29/05/2021 às 08h00min - Atualizada em 29/05/2021 às 08h00min

Variante indiana deve gerar terceira onda e agravar pandemia em Uberlândia

Alerta é de pesquisador da Fiocruz; Comitê manterá atividades econômicas na cidade, embora admita rever decisão se houver aumento de casos e mortes pela doença

FERNANDO NATÁLIO
Apesar do alerta, infectologista considera que a pandemia está estável na cidade I Foto: Rubia Cely/Funed
A presença da variante indiana do coronavírus no Brasil deve provocar uma terceira onda da covid-19 no país, gerando aumento considerável na transmissão da doença nos estados e municípios brasileiros nas próximas semanas novamente, inclusive em Uberlândia. O alerta é do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e colaborador do Laboratório de Alergia e Imunologia Clínica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Rafael Resende.

Apesar dessa previsão de iminente aumento dos números de casos e mortes em decorrência da doença, o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 na cidade ainda não irá restringir as atividades econômicas da cidade, embora integrantes do Comitê tenham afirmado que estão observando os dados locais da pandemia e, se houver piora, poderão voltar a reduzir horários de funcionamentos de setores, como o de bares.

Segundo o pesquisador da Fiocruz, ainda não é possível saber quão grave será esta terceira onda. “Mas é óbvio que haverá aumento dos números da pandemia nas próximas semanas. O Brasil não fez a contenção correta desta nova variante, que já se mostrou mais transmissível que as outras, então, com ela, a situação vai se agravar. Além disso, as pessoas estão saindo às ruas como se não estivéssemos em pandemia. Elas não priorizam os serviços essenciais. Tudo isso contribui para esta alta de casos e mortes”, analisou.

Ainda segundo Rafael Resende, os números de Uberlândia já são preocupantes. “Já vemos aumento dos leitos ocupados, o que mostra tendência de retorno do agravamento da doença”, apontou. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde nesta quinta-feira (27), a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados à Covid na rede municipal continua acima de 80% (está em 84%), assim como o percentual de ocupação geral dos leitos de UTI na rede municipal (89%).

Apesar desta elevação, o infectologista Marcelo Simão, do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid em Uberlândia, considera que a pandemia está estável na cidade. Para ele, os aumentos nos números relacionados à doença na cidade eram esperados devido à retomada gradual das atividades econômicas e ainda não justificam retomada de restrições. “A média das mortes está estável. E a demanda nas UAIs aumentou, mas não estamos com acúmulo de pacientes esperando. O que temos não é um começo de terceira onda, mas, sim, variações da segunda onda, que ainda não terminou”, considerou.
 
ALERTA DO COMITÊ
Apesar de não considerar necessário reduzir a flexibilização do funcionamento das atividades na cidade neste momento, o infectologista afirmou que o Comitê Municipal está observando os números da pandemia no município. “Se houver piora, o Comitê adotará medidas. O problema não está no comércio, que está aberto, mas funcionando de forma responsável. O que causa a piora da pandemia é a desobediência das pessoas. São casos como o que vimos na Praça da Bicota no início desta semana, quando cerca de 200 pessoas sem máscaras estavam em estabelecimentos que foram interditados pelo Procon”, apontou.

Para Marcelo Simão, casos como esse mostram que o maior problema no controle da pandemia está nos bares e nas festas clandestinas. “Se continuar aumentando o número de casos, podemos reduzir o horário de funcionamento dos bares das 23h para 20h. Vamos continuar observando. As pessoas têm que colaborar e evitar o desrespeito às regras de segurança para evitar a disseminação do vírus”, afirmou.
 
AGLOMERAÇÕES
Integrante do Comitê, o promotor de Justiça de Defesa da Saúde, Lúcio Flávio de Faria e Silva, também pediu a ajuda da população para que evite aglomerações em bares e festas clandestinas e, consequentemente, o aumento da transmissão da doença em Uberlândia.

“Nós flexibilizamos o funcionamento das atividades econômicas porque tentamos sempre equilibrar saúde e economia, pois são ambos são importantes. Mas têm pessoas que não cooperam. Quando você passa na avenida Rondon Pacheco, vê os bares situados na via lotados. Na Praça da Bicota ocorre a mesma situação. Em um forró no Novo Mundo, nos últimos dias, tinham aglomeração. Assim não tem jeito”, observou. “Não queremos fechar o comércio, mas, nas próximas semanas, se houver aumentos, pode ser que não tenhamos opção. Estamos analisando os números da pandemia em Uberlândia diariamente. Na próxima terça feira (1° de junho) pode ser que tenha um índice mais acentuado e seja necessária alguma modificação”, completou o promotor.


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