05/03/2021 às 13h15min - Atualizada em 05/03/2021 às 13h15min

Diferença salarial entre homens e mulheres ainda é realidade em Uberlândia

Dados mostram que mulheres seguem ganhando menos, mesmo ocupando os mesmos cargos que homens; live debate tema nesta sexta-feira (5)

IGOR MARTINS

Apesar do aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho, a diferença salarial entre trabalhadores do sexo masculino e feminino continua sendo evidente e significativa. É isso o que aponta um compilado de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Centro de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (CEPES/UFU).

Um levantamento feito pelo CEPES aponta que, nas 20 principais ocupações de trabalhadores com ensino médio e superior completos, as mulheres têm remuneração menor em 19. O único cargo onde as trabalhadoras possuem salário maior é o de operador de telemarketing ativo e receptivo.

A diferença média salarial dos mesmos cargos para as ocupações de ensino médio entre homens e mulheres é de R$ 346,66 a menos para as pessoas do sexo feminino. A diferença é ainda maior para ocupações comuns para trabalhadores com ensino superior, com as mulheres chegando a receber R$ 1.388 a menos que os homens. Confira abaixo a lista completa:






TAXA DE DESOCUPAÇÃO

Além disso, uma pesquisa feita pelo CEPES, a partir de dados do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, apresentou dados censitários do trabalho por sexo em Uberlândia. O levantamento foi feito em 2010, uma vez que o IBGE precisou adiar o Censo de 2020, em função da pandemia da Covid-19.

Os dados apontam que a taxa de desocupação no período era de 7,14% entre as mulheres e 3,16% para os homens. Na época, o grau de formalização dos ocupados era de 69,85% para mulheres e 72,69% para os homens. Por fim, o levantamento mostrou também que a porcentagem de ocupados com rendimento de até um salário mínimo entre mulheres era de 13,65 e 3,91 para os homens.

Dados do IBGE, computados entre 2012 e 2020, apontam ainda que a taxa de desemprego no Brasil é, historicamente, maior entre as mulheres. De acordo com o levantamento, o índice de desemprego nacional ficou abaixo do índice de desemprego entre pessoas do sexo feminino em todos os anos analisados.

Outro levantamento diz respeito à taxa de desemprego no Brasil. Conforme estudado pelo IBGE, o maior índice de desemprego no país é de mulheres que se autodeclararam pretas, seguida de mulheres pardas.

 
VÍNCULOS EMPREGATÍCIOS

Com relação aos vínculos empregatícios distribuídos em Uberlândia, os homens levam ampla vantagem nos mais diversos setores das atividades econômicas. Segundo o CEPES/UFU, entre 2010 e 2019 os trabalhadores do sexo masculino foram mais empregados do que as mulheres. Confira os números abaixo:

Entretanto, é possível ver um crescimento na presença das mulheres no mercado de trabalho na cidade. Em 2002, por exemplo, os homens representavam 63% do corpo de trabalhadores de empresas dos ramos de extrativa mineral, indústria de transformação, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária. Já em 2019, o número caiu para 55,1%, com as mulheres ganhando uma presença média de 7,9%. Os dados apontam que as mulheres já possuem mais presença do que os homens no setor de serviços e da administração pública. Veja abaixo:


CARGOS DE GERÊNCIA
A distribuição percentual de homens e mulheres em cargos de direção e gerência em Uberlândia também mostrou grandes diferenças na quantidade de contratações. O único grupo onde as trabalhadoras estão mais presentes são em empresas de serviços de educação, saúde ou de serviços culturais. Confira abaixo:

 
LIVE
Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI/UFU) fará uma live nesta sexta-feira (5), às 18h30, para apresentar o tema à população. Segundo a economista do CEPES/UFU Alanna Santos, o evento tem como objetivo evidenciar a desigualdade de gênero dentro do mercado de trabalho.

Em conversa com o Diário, a economista afirmou que haverá uma mesa de relatos com convidadas, que vão contar como a pandemia da Covid-19 afetou o trabalho produtivo e os afazeres domésticos.

“Muitas mulheres passaram para o formato home office e isso influenciou a dinâmica do trabalho. Teremos o relato de uma enfermeira que atua na linha de frente. Ela vai relatar todos os cuidados que ela precisou adicionar durante esse período. O trabalho produtivo ficou muito complicado por conta da pandemia, e isso, geralmente, cai muito em cima das mulheres”, detalhou Alanna Santos.

A live será transmitida diretamente pelo YouTube do IERI/UFU
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