17/11/2020 às 12h08min - Atualizada em 17/11/2020 às 12h08min

Prefeitura desativa mais de 40 leitos de UTI em Uberlândia

Município alegou baixa demanda, mas não respondeu questionamentos sobre a destinação dos leitos a partir de agora

BRUNA MERLIN
Foram desativados 32 leitos de UTIs no anexo do Hospital Santa Catarina | Foto: Arquivo/Diário de Uberlândia
O Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 anunciou, através do boletim epidemiológico desta segunda-feira (16), que desativou 42 leitos municipais de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) destinados ao tratamento da doença. A desativação foi feita no Hospital Municipal e no anexo do Hospital Santa Catarina. 

Com a redução, o Hospital Municipal de Uberlândia, que contava com 20 leitos de UTIs destinados ao combate do coronavírus, passou a ter 10. Já no Santa Catarina foram desativados 32 leitos. Com isso, a unidade que tinha 42 passa a operar com 14 leitos de UTIs.

No boletim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a redução de leitos se deu em razão da diminuição da demanda de pacientes nos hospitais municipais. Foi informado também que, caso haja um novo aumento do número de pessoas que precisam de internação, os leitos serão reativados. 

Em julho deste ano, a Prefeitura anunciou a desapropriação do Hospital Santa Catarina para integrá-lo ao Hospital Municipal de Uberlândia. Na época, o objetivo era disponibilizar 42 leitos de UTIs no anexo, já que o número de pacientes internados estava aumentando. 

O Diário de Uberlândia fez um levantamento para analisar se houve redução da taxa de ocupação da UTIs nos hospitais municipais nos últimos dias e meses. A reportagem utilizou os dados disponibilizados pela SMS diariamente nos boletins epidemiológicos. 

Conforme as informações do Município, a média da taxa de ocupação de UTIs dos hospitais municipais da cidade em julho era de 89,96%. O Hospital Santa Catarina foi liberado para operação no início de agosto.

Em agosto, a média da taxa de ocupação de UTIs já apresentou queda em relação ao mês anterior. De acordo com os dados diários da SMS, a média do mês de agosto foi de 87,22%. 

Setembro e outubro também apresentaram diminuição na quantidade de leitos de UTIs ocupados nas unidades municipais. Em setembro, a média foi de 85,93% e outubro teve uma média de 73,58%. 

Desde o início de novembro, a queda na taxa de ocupação de leitos foi mais significativa. Nos 16 primeiros dias do mês, a média de ocupação de UTIs municipais reduziu para 47,78%. 

QUESTIONAMENTOS NÃO RESPONDIDOS
Com o objetivo de mostrar à população o que será feito com os leitos de UTI que foram desativados, o Diário de Uberlândia procurou a Prefeitura de Uberlândia para solicitar uma entrevista com o representante da Secretaria Municipal de Saúde. A reportagem também enviou, por e-mail, alguns questionamentos ao Executivo. 

Entre as dúvidas, a reportagem questionou sobre se esses leitos serão destinados a atender pessoas com outras doenças. Também perguntou se o Município pretende diminuir o número de profissionais contratados de forma emergencial e, se sim, quantos e de quais categorias.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os leitos desativados “seguem equipados e preparados em caso de necessidade de reativação. As equipes foram remanejadas e, se necessário, serão chamadas a atuar novamente nestes leitos”.

Até o fechamento desta matéria, no entanto, os demais questionamentos feitos não foram respondidos pela Prefeitura.

Em agosto deste ano, o Diário de Uberlândia trouxe uma reportagem mostrando a falta de leitos disponíveis na cidade para pacientes de outras patologias. A matéria motivou uma investigação por parte da 17ª Promotoria de Justiça de Uberlândia, que instaurou dois procedimentos para investigar eventuais crimes praticados quanto à falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública. 

Uma das investigações apurava o crime de omissão de socorro por parte do Município na morte do paciente Vander Batista, de 65 anos, que lutava contra um câncer no estômago e morreu enquanto aguardava transferência para uma UTI, conforme noticiado pelo Diário no dia 5 de agosto.


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