18/05/2021 às 15h00min - Atualizada em 18/05/2021 às 15h00min

Uberlândia tem aumento de 35% no número de casos de estupro de vulnerável

Polícia Civil depende de um núcleo da UFU para conseguir mais informações para investigações de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes

NILSON BRAZ
Uberlândia registrou, de janeiro a abril de 2021, 34 casos de estupro de vulnerável I Foto: Arquivo/Agência Brasil
Uberlândia registrou, de janeiro a abril de 2021, 34 casos de estupro de vulnerável. Este número é 35% maior do que os 22 registrados em igual período do ano passado. O índice também corresponde a metade do total de casos do ano de 2020 (68). O estupro de vulnerável equivale, em média, a 75% de todos os crimes cometidos contra crianças e adolescentes na cidade. Os dados são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
 
Em Uberlândia, o Instituto Carrossel trabalha desde 2007 na prevenção e conscientização sobre a pedofilia e a exploração sexual de crianças e adolescentes. De acordo com a presidente do instituto, Danusa Ferreira Biasi, este número pode ser ainda maior, já que a Polícia Militar é apenas um dos órgãos utilizados para denúncias dessa natureza.
 
“Existem denúncias no Conselho Tutelar, nas delegacias especializadas, no Ministério Público, nas polícias Civil, Militar e Federal, no Disque 100. Não existe uma rede, que junte todos esses dados para mostrar de fato quantas crianças sofrem abuso em Uberlândia”, afirmou Danusa.
 
Outro problema ligado à proteção da Criança e do Adolescente está na falta de uma equipe especializada da Polícia Civil para trabalhar na investigação dos casos que são encaminhados para a corporação. Desde 2018 foi determinada a utilização dos mecanismos de Escuta Especializada e Depoimento Especial para toda criança ou adolescente, assim como testemunhas ou vítimas de violência, principalmente a sexual.
 
Mas, a realidade está longe de ser a ideal para que os casos sejam investigados e finalizados de maneira mais rápida. “Nós não temos condições de realizar a oitiva das vítimas. A lei exige a escuta especializada, que não acontece no nosso município por causa da ausência dos profissionais para isso”, afirmou a delegada Lia Valechi.
 
A delegacia especializada para o atendimento a crianças e adolescentes é responsável tanto por casos em que os menores são vítimas, assim como quando são infratores. A delegada Lia Valechi é a responsável pelo atendimento às vítimas. Ela conta que o atendimento especializado acontece com o auxílio do Núcleo de Atenção Integral a Vítimas de Agressão Sexual do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (Nuavidas/HC-UFU).
 
“Eles fazem um relatório da autuação, que pode ser disponibilizado para a família. A gente solicita aos familiares que nos tragam esses relatórios para que a gente possa ter um mínimo de informações que foram fornecidas pela vítima. Aí o caminho é iniciar a investigação a partir das provas que nos são apresentadas”, disse a delegada.
 
O Nuavidas conta com equipes multidisciplinares, compostas por pediatras, assistentes sociais, psicólogos, ginecologistas, enfermeiros e advogados, que, além da escuta especializada, oferecem apoio e atendimento humanizado a vítimas de violência sexual que são atendidas no Hospital de Clínicas.
 
COMBATE E CONSCIENTIZAÇÃO
Na tentativa de chamar a atenção da população para a importância de buscar informação e conscientização no combate à violência sexual contra menores de idade, o Instituto Carrossel promoverá uma carreata em Uberlândia. A ação vai acontecer nesta terça-feira (18), data marcada em todo o país como o Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A carreata terá o Parque do Sabiá como ponto de partida, às 19h e percorrerá as ruas da cidade até às 20h.
 
A presidente do Instituto Carrossel disse que sempre fizeram, em outro anos, passeatas, palestras, eventos em escolas, para promover a conscientização da necessidade de se falar no assunto, para prevenir este tipo de violência. Mas, com a pandemia, estes trabalhos, principalmente no ambiente escolar, tiveram que parar. A alternativa foi promover a carreata, de forma a chamar atenção para o tema.
 
“Resolvemos fazer este movimento para alertar a população. Porque não falar sobre o assunto, fingir que não existe, você não está protegendo a criança. Você está protegendo o pedófilo. As pessoas precisam se informar sobre como uma criança reage, como é o comportamento de um pedófilo”, afirmou Danusa Biasi.
 
Mais informações sobre o Instituto Carrossel podem ser obtidas pelo telefone (34) 9 8427-1929 ou ainda pelas redes sociais “Instituto Carrossel” no Facebook e Instagram.


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