22/01/2021 às 18h18min - Atualizada em 22/01/2021 às 18h18min

MPF investiga possível fraude no cadastramento de vacinação em Uberlândia

Aluno de medicina teria incluído informações falsas no ato do cadastro

DA REDAÇÃO

O Ministério Público Federal (MPF) investiga uma possível fraude no processo de cadastramento da vacinação contra a Covid-19 em Uberlândia. Segundo o órgão, o estudante do curso de Medicina Renner Vaz Ramos teria incluído informações falsas no ato do cadastro, com o objetivo de receber a primeira dose da CoronaVac. A imunização teve início nesta semana na cidade para grupos prioritários.

De acordo com o MPF, o ato pode ser configurado crime de falsidade ideológica, já que foi inserida declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita. Ainda segundo o órgão, o estudante em questão também é alvo de ação investigativa por fraude no sistema de cotas raciais na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 

Por conta do novo fato, o MPF requisitou a instauração de um inquérito policial pelas autoridades competentes ou a promoção de um procedimento investigatório criminal, a fim de averiguar a responsabilidade penal do aluno. Para isso, o Município deverá disponibilizar o cadastro integral fornecido pelo cidadão, bem como a lista de vacinados, para confirmar a autoria.

Conforme consta no documento, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) deverá esclarecer, em até 48 horas, quais foram os documentos apresentados pelo aluno no momento da vacinação, quais foram os servidores responsáveis por aplicar o imunizante e o local onde ocorreu a aplicação da vacina.

O MPF sugeriu ainda que o Ministério Público Estadual (MPE) notifique o Colegiado do Curso de Medicina, bem como o Conselho da Faculdade de Medicina e os conselhos superiores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), para que se atentem e, dentro de suas competências, promovam medidas administrativas convenientes.

POSICIONAMENTOS
O Diário entrou em contato com a Universidade Federal de Uberlândia solicitando um posicionamento sobre o cadastramento do estudante citado na reportagem. Por meio de nota, a
 Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU) disse que os estudantes em estágio supervisionado (internato) participam do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em vários ambientes e cenários hospitalares, incluindo atendimento no Pronto-Socorro do Hospital de Clínicas da UFU.

A Famed esclareceu ainda que entende que os referidos estudantes devem ser vacinados juntamente com os demais profissionais da área da saúde. Todavia, destacou que a definição da ordem de prioridade dentro do segmento é prerrogativa da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia.

A respeito da possível fraude no sistema de cotas da UFU pelo estudante
 Renner Vaz Ramos, a Famed disse que o aluno está regularmente matriculado do curso de Medicina e que se encontra em fase de internato, como outros alunos dos períodos finais do curso. Esclareceu também que o estudante havia sido desligado por questões referentes ao seu ingresso por cotas, mas seu vínculo foi restituído por decisão judicial.

O Diário procurou a Prefeitura de Uberlândia perguntando se o Município foi notificado a respeito da solicitação do Ministério Público Federal (MPF) e aguarda retorno. 

A reportagem também tentou contato por telefone com o estudante 
Renner Vaz Ramos, mas as ligações não foram atendidas. 

IMPASSE
Nesta quinta (21), o jornal noticiou o impedimento de vacinação por internos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). De acordo com os estudantes, mesmo após realizarem o cadastro estipulado pela Prefeitura e serem chamados para receber a dose, estão sendo barrados na hora da aplicação.

Uma interna, que preferiu não se identificar, informou que foi chamada para receber a vacinação na quarta-feira (20), mas não conseguiu receber a dose. “Recebi uma mensagem do Município com o agendamento da vacinação. No comunicado dizia que eu deveria ir até o local às 10h para poder fazer a aplicação. Quando cheguei, fui barrada e informada que alunos estagiários do HC não seriam vacinados neste momento”, detalhou.

Outra interna afirmou à reportagem do Diário que, antes da liberação do cadastro, o gestor acadêmico do HC enviou diversos ofícios à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que comprovavam a atuação dos internos no combate do coronavírus e solicitavam a participação deles na 1ª etapa da vacinação. De acordo com ela, a Prefeitura não respondeu nenhum dos documentos.


VEJA TAMBÉM:

Internos do HC-UFU são impedidos de receber vacinação mesmo após terem sido chamados


 

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