19/09/2020 às 08h00min - Atualizada em 19/09/2020 às 08h00min

Dia do Baterista: uberlandenses e o amor pelo instrumento

Comemorado no dia 20 de setembro, Diário conversou com músicos do cenário local

IGOR MARTINS
Cajuzinho seguiu os passos do pai e é baterista profissional há 35 anos | Foto: Arquivo Pessoal

20 de setembro é um dia muito especial para a música e em especial para os bateristas. Nesta data é comemorado o dia destes profissionais que se dedicam e se entregam ao instrumento de percussão, tão comum nas produções atuais. O Diário de Uberlândia conversou com bateristas da cidade, que falaram sobre suas histórias com as bateras, além do relacionamento de amor com a bateria.

Um dos bateristas mais conhecidos no cenário musical uberlandense, Cícerus de Oliveira Resende, o Cajuzinho, começou a tocar bateria ainda quando criança. Aos 8 anos, ele entrou no conservatório, onde o pai, que também foi músico, era professor de violão. A partir daí, o contato com o instrumento foi natural. Antes de chegar na batera, entretanto, Cajuzinho passou pelo violão, flauta doce e o piano. “Quando eu descobri a bateria eu nunca mais larguei. Foi o instrumento com o qual tive mais identificação”, contou o músico.

Os anos se passaram e, de acordo com ele, o que era um sonho (virar baterista profissional), acabou se tornando realidade. Entre idas e vindas no mundo da música, Cajuzinho já coleciona 35 anos como baterista profissional.

“Eu tenho muito orgulho de ser baterista. Eu parei tudo na minha vida para ser um músico profissional, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu estudo música até hoje, me considero um autodidata. A bateria representa para mim uma sensação de liberdade, de confiança, de autoestima. É um verdadeiro mix de sentimentos e isso te transforma em um ser humano melhor. Sou baterista por amor à arte e à vida”.

Ao falar sobre o cenário musical na região, o baterista uberlandense mostra orgulho ao dizer que já teve diversas oportunidades de representar a bateria em Uberlândia. “Uberlândia cresceu muito musicalmente nos últimos tempos. Acho que faço parte de uma história que fez bem para a cidade. Não é fácil viver de música, mas ao mesmo tempo a perseverança fez com que eu tivesse reconhecimento até mesmo fora do Brasil. Onde eu puder tocar e falar que sou de Uberlândia, vou me sentir muito honrado”.

Com a chegada da pandemia, Cajuzinho precisou interromper todos os seus shows, mas disse que uma hora ou outra mostrará todo o seu talento com as baquetas em uma live. “Eu espero que quando acabar essa pandemia, as pessoas possam sair com o espírito melhor, de alma renovada. Quando eu voltar, vou tocar com muito mais felicidade e mais vigor”, acrescentou o baterista.

INÍCIO NO SAMBA
Natural de São Simão (GO), Alex Mororó começou a se envolver com a música aos 11 anos em blocos de carnaval. Apesar de não ter músicos na família, o professor de bateria conta que tocava alguns instrumentos de percussão em uma escola de samba na cidade goiana. O fato de os pais gostarem de música o influenciou a seguir a carreira nesta área.

Mororó falou ao Diário que nos intervalos dos ensaios ele pegava instrumentos de percussão soltos e começava a imitar uma bateria, o que acabou chamando a atenção das pessoas que estavam ao seu redor. “Todos falavam que eu tinha um ritmo legal e comecei a montar uma bateria com galões de shampoo, tampa de panela e montei uma bateria toda de lata”, lembrou.

Em um certo dia, uma banda da cidade faria um show. O único problema era que o baterista do grupo havia quebrado a perna e não poderia cumprir a agenda. De imediato, várias pessoas indicaram Alex Mororó, ainda na adolescência, para substitui-lo. “Eu não sabia como tocava. Alguns músicos acabaram me ajudando e meu pai viu que eu tinha certo talento e acabei ganhando uma bateria”, disse o músico.

O professor de bateria recorda que a partir daí começou a tocar em algumas bandas e a técnica foi se aperfeiçoando cada vez mais. Atualmente, Alex Mororó é um dos organizadores do “Sou Mais Batera”, evento que reúne bateristas e que precisou ser cancelado neste ano por conta da pandemia de Covid-19.

A última edição, realizada em julho de 2019, reuniu cerca de 350 músicos na esplanada do Teatro Municipal de Uberlândia. Mororó espera que em julho de 2021 tudo tenha voltado ao normal para que o evento aconteça e com novidades, conforme adiantou à reportagem.

“Ano que vem queremos fazer o evento no estádio do Parque do Sabiá. Quero fazer algo maior e aproveitar a arquibancada para o pessoal assistir e ver os detalhes mais próximos. Vai ser um evento muito bonito e, se Deus quiser, a gente espera que em julho já tenha passado essa pandemia para fazermos esse evento maravilhoso”, falou o baterista.

Questionado sobre a importância da bateria em sua vida, Mororó disse que a música é imprescindível na vida de qualquer pessoa e que o instrumento foi um bem maior, por tudo que representou e representa no seu dia a dia.

“A bateria, além de ser o meu ganha pão, é onde a gente descarrega energia, onde a gente extravasa, seja profissionalmente ou com amigos. A bateria é uma atividade física que faz bem para a mente, para o corpo e também para o coração. Além de ter mudado a minha vida, eu mudei a vida de muita gente, tive muitos alunos que acabaram seguindo a profissão e isso é muito gratificante”, finalizou.

PAIXÃO NA FAMÍLIA


Os irmãos Maria Eduarda e João Lucas já praticam bateria há três anos
 

Criados em uma família de músicos, os irmãos Maria Eduarda e João Lucas Marsicano Tavares, de nove e seis anos, respectivamente, fazem aulas de bateria com Alex Mororó há três anos. O pai, Carlos Eduardo Tavares, contou ao Diário que desde muito cedo percebeu a aptidão e o gosto dos pequenos pela música.

“Nós colocávamos música no carro e a Duda, desde pequenininha, tinha um ritmo muito bom. Ela batia o pé certinho no tempo da música. Depois, com o João, ele tinha mania de pegar as panelas e montar uma bateria e começara a tocar. Ele ficava doido com aquilo e foi aí que tive a ideia de comprar uma bateria”.

Ao Diário, Maria Eduarda e João Lucas falaram sobre a vontade de tocar em uma banda e sobre seus gostos musicais. Segundo eles, os estilos musicais favoritos são o groove, rock, samba e o pop, por influência dos pais. “Tocar bateria é muito legal, a gente convive com os amigos e com a família em casa, até mesmo na escola no tio Alex”, disseram.

A paixão pela música é tamanha que a família resolveu criar um YouTube para compartilhar momentos com os parentes e com os amigos. “Eu e a minha esposa sempre fomos da área musical, eu sou guitarrista e ela fez conservatório. Já tivemos uma banda juntos e agora fazemos um som com nossos filhos”, contou Carlos Eduardo.


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