventiva. Nós conseguimos isso porque conseguimos sensibilizar o poder judiciário e Ministério Público em razão do vasto lastro indiciário que os nossos policiais juntaram ao inquérito policial”, finalizou o delegado.

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