24/12/2019 às 13h58min - Atualizada em 24/12/2019 às 13h58min

Agressão a morador de rua motiva protestos em Uberlândia

Homem teria sido agredido por segurança no Terminal Rodoviário na última semana

VINÍCIUS LEMOS
Protesto pedindo justiça ocorreu na porta da rodoviária na noite desta segunda-feira (24) | Foto: Divulgação
Integrantes do Fórum Permanente das Pessoas em Situação de Rua de Uberlândia cobram investigação sobre a agressão contra um homem na última semana no Terminal Rodoviário da cidade. Na internet circulou um vídeo que mostra a vítima sendo arrastada na calçada do terminal. Na noite de segunda-feira (23) uma manifestação na porta da rodoviária, no bairro Martins, lembrou o fato.

Segundo informou o presidente do Fórum, Jack Albernaz, na noite do dia 18, pessoas presenciaram o morador em situação de rua conhecido como Maurão ser espancado por um homem que trabalhava na segurança da Rodoviária. A vítima teria levado pelo menos um golpe forte na cabeça. O vídeo que viralizou em redes sociais e aplicativos de mensagem mostra o momento em que um homem arrasta a vítima e a deixa sangrando na calçada.

“As testemunhas tentaram fazer o BO [boletim de ocorrência] e não tiveram interesse no momento. Bombeiros foram chamados e fizeram atendimento no local. No dia seguinte, ele foi levado para o CAPS Saúde mental”, afirmou Albernaz.

Maurão é conhecido na região da Praça da Bíblia, em frente ao Terminal Rodoviário. Ele passa por tratamento psiquiátrico, mas pouco se sabe sobre a família dele e sua história. A Polícia Militar, contudo, apresentou o registro no sistema REDS do Boletim de Ocorrência do caso, feito às 20h45 do dia 18. Inclusive apontando que Maurão não quis ser levado para uma unidade de saúde e por isso o atendimento dos bombeiros foi feito no local. O registro ainda informou que “após ser atendido ficou sentado no local e logo após se levantou e foi embora caminhando e não quis nenhuma providência”. O segurança não foi encontrado, segundo a polícia.

Albernaz salientou que há pessoas que trabalham sem uniformes na Rodoviária e são seguranças contratados pela empresa Tricon, que administra o terminal, mas que tal fato é negado. “Esses funcionários trabalham à paisana. Eles tiram supostos moradores de rua, quem deita no chão, quem está pedindo. Eles não pedem, já chegam batendo. Fazem tudo isso aos olhos das câmeras, pessoas e da Polícia Militar. A gente tem levantado várias coisas lá dentro, como por exemplo: quando tem agressão por parte de seguranças da Rodoviária e a pessoa fica machucada e aciona os bombeiros. Eles depois cancelam os bombeiros”.

Ele ainda criticou políticas públicas da Prefeitura, informando que não há abrigos públicos do Município e que as subvenções para instituições não cumprem o papel que deveria ser de tratamento de pessoas em situação de rua.

A Prefeitura informou que Maurão foi acolhido pelo CAPS AD de saúde mental e que ele já é monitorado. Os Ministérios Públicos Estadual e Federal, segundo Jack Albernaz, já teriam sido acionados para investigar a situação. Procurada pelo Diário, a Tricon informou que o assunto está sendo tratado pela diretoria da empresa e que o diretor disse que não vai se pronunciar a respeito.
 
POLÍCIA
O tenente Daniel Santos, da Polícia Militar, disse ao Diário que no caso específico a vítima dispensou o registro policial. Foi feito um relatório interno, além do BO. A Polícia Civil recebeu o caso e abriu investigação. “Toda vez que a PM foi acionada, compareceu ao local. Pelos menos duas vezes por semana fazemos operações para abordagens. Seja verificar dívidas com a Justiça ou verificar se é possível e se há interesse para voltar para casa”, disse.

Ele explicou que a polícia não coaduna com agressões e que em ação recente junto à Prefeitura foram oferecidas 15 passagens a pessoas que se interessaram em voltar para casa em suas cidades, mas que desse total, pouco tempo depois oito dessas pessoas em situação de rua foram vistas novamente na Praça da Bíblia.

MANIFESTAÇÃO
Na noite de segunda, voluntários do Fórum Permanente das Pessoas em Situação de Rua de Uberlândia e moradores de rua se reuniram de frente ao terminal em manifestação. Eles usavam mordaças na boca em alusão à falta de voz de moradores de rua e cada uma segurava um cartaz exigindo acolhimento, justiça e menos repressão. Eles jogaram tinta vermelha no chão relembrando o vídeo em que Maurão foi arrastado.








 

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