11/07/2020 às 08h00min - Atualizada em 11/07/2020 às 08h00min

A pandemia e os impactos no futebol americano

Técnico do Uberlândia Lobos confirmou cancelamento do calendário do clube em 2020

IGOR MARTINS
Diogo Sartini estuda possibilidade de disputar estadual no próximo ano | Foto: Divulgação

Se grandes clubes profissionais, dos mais variados esportes, têm passado por problemas por conta da pandemia da Covid-19, imagine uma modalidade ainda amadora no Brasil que busca profissionalização e maior valorização. Esta é a realidade vivida pelo futebol americano em todo o país, que é representado na cidade pelo Uberlândia Lobos.

O clube paralisou todas as atividades no dia 17 de março e suspendeu o calendário de jogos que estavam previstos para acontecer no segundo semestre, como a disputa da Copa Mogiana, campeonato interestadual que reúne times de Minas Gerais e São Paulo. A informação foi confirmada ao Diário pelo técnico e presidente da equipe, Diogo Sartini.

“Adotamos a paralisação precocemente para evitar qualquer tipo de dificuldade e transtornos. Temos atletas da área da saúde, pessoas que viajam e pessoas com idade mais avançada. Queríamos preservar tanto os atletas quanto as famílias. Lógico que ninguém ficou feliz com a situação, mas estamos tentando entender e não exigir tanto de ninguém até que a situação se normalize”, disse.

Para garantir o desenvolvimento do calendário e cobrir despesas com equipamentos e custos de viagens, o Lobos cobra dos atletas uma taxa de manutenção mensal, que também precisou ser suspensa devido ao momento econômico vivido em todo o mundo. Durante os próximos meses, o clube uberlandense receberia eventos de training camp, clínicas de arbitragem e clínicas com outras equipes do Triângulo Mineiro, como o Araxá Red Wolves e o Uberaba Zebus.

A temporada de 2020, segundo Sartini, está descartada. “Mesmo que a gente volte, nós vamos ter que retomar a preparação do zero. Teremos que fazer um trabalho de condicionamento físico e a reavaliação dos atletas”, falou o treinador.

Neste sentido, a comissão técnica e a equipe de fisioterapia do Lobos têm feito um trabalho de acompanhamento aos atletas de maneira remota. “Nossa equipe de fisioterapia tem feito um networking para aproveitar o momento e se atualizar para ver como outras equipes têm feito com o retorno dos atletas. Alguns estudos mostram que a volta tem causado mais lesões do que em qualquer outra situação. Isso vai nos ajudar a analisar como podemos conduzir o retorno de uma forma mais tranquila” explicou Sartini.

Ainda de acordo com Diogo, a diretoria do Lobos tem analisado a possibilidade de aderir a um calendário em conjunto com os Red Wolves e Zebus quando a pandemia acabar. Uma alternativa seria disputar alguma competição no primeiro semestre de 2021, como o Campeonato Mineiro, organizado pela Federação Mineira de Futebol Americano (FEMFA).

“O momento agora é de trabalhar na reorganização do time. Muitos atletas voltaram para suas cidades, outros perderam o emprego ou mudaram de profissão e não conseguem mais conciliar. Já algumas pessoas acabam mesmo desanimando e largando o esporte. Estamos deixando os atletas muito livres”, falou à reportagem.
 
VIRTUAL
Uma saída para matar a saudade do esporte e levar entretenimento aos fãs da bola oval foi a criação de ligas de futebol americano online. Um dos atletas do Lobos, Eduardo Barba defendeu o clube no campeonato mineiro da FEMFA, mas acabou eliminado ainda na primeira fase da competição.

“É uma integração muito bacana, o pessoal interage durante as transmissões e isso mantém os atletas ligados no esporte, acompanhando as notícias, procurando estudar para aprender mais táticas. A gente usa os jogos de videogame nos nossos treinamentos para o atleta entender melhor uma leitura. Nessa hora tudo é válido, fora que é uma farra a parte, um mecanismo de entretenimento. O futebol americano entrou de vez dentro das casas e virou um hobby nos games”, disse o treinador do Lobos.

Por enquanto, Sartini torce para que a situação volte ao normal para fazer o que mais ama: jogar e viver o futebol americano. “A gente quer ver os hospitais vazios e que as pessoas não percam mais seus entes queridos. Nossa expectativa é de que tudo isso passe logo e que a cura seja encontrada”, finalizou.

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