18/03/2021 às 18h30min - Atualizada em 18/03/2021 às 18h30min

Secretário admite aglomerações nos terminais e não aponta soluções para o transporte coletivo

Chefe da pasta também disse que, durante a pandemia, a redução do número de ônibus sempre foi menor que a diminuição da quantidade de passageiros

FERNANDO NATÁLIO
O secretário municipal de Trânsito e Transportes, Divonei Gonçalves, foi à Câmara Municipal de Uberlândia, como convidado, nesta quinta-feira (18), prestar esclarecimentos sobre a greve dos trabalhadores do transporte público na cidade, iniciada no dia 11 de março.
 
Ao ocupar a tribuna do Legislativo municipal, o chefe da pasta disse que, durante a pandemia, a redução do número de ônibus sempre foi menor que a diminuição da quantidade de passageiros, mas admitiu que aglomerações têm ocorrido nos ônibus e nos terminais em horários de pico pela manhã e ao anoitecer. O secretário, no entanto, não apresentou soluções para esse e outros problemas apontados pelos vereadores.
 
Durante a explanação, Divonei Gonçalves lembrou que, antes da pandemia, o sistema operava com cerca de 3,6 milhões de passageiros e, hoje, esse número é de 1,6 milhão, ou seja, dois milhões de passageiros a menos. “A redução de passageiros, em alguns momentos da pandemia, chegou a 80%, mas os custos das empresas não diminuíram, são fixos, com os ônibus, com os funcionários”, afirmou.
 
Ainda de acordo com o secretário, essa redução de passageiros impacta no custo da tarifa e na queda da receita das empresas. Por isso, ainda conforme Divonei Gonçalves, houve um repasse da Prefeitura de Uberlândia às três concessionárias de transporte público do município, de R$ 25 milhões, no ano passado.
 
O recurso para cobrir déficit de arrecadação das empresas durante o período da pandemia foi estabelecido, em agosto de 2020, por meio de conciliação no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) 2º Grau, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). “Não demos dinheiro para empresas de ônibus e nunca vamos dar, mas esse aporte de recursos foi necessário para bancar os custos e garantir o transporte coletivo naquele momento”, explicou.
 
QUESTIONAMENTOS
Na Câmara, o secretário Divonei Gonçalves também foi questionado sobre uma série de outros problemas no transporte público de Uberlândia, mas não respondeu a várias perguntas e deixou a tribuna sem dizer quais são as soluções para o setor.
 
A vereadora Dandara (PT) mencionou a falta de sanitização nos ônibus durante este período de pandemia do coronavírus. “Ouvi de funcionários do transporte público que os ônibus não são sanitizados. Outros funcionários disseram que têm empregados que tiveram que ir trabalhar mesmo estando com Covid. Vários foram a óbito. Quais são as soluções para esses problemas? Não dá para vir aqui, relatar, lavar as mãos e não apresentar propostas”, afirmou.
 
A vereadora Cláudia Guerra (PDT) cobrou que a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran) apresente os balancetes das empresas concessionárias. “Precisa ter transparência”, disse. Cobrança semelhante foi feita pelo vereador Fabão (Pros). “Precisamos do balanço contábil dos últimos 10 anos para saber quanto as empresas ganharam nos anos anteriores. Não podemos ficar sem ter conhecimento dessas informações”, afirmou.
 
E os vereadores Amanda Gondim (PDT), Murilo Ferreira (Rede) e Liza Prado (MDB) também cobraram do secretário soluções para os problemas do transporte público, como a greve atual dos trabalhadores do setor que reivindicam melhores condições de atuação e o não parcelamento de seus salários, a superlotação dos ônibus, as aglomerações, a falta de álcool em gel nos veículos e as condições precárias de alguns ônibus utilizados no transporte dos passageiros.
 

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