15/04/2021 às 12h05min - Atualizada em 15/04/2021 às 12h05min

Profissionais da saúde demonstram indignação por falta de vacinação para a categoria

Mesmo cadastrados, trabalhadores ainda não receberam o imunizante e questionam estratégias do Município; profissionais do HC-UFU protestam reivindicando a vacina

BRUNA MERLIN
Profissionais do HC-UFU realizaram um ato público reivindicando a vacinação | Foto: Divulgação

Há quase três meses da primeira aplicação da vacina contra a Covid-19 em Uberlândia, diversos profissionais da saúde ainda não foram imunizados. A categoria demonstra indignação com a situação e questiona as estratégias utilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
 

De acordo com o Plano de Vacinação da SMS, os profissionais da saúde fazem parte da primeira fase do grupo prioritário junto aos idosos com 75 anos ou mais, idosos com mais de 60 anos que moram em asilos, indígenas e acamados. Contudo, o plano já avançou para a segunda etapa do grupo prioritário sem conclusão da primeira, já que muitos trabalhadores da saúde ainda não foram imunizados.
 

É o caso do técnico de laboratório Reginaldo José de Faria, de 49 anos. Atualmente, ele atua no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e tem contato direto com pessoas contaminadas pela enfermidade. “Todos os dias coleto amostras de pacientes com sintomas da Covid-19. Todos os dias tenho contato com pessoas que estão contaminadas”, explicou.
 

Reginaldo foi um dos primeiros a realizar o cadastro para receber a vacina, mas ainda não foi chamado. Segundo ele, diversos colegas do setor em que trabalha já foram acionados e muitos já receberam até a segunda dose. 
 

Além do medo de ser contaminado pela doença, o técnico também se preocupa com a possibilidade de transmitir o vírus para outras pessoas, principalmente, para os pacientes do Hospital do Câncer, onde ele também trabalha. “São pessoas vulneráveis e os cuidados devem ser muito maiores. Tenho medo de ser o responsável por algum contágio”, ressaltou. 
 

A indignação com a situação também acomete a técnica de enfermagem do HC-UFU, Laryssa Paula Santos, de 29 anos. Ela se cadastrou no sistema para receber a vacina há quase um mês, mas ainda não foi chamada.
 

“Tenho contato direto com pacientes internados por Covid. Todos os dias, rezo para que eu não seja contaminada por medo de levar essa doença até minha família, principalmente, para minhas filhas, sendo uma de seis meses e outra de cinco anos de idade”, destacou.
 

Para a profissional, falta organização por parte do Município em gerenciar a aplicação das doses. “É muita falta de respeito isso que eles estão fazendo. Sabemos que as doses que chegam aqui são poucas, mas estamos sendo deixados de lado. E se não tiver profissional de saúde, se ficarmos doentes, quem vai cuidar dos pacientes? Outro questionamento é: se começou a primeira etapa porque não concluiu ela para depois iniciar outra”, acrescentou.
 

VACINÔMETRO

Conforme divulgado na última atualização do Vacinômetro de Uberlândia, na manhã desta quinta-feira (15), já foram aplicadas 116.233 doses da vacina contra a Covid-19. O sistema mostra ainda que 12.857 profissionais da saúde receberam a primeira dose e 8.022 receberam a segunda dose do imunizante. 
 

Com base nos dados do Vacinômetro e nos relatos dos profissionais da saúde, o Diário de Uberlândia fez um levantamento com diversos hospitais da cidade para saber quantos trabalhadores das unidades foram imunizados e quantos ainda esperam pela vacinação. 
 

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Técnico (Sintet-UFU), o Hospital de Clínicas da UFU tem 289 profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, e outros, que ainda não foram vacinados, mesmo que já estejam cadastrados no sistema de vacinação. 
 

No Hospital Santa Genoveva 68% do corpo de enfermeiros, técnicos e auxiliares já receberam a segunda dose da vacina. Em relação a outros funcionários de apoio, como os responsáveis pela higienização e manutenção, somente 5% estão imunizados. Já em relação aos profissionais administrativos do local, 18% estão vacinados.
 

Os profissionais do UMC estão seguindo a convocação da Prefeitura e, segundo os dados repassados pela administração do hospital, os profissionais que têm contato direto com pacientes foram quase todos vacinados. Os trabalhadores das demais áreas da unidade, como maqueiros e equipe de limpeza, somente 40% foram imunizados. 
 

Por outro lado, a equipe de profissionais do Hospital Triângulo, que inclui médicos, técnicos, auxiliares e enfermeiros, está 100% imunizada contra a Covid-19. 
 

No Madrecor, 100% da equipe médica e de enfermagem já foi vacinada, inclusive com a segunda dose do imunizante. Contudo, os demais profissionais de assistência e administração ainda não foram chamados. 
 

A reportagem também entrou em contato com os hospitais Santa Marta e Santa Clara, mas até a publicação desta matéria os dados não foram repassados. 
 

ATO PÚBLICO

Na manhã desta quarta-feira (14), profissionais do HC-UFU realizaram um ato público reivindicando a vacinação daqueles que ainda não foram chamados. A ação foi mobilizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico (Sintet-UFU) e aconteceu no saguão principal da unidade. 
 

Em nota, o Sintet ressaltou que a Prefeitura de Uberlândia tem ignorado as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS) e desprezado as reivindicações dos profissionais que não foram vacinados. Desde o início da vacinação na cidade, a categoria já realizou diversas campanhas e três atos pela imunização dos profissionais. 
 

“É inadmissível que continuemos perdendo vidas de profissionais do HC-UFU que estão na linha de frente do combate à pandemia”, reforçou o sindicato. 
 

QUESTIONAMENTOS

O Diário de Uberlândia procurou a Prefeitura de Uberlândia e solicitou uma entrevista com o representante da Secretaria Municipal de Saúde para esclarecer sobre os questionamentos dos profissionais de saúde que ainda não foram imunizados e também sobre as estratégias adotadas durante o Plano de Vacinação, em relação ao início da segunda fase de vacinação sem a conclusão da primeira. Entretanto, o Município não deu retorno sobre a possibilidade de entrevista.
 

Sendo assim, a reportagem solicitou então uma nota de posicionamento sobre os questionamentos, mas até o encerramento desta edição também não houve retorno. 



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