31/12/2019 às 08h24min - Atualizada em 31/12/2019 às 09h46min

Venda de fogos pode ser a maior dos últimos anos em Uberlândia

Movimento tem surpreendido lojistas, que projetam crescimento de até 3 vezes; recomendação pede maior fiscalização na queima de fogos com sons e ruídos

VINÍCIUS LEMOS
Historicamente, a principal procura no setor se concentra nos dois últimos dias do ano | Foto: Diário de Uberlândia
Comércios especializados em fogos de artifício esperam melhorar os resultados das vendas, no comparativo ao mesmo período de 2018, até o final da tarde desta terça-feira (31), véspera de Ano Novo. Historicamente, a principal procura no setor se concentra nos dois últimos dias do ano. A grande novidade para a virada são os fogos de baixo ruído, que ainda não se popularizaram, segundo os comerciantes.

“A procura está surpreendendo. Acredito que mercadoria não chega até às 14h desta terça. E não foi por falta de estoque, porque me preparei bem”, disse o comerciante Paulo Cristiano. Ele explicou ainda que desde o início do mês a procura chegou a triplicar em relação aos demais dias do ano. O balanço de vendas no fim de 2019, para ele, certamente será melhor que em 2018, chegando a se igualar ao ano de 2017, melhor período recente de vendas para da loja.

O empresário disse ainda que outra surpresa foi a vendas de kits mais caros, sendo que o mais vendido até agora custa R$ 1,3 mil e tem queima de 2 minutos e meio. “É um produto mais caro e tem até grande aceitação. Se tivesse mais, venderia todos, pois segue a procura por uma versão menor dele”, disse. Paulo Cristiano afirmou que o perfil de cliente varia de clubes a hotéis, passando por prefeituras de Minas Gerais e Goiás, a pessoas físicas que procuram kits simples a partir de R$ 40.

Com aumento de vendas de proximamente 10% até agora, o blaster pirotécnico Elvando Rodrigues Ferreira Filho, que também tem loja, explicou que espera que o volume de vendas aumente ainda mais antes das festas de réveillon. “Todo ano chegamos com a tendência de aumento em relação ao ano anterior”, afirmou.

SEGURANÇA
Elvando Filho lembra que a compra e a utilização de fogos de artifício dependem de conhecimento e cuidado para evitar acidentes. Por isso, há cerca de 10 anos, o especialista e o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Prefeitura de Uberlândia fazem campanha de orientação e distribuição de panfletos.

“Por exemplo, a gente primeiro pergunta o local da festa. A partir do tamanho do terreno, a gente oferece o produto adequado. Não adianta eu vender um produto para uma festa da dimensão do Rio de Janeiro se a queima vai trazer risco ou não ter o efeito desejado. Cada produto tem sua instrução, que deve ser seguida à risca”, disse Filho.

Ele lembrou ainda que pessoas alcoolizadas não devem manusear de forma alguma os fogos.

BAIXO RUÍDO
Com campanhas pela internet para que os fogos de artifício sejam evitados devido a incômodos a animais, crianças e idosos, os fogos de baixo ruído começaram a chegar com maior volume nos comércios locais. “Eles são feitos só para visual, não têm tiro. Futuramente, podem dominar o mercado”, disse o comerciante Ivan Cintra. Ele explicou ainda que os produtos do tipo são cerca de 20% mais caros, mas que têm atendido demanda em cidades como Araguari, Planura e Ituiutaba.

Elvando Filho, por sua vez, ainda não registrou aumento significativo na procura desse tipo de fogos. Segundo ele, isso acontece porque o grande público ainda não tem conhecimento amplo sobre o produto, que não tem estampido, deixando apenas o rastro de luz.

Recomendação
Para tentar diminuir os impactos causados pelo barulho dos fogos, uma recomendação administrativa expedida pela 
5ª Promotoria Criminal da comarca de Uberlândia, na tarde desta segunda-feira (30), pede que os estabelecimentos com eventos festivos de fim de ano não façam a queima de fogos de artifício com sons e ruídos. O documento também solicita reforço na fiscalização por parte dos órgãos competentes a fim de se cumprir as legislações que vedam a prática. 
  
O ofício foi enviado à Prefeitura de Uberlândia e aos comandos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Meio Ambiente. O promotor de Justiça em plantão, Thiago Ferraz de Oliveira, defendeu que a medida se faz necessária uma vez que os artefatos são nocivos ao meio ambiente e, especialmente, à saúde dos animais e de pessoas que apresentam hiper ou hiporreatividade aos estímulos sensoriais como autistas e idosos.

O descumprimento da recomendação poderá acarretar apuração das responsabilidades cível, administrativa e criminal dos agentes públicos, além do ajuizamento de medidas judiciais cabíveis.












 

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