05/05/2021 às 08h33min - Atualizada em 05/05/2021 às 08h33min

Abril registra 140% mais queimadas do que mesmo período de 2020

Foram computados 141 incêndios em vegetações e lotes vagos; pneumologista fala sobre problemas de saúde que podem ser acarretados

BRUNA MERLIN

O tempo seco, que mal começou em Uberlândia, já está gerando preocupações devido ao alto número de queimadas registradas na cidade. No mês de abril deste ano, foram computados 141 incêndios em vegetações e lotes vagos, sendo 140% a mais do que a quantidade registrada no mesmo período de 2020.

 

Segundo dados do Corpo de Bombeiros, nos primeiros quatro meses de 2021 os militares controlaram 231 incêndios que aconteceram em vegetações na zona rural ou em lotes vagos na zona urbana. Em contrapartida, no mesmo período do ano passado, foram registradas 104 queimadas.

 

Confira abaixo os dados de cada mês em 2020 e 2021:

 
 

2020

2021

Janeiro

7

37

Fevereiro

4

16

Março

35

37

Abril

58

141

 

Conforme dito pelo capitão do Corpo de Bombeiros, Haendell, neste ano, a seca chegou mais cedo do que o esperado devido às poucas chuvas registradas no município, principalmente durante os meses de março e abril. Além disso, a cidade teve altas temperaturas que não são comumente previstas para o período.

 

“Com o tempo seco e as altas temperaturas, a vegetação fica propícia para incêndios. Isso preocupa muito porque ainda estamos no início do ano e a situação já está crítica”, destacou.

 

A interferência humana também auxilia no aumento de queimadas na região. O capitão revelou que 63% dos registros se tratam de incêndios em lotes vagos. “Os proprietários de lotes preferem atear fogo do que limpar e capinar. Então, combinando o lixo em lotes com a seca que chegou mais cedo, a incidência de queimadas aumentou”, complementou.

 

E a preocupação com o futuro é grande. O militar acredita que a situação será ainda pior nos próximos meses, especialmente com a chegada da estiagem que começa no mês de agosto. “Os piores meses de queimadas acontecem no segundo semestre do ano. Mas, se já estamos vendo isso agora, imagina quando os meses de agosto e setembro chegarem”, disse.

 

Outra preocupação é com a pandemia do novo coronavírus. Em razão das restrições e do distanciamento social, os trabalhos de combate ao fogo e também de treinamentos ficaram mais complicados. De acordo com o capitão Haendell, as equipes estão menores e isso prejudica as ações preventivas e também de combate. 

 

Para tentar melhorar a situação, o Corpo de Bombeiros já iniciou uma operação para fiscalizar lotes vagos da cidade. Os militares estão percorrendo diversas regiões e monitorando lotes. Caso o local esteja irregular sem a devida limpeza, um boletim será emitido à Prefeitura de Uberlândia ou ao Ministério Público que ficarão encarregados de aplicar autuações aos proprietários. 

 

“É uma medida para diminuir essas ocorrências de queimadas irregulares para que nos próximos meses não haja piora do cenário”, finalizou o militar. 

 

SAÚDE

O tempo seco e as queimadas também acendem o alerta para a saúde. Segundo a pneumologista Adriana Castro de Carvalho, o período é propício para surgir ou piorar doenças e alergias. 

 

“A inalação das substâncias nocivas, como poeira, fumaça e fuligem, ocasiona no desenvolvimento de doenças como asma e rinite alérgica. Além disso, quem tem predisposição alérgica, pode ter mais infecções”, explicou.

 

A situação também se torna mais preocupante devido à Covid-19 já que é uma doença que afeta o sistema respiratório. Conforme afirmado pela médica, para as pessoas que estão se recuperando da enfermidade pode ser ainda mais difícil com o tempo seco e o acúmulo de fumaça e fuligem que fica no ar. 

 

Por fim, a pneumologista deu dicas de como despistar as doenças que podem piorar com o período. É necessário tomar muita água e continuar praticando exercícios físicos, de preferência em ambientes abertos. Além disso, manter uma alimentação saudável também é importante.

Para umidificar o ar de algum ambiente da casa, as pessoas podem investir em umidificadores. Adriana também recomenda que a população siga utilizando a máscara de proteção individual em ambientes públicos pois, além de prevenir contra a Covid-19, ela também previne contra outras doenças relacionadas ao tempo seco. 



 

 
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