04/04/2020 às 12h55min - Atualizada em 04/04/2020 às 12h55min

Crise do coronavírus atinge jornais impressos de Uberlândia e região

Veículos de comunicação relatam sobre rotina alterada diante da pandemia; jornais internacionais também sofrem com a crise

BRUNA MERLIN
Jornais impressos nacionais e internacionais vêm enfrentando desafios, inclusive muitos já suspenderam as atividades | Foto: Agência Brasil
Em tempos de crise, notícias verídicas são aliadas da população que quer e precisa se manter informada sobre as atualizações da situação que atinge vários setores e pessoas. É o caso da pandemia mundial do novo coronavírus. Veículos de comunicação funcionam dia e noite para levar informação aos cidadãos, mas assim como as escolas e os comércios, que estão paralisados, os jornais impressos nacionais e internacionais vêm enfrentando desafios, inclusive muitos já suspenderam as atividades.

Além da preocupação com a saúde dos funcionários que compõem as equipes de produção, venda e circulação de um jornal, outras situações fizeram com que diversas empresas de notícias mudassem as estratégias de seus trabalhos. Exemplo disso é o Diário de Uberlândia, que precisou suspender parcialmente, desde o dia 24 de março, a tiragem do exemplar impresso que é distribuído para as bancas e assinantes.

Atualmente, a empresa conta com cerca de 40 funcionários distribuídos nas áreas de produção, impressão e logística do jornal. Com a crise, 80% da equipe recebeu férias coletivas e os responsáveis pela produção, como jornalistas e profissionais de marketing e de vendas, aderiram ao home office.

“O Diário foi todo reformulado para circular com editorias noticiosas há 5 anos. Antes disso, ele funcionava com a divulgação de classificados, mas nunca tivemos que passar por um momento desse em que precisamos repensar todas as nossas estratégias com a equipe”, explicou o proprietário da empresa, Felipe de Faria.

Proprietário do Jornal Diário de Uberlândia, Felipe de Faria | Foto: Celso Ribeiro

A gráfica que faz a impressão do periódico funciona como outra empresa que também recebe pedidos de fora. Com a paralisação do comércio, a demanda de serviços foi diminuindo como um efeito dominó. Sendo assim, a melhor alternativa foi travar parte da fabricação o que acabou impactando na quantidade de jornais impressos e entregues à população.

A expectativa de Felipe e da equipe é que a circulação total do conteúdo impresso volte na próxima terça-feira (7), mas a insegurança em relação ao que pode acontecer futuramente com todas as mudanças é persistente. Apesar das circunstâncias, a edição impressa do jornal continua sendo feita diariamente com a distribuição de alguns exemplares em pontos de vendas. Além disso, a versão digital do jornal – arquivo em PDF - é enviada para os assinantes por e-mail.

Outro ponto positivo, que dribla a situação catastrófica, é que o Diário de Uberlândia conta com um portal online (diariodeuberlandia.com.br) que é atualizado constantemente pela equipe de jornalismo com as notícias da cidade. “Neste período de suspensão parcial da circulação do impresso tivemos um aumento de quase 100% de visitas no site. Ter esse recurso ajuda muito a manter as atividades”, concluiu o proprietário.

PARALISAÇÃO TOTAL
Periódico de Araguari teve que ser suspenso temporariamente | Foto: Divulgação


Ao contrário do veículo de comunicação de Uberlândia, o jornal Diário de Araguari suspendeu totalmente as atividades de produção e circulação do exemplar. A determinação foi anunciada aos funcionários no dia 23 de março.

Por meio de redes sociais, a editora responsável pelo jornal, Vanessa de Araújo Klock, lamentou a situação que nunca aconteceu no decorrer dos 26 anos de história da empresa. Segundo ela, a decisão se deu em razão, principalmente, para preservar a saúde dos sete colaboradores que foram dispensados até a volta das atividades.

“Além disso, é necessário pensar nos nossos leitores também. Visto que foi divulgado pelas autoridades sanitárias que o vírus permanece em superfícies por tempo considerável. Entendi ser prudente, pelo menos nesse primeiro momento, evitar a distribuição do papel jornal”, detalhou a responsável.

Inicialmente, Vanessa planejou a volta dos trabalhos para o dia 31 de março, mas o retorno foi adiado para a próxima segunda-feira (6). A editora acredita que, apesar dos riscos, é necessário retomar as atividades, pois a comunicação é a única forma de conscientizar a população e o jornal tem essa função. 

“Penso que com responsabilidade e tendo os cuidados necessários poderemos exercer nosso papel tão importante perante nossa comunidade. Mas, é claro que tudo será observado e se houver necessidade de reverter a decisão em um futuro próximo, faremos”, disse Klock.

A preocupação com os próximos dias e meses também atinge os colaboradores do jornal Diário de Araguari, que estão assustados com os perigos e também com as consequências que podem surgir.

“Quanto ao futuro, esse literalmente o tempo dirá. O futuro é algo que precisaremos de muita resiliência e calma. Teremos que atuar, um dia de cada vez, para acompanhar o passo a passo do país, o qual refletirá sobre como poderemos agir”, finalizou a jornalista.

NO MUNDO
O impacto econômico causado pela pandemia da Covid-19 e a necessidade de mudança para contornar os problemas refletem nos jornais do mundo inteiro. As principais cidades do Reino Unido perderam o único jornal impresso.

A JPI Media, que tem dezenas de títulos, informou a diversos veículos de comunicação da nação que todos os exemplares impressos gratuitos entregues de porta em porta seriam temporariamente suspensos. A decisão foi tomada devido aos desafios logísticos juntamente com o colapso no mercado de publicidade local. 

A rotina dos jornais impressos bolivianos também foi modificada. Pelo menos três dos principais periódicos suspenderam as edições impressas durante o período de quarentena determinado pelo governo do país, que começou no dia 22 de março e vai até hoje.

Algumas das empresas continuaram os serviços de informação através de portais online e redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter. Os jornalistas foram submetidos ao teletrabalho para manter os leitores e a sociedade da Bolívia informada.












 

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »