24/02/2020 às 09h11min - Atualizada em 24/02/2020 às 09h11min

Laboratório desenvolve teste para detectar coronavírus

Na matriz da empresa, o resultado sai em um dia, enquanto nas filiais o prazo é de três dias; exame está disponível em Uberlândia

SÍLVIO AZEVEDO
Fabrício Cazorla, responsável técnico do Grupo Sabin em Uberlândia | Foto: Sílvio Azevedo

Ao estudar uma forma de detectar o coronavírus de maneira mais rápida para tratamentos eficientes, equipe de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Sabin desenvolveu um teste que identifica o vírus em 24h, após o recebimento do material coletado do paciente, na matriz da empresa, em Brasília. Para outras regiões do país, o prazo é de três dias.

Para desenvolver o teste, foi utilizado a base de dados do material genético do vírus disponibilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Center of Desease Control (CDC). “Pegamos a informação, que está na OMS, e desenvolvemos um código e o teste muito rápido, pois temos essa tecnologia. O vírus foi detectado no final de dezembro e em fevereiro estamos com esse teste disponível”, disse o responsável técnico do Grupo Sabin em Uberlândia, Fabrício Cazorla.

Durante o processo de desenvolvimento do teste, pega-se os dados de parte da sequência do DNA do vírus, recriando a partir de elementos sintéticos. “É criado um pedaço do material genético que eu sei que é exclusivo daquele vírus. Aí vou detectar a partícula que seja complementar a ela. O que tenho no laboratório não tem poder de infectar ninguém. O vírus é gigante. Tem milhões de pares de bases em sua formação. Eu uso uma sequência de centenas de pares, que é o suficiente para eu ter a assinatura”, explicou Cazorla.

Atualmente, esse teste é para as pessoas que, ou estiveram na China ou tiveram contato com pessoas que tiveram a suspeita da doença. Para realizar o exame, Fabricio afirmou que é utilizado um swab, que parece um cotonete, para coletar material da secreção nasal do paciente, de onde é extraído DNA dessa amostra para fazer o diagnóstico do teste.

“Nos outros testes a gente pesquisa anticorpos. A pessoa tem que adquirir a doença, criar anticorpos, que tem que estar em uma quantidade detectável para eu colher o sangue, levar para o equipamento e fazer a detecção. Neste caso, eu detecto direto o vírus, direto na fonte. Eu elimino a interferência e ganho tempo de doença”.

Sobre a fidelidade dos resultados, Fabrício Cazorla afirmou que é muito próximo de 100%. “Só não é 100% porque a gente pode ter alguns problemas metodológicos que podem interferir na amostra. Mas essa é a vantagem do teste molecular. Devido a metodologia, vários detalhes no processo, a gente pesquisa o material genético do vírus, que é sua assinatura. Se encontrarmos essa assinatura, vai ser, caso contrário, não. É um grau de certeza muito grande”.

Fabricio ressalta que ainda não foram confirmados casos no Brasil e que a disponibilização do exame não é para criar um alarde na saúde, apenas para dar mais uma opção de diagnóstico rápido aos médicos e pacientes.

“A coleta do exame é feita de segunda a sexta-feira, porque tem o tempo de transporte e a estabilidade da amostra, que não pode ficar parada. É feita em ambientes hospitalares, principalmente quem já tem a suspeita, está internado, o médico faz a solicitação e a gente vai e faz a coleta. É um público bem específico”.













 


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