26/12/2019 às 12h06min - Atualizada em 26/12/2019 às 12h06min

Custo dos estudos pode subir em até 10% no próximo ano

Aumentos com mensalidade, transporte e material escolar são esperados em Uberlândia

VINÍCIUS LEMOS
Procon já iniciou pesquisa de preços em papelarias e livrarias da cidade | Foto: Arquivo/Diário de Uberlândia
De valor de mensalidade a custos de transporte e de material escolar, o início de 2020 para pais será de aumentos que variam de 3% a 10% a depender do tipo de item procurado em Uberlândia. Todos os levantamentos foram feitos pelo próprio Diário junto a empresas, prestadores de serviço e, no caso das escolas privadas, em consulta junto ao sindicato patronal. Para janeiro está prevista a divulgação da tradicional pesquisa de mercado do Procon local, que também fiscaliza listas de materiais escolares e reajustes de mensalidades em busca de abusos.

Maior e mais longo custo para pais e responsáveis pelos estudantes, a mensalidade escolar deve ter reajuste médio na ordem de 6% em 2020. O índice varia de escola para escola com certa flexibilidade, segundo a presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais, Átila Rodrigues. O que determina o aumento são os custos da instituição de ensino em relação ao número de alunos. “A escola não tem um indexador para reajuste de mensalidades, o que vale é a planilha (da instituição). Recomposição de custos é o que puxou o valor (para o ano que vem), principalmente pela tributação da folha salarial”, explicou.

O sindicato aponta que muitas vezes não há investimento do próprio projeto pedagógico para que a planilha de custos não seja onerada. Sendo assim, o aumento das mensalidades em 2020 estaria dentro de uma média histórica. Ao mesmo tempo, Átila Rodrigues não imagina que isso fará com que matrículas ou rematrículas caiam de maneira significativa no período.

Também muito demandadas nos dois primeiros meses do ano, papelarias e livrarias já calcularam índices de reajuste repassados pela indústria. Em quatro comércios consultados pela reportagem, os aumentos em material escolar e livros didáticos variaram até 10%. Os repasses, entretanto, não são totais, segundo os empresários consultados. “Muita coisa a gente segura. O que é lançamento vem com aumento da indústria e este a gente repassa ao preço final, mas há itens nos quais fazemos descontos e promoções”, afirmou a chefe de compras e vendas de uma papelaria na região central de Uberlândia Silvana Lopes Ferreira. Cadernos e mochilas são itens com maior reajuste, principalmente aqueles com estampas de personagens de filmes, jogos e programas de televisão ou internet.

Há 21 anos no mercado, a dona de uma papelaria no bairro Santa Mônica Delma Helena explica que entre agosto e outubro os estoques dos estabelecimentos são renovados já visando o mês de janeiro do ano seguinte, período de maior procura do setor. A expectativa para 2020, todavia, segue a tendência dos últimos anos de vendas relativamente baixas. “Concorrência de lojas e hipermercados para uma papelaria de pequeno porte como a minha é pesada. Eles conseguem negociações para estoques que a gente não consegue, por comprarem muito. Há bastante tempo essa concorrência acontece. O que fazemos é dar descontos para clientes antigos”, afirmou.

Como estratégias para reduzir preços e atrair clientela, o empresário Silmar José da Silva abre mão de novidades para criar estoque logo após o período de maior demanda. “Já entrei em dezembro com vendas que normalmente acontecem em janeiro e com preços em promoção. Antecipei o estoque no início de 2019 e nestes produtos é que consigo dar descontos”, explicou o dono de papelaria no bairro Luizote de Freitas. Ele diz que dessa forma consegue evitar reajustes de produtos que lhe foram oferecidos com variações entre 3% e 8% nos preços.
 
LIVROS
A gerente de vendas da representante de uma editora em Uberlândia Ilta Albernaz contou ao Diário que os preços do papel, frete e contratos com autores definem os reajustes de livros didáticos em sua maior parte. Para este fim de ano e início de 2020 o reajuste varia entre 7% e 10% no segmento. Esse é o segundo aumento em um ano e tal fato somado à concorrência faz com que as expectativas de vendas sejam moderadas. “A internet tem nos incomodado bastante, é difícil concorrer por causa da estrutura que temos e os custos disso”, afirmou.
 
MODERAÇÃO
As variações nos preços de combustíveis nem sempre são repassadas na totalidade aos clientes do transporte escolar, que no ano que vem não deve aumentar mais do que R$ 10, segundo os próprios trabalhadores do setor. O que não quer dizer que o deslocamento não pese aos pais e responsáveis, que podem gastar uma média de R$ 200 por mês para que os estudantes sejam transportados, dependendo da distância do trecho percorrido.

“Eu não tenho como trabalhar sem aumentar pelo menos R$ 10 – principalmente por conta do combustível. Esse é o maior gasto, mais que a manutenção do veículo ou pagamento de taxas do Município. Tenho 28 anos de transporte escolar e nos últimos dois anos o diesel ficou pior”, disse a transportadora Marilda Cristina Martins. Ela explicou que o aumento de R$ 10 na mensalidade ainda é defasado, pois o ideal seria de pelo menos R$ 15 e que mesmo segurando parte do repasse ainda perde clientes.
 
LEVANTAMENTO
O Procon de Uberlândia já começou a fazer a pesquisa de variação de preços do material escolar em estabelecimento da cidade. Pelo menos 12 papelarias e livrarias passam pelo levantamento. Entre 20 e 25 escolas particulares também serão notificadas com a solicitação de listas e contratos para análise do órgão de proteção ao consumidor.

Segundo o diretor de fiscalização do Procon, Luciano Andrade, o objetivo da pesquisa de preços é apontar as discrepâncias no comércio do setor em Uberlândia. “Assim visamos motivar a pesquisa do próprio consumidor, sem que ele se obrigue a fazer toda a compra em um estabelecimento apenas”, disse. Variações de até 200% em itens são comuns, de acordo com Andrade. O resultado da pesquisa deve ser apresentado até a segunda quinzena de janeiro de 2020.

A respeito da análise das instituições privadas, o que o Procon procura são abusos como cobrança de material coletivo ou contratos com reajustes abusivos. Dependendo da constatação, pode haver sanções como multas e até suspensão dos trabalhos da empresa.

















 
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »