20/02/2021 às 07h57min - Atualizada em 20/02/2021 às 07h57min

Aumento da pandemia provoca falta de UTIs Covid em Uberlândia

Hospitais tiveram que adaptar leitos de enfermaria e de UTIs destinadas para outras doenças para receber pacientes com coronavírus em estado grave

FERNANDO NATÁLIO
Taxa de ocupação dos leitos destinados à covid-19 na rede municipal é de 95% I Foto: Valter de Paula/Secom/PMU
O agravamento da pandemia do coronavírus em Uberlândia, neste mês de fevereiro, resultou na falta, nesta semana e na última, de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) destinadas exclusivamente para pacientes com Covid-19 em estado grave nos hospitais das redes pública e privada da cidade. Com a ocupação total deste tipo de leito, as unidades hospitalares da cidade tiveram que adaptar leitos de UTIs para tratar outras doenças e até de enfermaria, transformando-os em unidades semi-intensivas, para receber os pacientes com coronavírus em estado grave que aguardavam vagas nas UTIs Covid, segundo dois médicos que atuam nas redes pública e privada de saúde em Uberlândia.

De acordo com o cardiologista e intensivista Rodrigo Penha de Almeida, que trabalha em dois hospitais particulares e um hospital público na cidade, a situação piorou muito na última semana. “Os hospitais tiveram que isolar UTIs normais para receber pacientes com Covid que precisavam de cuidados mais intensivos. Todos os hospitais de Uberlândia receberam mais pacientes que imaginavam. Tivemos que fazer adaptações para possibilitar esses atendimentos”, explicou.

Ainda conforme o cardiologista e intensivista, o cenário atual da saúde em Uberlândia, com recorde de mortes diárias em decorrência da Covid e lotação de leitos de UTI como consequência do aumento da pandemia, é o pior que ele já viu em seus 15 anos de atuação na área. “Nunca vi uma situação assim, com tantos casos graves de uma vez”, afirmou. “E é preciso lembrar que o paciente com covid demora para ter alta. Leva, em média, três semanas para isso ocorrer. Tem paciente que fica até dois meses internado. Então, é uma situação que demora um pouco para melhorar”, pontuou.

O médico cardiologista João Lucas O´Connell, que também atua em hospitais particulares e um hospital público de Uberlândia disse que todas as unidades hospitalares da cidade estão, hoje, com mais de 95% de ocupação nas UTIs Covid. O´Connell afirmou também que, nos últimos dias, os hospitais da cidade tiveram que adaptar leitos de enfermaria, transformando-os em unidades semi-intensiva, para evitar que pacientes com coronavírus em estado grave viessem a óbito por falta de UTIs.

“Eram pacientes que precisavam, em uma situação ideal, de UTIs, e que, na falta destes leitos, tiveram que ir para estes espaços adaptados. Não foi o ideal, mas, pelo menos, não ficaram desassistidos. E, com o esforço dos administradores destas unidades hospitalares, das equipes médicas e de enfermagem, evitamos que pacientes morressem por falta de atendimento, como temos visto em muitas outras cidades”, relatou o cardiologista.

Ainda segundo O´Connell, esse agravamento do cenário, tornando-se o mais grave desde o início da pandemia e o pior que ele já viu em 20 anos de atuação em sua área, ocorreu por dois fatores: um crescimento agudo de casos graves em curto espaço de tempo e a ocupação dos hospitais por pacientes que estavam tratando de outras doenças. “No início da pandemia, os hospitais estavam vazios, esperando os pacientes de Covid e quem tinha outros problemas médicos não estavam procurando os hospitais. Agora, até janeiro, muitas pessoas estavam tratando os outros problemas. Então, os hospitais já tinham parte de suas capacidades de atendimento ocupadas”, explicou.

Para os dois especialistas, as medidas restritivas para funcionamento de atividades econômicas não essenciais, recentemente anunciadas pela Prefeitura de Uberlândia, e a suspensão de cirurgias eletivas, determinadas pelos hospitais particulares após recomendação do Ministério Público, nesta semana, e pela Prefeitura para a rede municipal nesta sexta-feira (19), serão fundamentais para desafogar as UTIs nos hospitais da cidade. “Acreditamos que, assim, nas próximas semanas, possamos voltar, aos poucos, a um cenário mais favorável”, disse O´Connell.
 
POSICIONAMENTOS
Questionada pelo Diário sobre a falta de leitos de UTI Covid na rede municipal da cidade nas últimas semanas, a Prefeitura de Uberlândia, por meio de nota enviada pela Secretaria de Comunicação, disse que “as respostas foram dadas durante coletiva de imprensa na última quarta-feira (17), que contou com a  presença de membros do Núcleo Estratégico do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, Prefeito Odelmo Leão, Secretário Municipal de Saúde, Gladstone Rodrigues da Cunha, Secretário do Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral”.

Durante a coletiva, o prefeito Odelmo Leão afirmou que mais de 100 pacientes nas Unidades de Atendimento Integrado (UAIs) aguardavam transferência para leitos de UTI ou enfermaria. O prefeito também anunciou, durante a entrevista, o aumento das restrições de funcionamento das atividades econômicas não essenciais, a partir deste sábado (20), para conter o aumento da pandemia no município. Odelmo Leão também cobrou do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) a aberturas de mais leitos de UTI, do governo federal o envio para a cidade de maior quantidade de vacinas contra o coronavírus e ainda pediu á população de Uberlândia colaboração para evitar aglomerações.

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) informou, por meio de nota, que “considerando a piora dos dados epidemiológicos e assistenciais da macrorregião de saúde Triângulo Norte, com a Taxa de Ocupação de leitos de UTI atingindo 100% em vários municípios, o Hospital de Clínicas da UFU resolveu ampliar o número de leitos de UTI exclusivos para Covid-19, passando de 8 para 16 leitos (desde 15/02/2021)”. Ainda segundo a nota, o HC-UFU também decidiu “ampliar novos leitos com a chegada de profissionais contratados emergencialmente pela Ebserh nos próximos dias, suspender os procedimentos cirúrgicos eletivos não essenciais a partir de 18/02/2021 e suspender as consultas ambulatoriais e exames eletivos não essenciais a partir de 22/02/2021”.

Ainda de acordo com a nota oficial, o HC-UFU vai manter os atendimentos de urgência e emergência, cirurgias cardíacas e oncológicas, permitirá a presença de apenas um acompanhante durante o período de internação para os casos previstos em lei, desde que este não tenha sintomas respiratórios e proibirá a visitação de qualquer natureza durante o período de internação.


 
 
 
 
 
 
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