09/01/2021 às 09h00min - Atualizada em 09/01/2021 às 09h00min

Novo aumento do gás de cozinha deve impactar orçamento

Petrobrás anunciou reajuste de 6% nas refinarias; preço pode chegar a R$ 90 em Uberlândia

DHIEGO BORGES

O preço do gás de cozinha deve sofrer um novo reajuste nos próximos dias. Com o anúncio do aumento de 6%, divulgado nesta semana pela Petrobrás, o valor do botijão de 13 Kg deve ficar na faixa de R$ 90 em Uberlândia. O novo acréscimo foi anunciado somente um mês após a alta de 5%, registrada em dezembro do ano passado.
 
Para a economista, Graciele de Fátima Sousa, a alta dos preços em tão pouco tempo está diretamente relacionada à valorização do Petróleo. “De fato tivemos essa alta no início do ano que acompanha a melhora do preço do Petróleo, e isso influenciou no valor do gás. Essa política de preços de combustíveis domésticos tem como base o valor das importações e esse mercado é de livre concorrência. Esse reajuste deve ser sentido primeiramente pelas distribuidoras, já que o preço final do botijão de gás também sofre influências de outros tributos e das políticas de preço das revendedoras. Pode ser que esse aumento seja repassado, ou não, de forma integral ou apenas em parte”, explicou.
 
De acordo com o último levantamento feito pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes-UFU), o gás de cozinha registrou uma inflação acumulada de 12% em Uberlândia, entre janeiro e novembro de 2020. O índice é quase 50% superior à inflação de 6,80% registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CEPES) no ano passado. A especialista ouvida pelo Diário destacou também que o novo aumento do gás de cozinha irá impactar diretamente no bolso do consumidor, que ainda sente os efeitos da alta em vários itens da cesta básica em 2020.
 
REAJUSTE PREOCUPA MERCADO
Do outro lado da ponta, estabelecimentos tentam segurar o preço dos produtos para não perder o consumidor. É o caso da empresária Sônia Borges de Brito, que é sócia proprietária do restaurante Bom Sabor, no bairro Santa Mônica. Ela conta que teve forte impacto no ano passado com a alta dos insumos e segurou ao máximo para não repassar o aumento para os clientes. Mas, em dezembro não teve alternativa a não ser subir o valor do self service. 
 
O valor do quilo, que era R$ 29,90 passou para R$ 38,90. “Tudo aumentou, sofremos impacto do aumento do preço do óleo, da carne, do arroz. Aqui servimos churrasco, então tivemos que repassar para o consumidor. Por enquanto, vamos segurar, pois não tem como repassar mais para o cliente. Vamos ganhar menos, mas temos que segurar senão perdemos”, destacou. 
 
O novo aumento do gás também preocupa os donos de distribuidoras na cidade. Amilton Garcia, que atua há 20 anos no ramo, disse que nunca viu tanto aumento em tão pouco tempo. O empresário, que é proprietário da 1000tim gás, no bairro Presidente Roosevelt, disse que vai tentar segurar o preço, mas alertou que os custos são muito altos. Segundo Garcia, o valor do gás na cidade atualmente gira em torno de R$ 80 a R$ 85, mas com o aumento deve chegar a R$ 90.
 
A alta deve representar um reajuste de aproximadamente R$ 3,00 por cada botijão de 13 kg. “Antes, eu tinha três funcionários, mas tive que demitir e passei a trabalhar sozinho por conta dos altos custos. A despesa para manter os botijões no pátio é em média de R$ 12 a R$ 13 por cada unidade. Até junho do ano passado, o valor para a gente comprar era de R$ 68, depois subiram para R$ 78 e de lá para cá só vem subindo. De setembro até agora aumentou R$ 13, sendo que nós repassamos apenas R$ 7 para o consumidor. Não vamos conseguir repassar mais ou perdemos o cliente”, afirmou.
 
De acordo com a economista Graciele de Fátima Sousa, a tendência é de ainda mais aumento para este ano. “A expectativa é que haja algumas altas durante o ano e os combustíveis devem ficar mais caros também”, informou.


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