01/09/2020 às 18h28min - Atualizada em 01/09/2020 às 18h28min

Vereador questiona vigia mulher: “que segurança ela vai poder dar?”

Tunico (PL) fez pronunciamento durante sessão nesta terça (1º); em entrevista ao Diário, parlamentar disse que não questionou a competência da vigia

DHIEGO BORGES

O vereador Antônio Borges de Freitas, conhecido como Tunico, (PL) fez um pronunciamento polêmico nesta terça-feira (1º) durante a primeira sessão ordinária virtual de setembro na Câmara Municipal. Os parlamentares da Casa discutiam sobre um projeto para instituir a Semana de Conscientização pela Educação sem Violência. Ao tentar justificar o voto, Tunico questionou a falta de segurança nas escolas de Uberlândia. “Eu sei de escola na zona rural, por exemplo, que a vigia lá no final de semana é uma mulher. Que segurança ela vai poder dar?”, comentou.

Na fala, o vereador cobra do Município uma melhor utilização dos espaços recreativos das escolas de Uberlândia nos fins de semana. O parlamentar diz que as quadras esportivas se tornaram locais para uso de drogas, momento em que comenta sobre a falta de segurança, citando como exemplo uma mulher que atua como vigia na zona rural.

VEJA NO VÍDEO ABAIXO:

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Na tarde desta terça, a reportagem do Diário fez contato com o vereador, que tentou explicar melhor o pronunciamento. “O que tem acontecido é que as escolas nos finais de semana não têm atividade nenhuma e existem escolas da zona rural que são mulheres que ficam vigiando a estrutura física. Então, que condições que ela tem para impedir qualquer ato de vandalismo em uma escola dessa, uma mulher?”, disse em entrevista.

A reportagem então questionou o vereador se ele achava que uma mulher não teria competência para exercer a função. O parlamentar negou e disse que se referia ao fato de a vigia não estar armada. “Jamais eu vou questionar a competência de uma mulher, eu questiono a situação. Numa escola da zona rural, a 50 km de Uberlândia, sem estar armada, já pensou o risco que ela está correndo? Então eu acho que não é função dela fazer isso, porque ela não é preparada para aquilo”, justificou.

O parlamentar afirmou que conhece a região da referida escola e que tem uma irmã que mora próximo à instituição de ensino. Tunico também disse que conhece a vigia da escola que ele citou como exemplo. “É conhecida de todo mundo lá”, contou.

O Diário também procurou a Câmara Municipal de Uberlândia, que informou, por meio de nota, que “os pronunciamentos dos senhores ou senhoras vereadores na Tribuna da Casa durante o Grande Expediente das sessões ordinárias são da responsabilidade de cada um e não reflete o pensamento do Poder Legislativo e muito menos da Mesa Diretora da Casa".
 
ESPECIALISTA COMENTA ASSUNTO
O Diário de Uberlândia também ouviu uma especialista que atua com movimentos de defesa dos direitos das mulheres na cidade. A professora de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Neiva Flávia de Oliveira, que também coordena os projetos Todas Por Ela, Acolhidas, Entre Irmãs e Direito e Arte, disse que a fala do vereador foi preconceituosa.

“Realmente a fala dele foi discriminadora e vale lembrar que pela Constituição Federal, artigo terceiro, é proibida qualquer forma de discriminação em função do gênero. O fato de ela ser mulher não significa dizer que ela tenha qualquer tipo de restrição ou é menos competente pela segurança. Se a Prefeitura não oferece estrutura, não é o gênero que faz a diferença. O que ele fez foi uma prática preconceituosa que fere um direito da constituição que estabelece um direito de igualdade entre homens e mulheres”, comentou Neiva.

No próximo dia 6 de setembro, é celebrado o Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher.


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