18/02/2020 às 13h41min - Atualizada em 18/02/2020 às 13h41min

Carnaval acende alerta para risco de contaminação por doenças virais

Surto mundial de coronavírus e casos suspeitos no Brasil carecem de atenção e prevenção; veja dicas de especialista de Uberlândia

ELOÍSA ROCHA
Cautela em aglomerações deve ser redobrada nessa época do ano, aponta especialista | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Com a chegada do Carnaval, a circulação de turistas brasileiros e estrangeiros aumenta muito no país. As festas e blocos de rua reúnem milhares de pessoas sendo ambiente propício para o surgimento de doenças virais. Tendo em vista que os casos do novo coronavírus não param de aumentar, é despertada em muitos foliões a preocupação sobre o risco de contaminação pelo vírus nas festas, trazidos pelos visitantes estrangeiros. 

Mas esse receio é fundamentado? Segundo a professora e coordenadora da Comissão Interna de Biossegurança da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Letícia de Souza, o risco é sim real, porém o verão e as altas temperaturas diminuem a circulação do vírus. Ainda assim, a preocupação deve existir, por ser uma pandemia e um vírus novo, todos estão suscetíveis à contaminação. 

O novo coronavírus surgiu na China, tendo os primeiros casos confirmados em dezembro de 2019. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), 24 países já confirmaram casos totalizando 71.429 pessoas infectadas no mundo. Só na China são 70.635 casos. O número de mortes chegou a 1.772 e, na última quinta-feira (13), houve a maior confirmação de casos desde o início do surto. No Brasil, três casos suspeitos do novo coronavírus são monitorados nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Outros 45 já foram descartados.

Segundo Leticia, a cautela em aglomerações deve ser redobrada. A melhor conduta é aumentar os cuidados com higiene, lavando sempre as mãos com água e sabão e utilizando álcool em gel sempre que possível, além de manter boa alimentação a fim de garantir imunidade. 

“A regra básica é garantir imunidade física com alimentação saudável e muito líquido para garantir hidratação. Pessoas com baixa imunidade, com doenças crônicas e debilitadas devem evitar aglomerações. Manter a higiene também é fundamental, lavando sempre as mãos e utilizando álcool em gel para desinfecção”. 

Além desses cuidados a professora ainda recomenda estar sempre alerta e procurar assistência médica imediata se surgirem sintomas como indisposição, febre, e problemas respiratórios após estar em ambientes com grande número de pessoas. “O maior fluxo de entrada de pessoas e sua circulação no país exige protocolos especiais de contenção. Esses protocolos especiais já foram desenvolvidos em epidemias anteriores como SARS e H1N1. Porém é importante estar sempre alerta”.

Outros riscos 
Além do risco de contaminação de coronavírus, outras doenças são comuns nesta época de altas temperaturas e aglomerações. Com a concentração maior de pessoas nas areias das praias, piscinas e clubes, e o uso de menor quantidade de roupas pelo calor há uma maior suscetibilidade a males que no resto do ano não são tão presentes.

Outro aspecto é que o clima quente é propício para a proliferação de vetores de doenças, como os mosquitos, de agentes etiológicos como fungos e bactérias, o que pode facilmente permitir a proliferação de diversas doenças. Assim, no verão, é comum o aumento do número de casos de conjuntivite, dengue, chikungunya, zika, dermatoses diversas, desidratação, insolação, intoxicação alimentar, micoses e otite. 

Para todas essas condições, com cuidados simples como atenção à hidratação e alimentação, busca por informações corretas sobre saúde, manutenção de bons hábitos de higiene e uso orientado de medicamentos, é possível minimizar ou até evitar as enfermidades. 


 





 
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