13/02/2021 às 08h00min - Atualizada em 13/02/2021 às 08h00min

Profissionais contam sobre trajetória e história do rádio em Uberlândia

Diário entrevistou personalidades que deixaram sua marca na história

BRUNA MERLIN
Neste sábado (13), é comemorado o Dia Mundial do Rádio I Foto: Agência Brasil
O rádio ainda faz parte do dia a dia da maioria da população brasileira. Ele está no carro, enquanto as pessoas dirigem até o trabalho, está no radinho de pilha ou até mesmo nos celulares, oferecendo uma variada programação que vai desde as músicas atuais a notícias. A importância dele é tão grande para a sociedade que, neste sábado (13), é comemorado o Dia Mundial do Rádio. O Diário de Uberlândia fez uma homenagem aos profissionais do segmento que já passaram pela cidade.

Ettore Braia, de 67 anos, atuou como radialista por mais de 50 anos. Tudo começou quando ele tinha apenas 15 e ganhou um concurso para ser locutor de uma rádio em São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas Gerais. O equipamento que ficava em uma mesa na sala da antiga casa de sua mãe sempre chamou a atenção dele.

“Sempre gostei muito de escutar rádio. Ele sempre foi um elemento de ligação entre as pessoas. Seu papel de divertir, noticiar e entreter as pessoas sem foi muito bem cumprido e tenho orgulho de fazer parte dessa história”, destacou.

Em meados do ano de 1958, Braia deixou o sul de Minas para alavancar a carreira em São Paulo. O radialista já atuou em rádios de Franca e Barretos onde ficou por cerca de 10 anos. Em seguida, ele abraçou uma oportunidade de atuar em Uberlândia e acabou escolhendo a cidade para criar raízes e continuar construindo a carreira.

Durante todos esses anos, Etorre atuou em diversas áreas que o rádio oferecia naquela época. Entre as atividades exercidas por ele estão a de atendente e locutor. Mas, o que o radialista mais gostava era de trabalhar com a parte comercial.

“Todos os profissionais passavam por diversas áreas da rádio. Já fui de tudo um pouco, mas adorava mexer com a parte comercial. Ter contato com essa parte era muito bom”, complementou.

Paulo Henrique Petri também começou a traçar seus caminhos pelo rádio ainda adolescente. Aos 17 anos, ele começou a trabalhar na rádio Cultura, que ficava localizada na rua Machado de Assis, em Uberlândia.  Pouco tempo depois, o radialista teve uma passagem rápida pela rádio Bela Vista e, em seguida, investiu cerca de 10 anos da carreira na rádio Educadora.

“Depois disso, surgiu então o convite para administrar a rádio Cultura. Nela eu fazia programas sociais e esportivos, além de apresentar shows e cantores. Fiquei uns 18 anos na Cultura. Também cheguei a dar uma assistência na rádio Difusora onde fui gerente das áreas artística e comercial. De forma resumida, essa foi minha carreira na história da rádio uberlandense”, ressaltou.
 
O ESPAÇO DAS MULHERES
 Quando o rádio chegou ao Brasil, no ano de 1922, o papel das mulheres era muito controlado pelos homens. Em razão disso, a chegada da figura feminina nas estações gerou um grande impacto social.

As irmãs Teresinha e Margarida de Souza, de 70 e 65 anos, respectivamente, passaram por grandes desafios quando começaram a trabalhar em rádios da cidade. Segundo elas, o trabalho delas muitas vezes foi marginalizado e criticado.

Teresinha, conhecida como Dindinha, iniciou a carreira de radialista com 20 anos na rádio Difusora. Lá, ela realizou um sonho de criança e encontrou a profissão que queria levar para a vida inteira. Um tempo depois, Dindinha foi contratada pela rádio Educadora, onde trabalhou por 40 anos e finalizou sua jornada como profissional do rádio.

“Passei por várias funções nesses anos todos. Já fui atendente de balcão, locutora, repórter e também apresentava um programa gravado”, disse.

A irmã mais nova, Margarida, também deu os primeiros passos na rádio Difusora em 1974 e ficou na empresa até 1996. Foi lá que ela também descobriu a paixão de ser operadora de som.

“Já passei por outras áreas e cheguei a ser locutora em algumas ocasiões, mas eu amava ser operada de som. Fazer e ver tudo acontecer era maravilhoso”, narrou.

Mesmo com muitos momentos bons que resultaram em várias experiências, as irmãs da rádio vivenciaram muitos acontecimentos difíceis, simplesmente por serem mulheres. “Éramos xingadas, chamadas de sem vergonha e pressionadas o tempo todo. Os olhares eram julgadores. Naquela época, as coisas eram muito difíceis para as mulheres conquistaram seu espaço e provarem que poderiam ser boas como radialistas”, detalharam.

A comunicadora, Raquel Diniz, de 69 anos, também teve que lidar com situações preconceituosas quando começou a trabalhar com rádio no ano de 1982. A história dela iniciou na rádio Visão e ela foi a primeira mulher a ocupar um cargo na empresa.

“Eu fui a primeira mulher a apresentar um programa na rádio. Tive um programa solo e isso chocou a população. Na rua, eu recebia olhares diferentes e que incomodavam às vezes. Mas, nunca deixei isso me abalar. Tirei de letra”, destacou.

Raquel já passou por outras cidades, levando seus conhecimento com rádio. Ela chegou a atuar como locutora em Caldas Novas (GO) e também foi a primeira mulher a ocupar o cargo.

“Trabalhei 11 anos com rádio. Era a minha paixão. A rotina era diferente, o trabalho era gostoso de fazer. Tudo muito bom. E, mesmo com todas as dificuldades, eu me sentia muito realizada”, concluiu.
 
MUDANÇAS
Quando analisamos os dias de hoje com os dias em que o rádio começou, são imperceptíveis as mudanças pelas quais ele passou. Atualmente, a tecnologia tomou conta das estações que entregam uma qualidade muito superior aos ouvintes.

Para todos os entrevistados desta matéria, o rádio mudou em todos os sentidos. Conforme dito por eles, as músicas, os programas, a forma de noticiar e a programação como um todo passou por alterações.

“Não podemos dizer que o rádio acabou. É importante entender que mudanças que foram necessárias para atrair o público que é diferente e isso continuará acontecendo pelos anos que virão. Hoje, a forma de escutar rádio é diferente. Tem que ser mais ágil e prática”, explicaram as irmãs do rádio, Terezinha e Margarida.



 

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