18/12/2019 às 16h58min - Atualizada em 18/12/2019 às 16h58min

Bombeiros e Defesa Civil orientam sobre como reagir durante tempestades em Uberlândia

Órgão emitiu um alerta para fortes chuvas nesta quarta-feira (18) acompanhadas de vento, trovoadas e raios

SÍLVIO AZEVEDO
Aposentada Expedita dos Santos Marques passou susto no final de semana passado, quando a casa foi alagada | Foto: Sílvio Azevedo
As chuvas que caíram na última semana causaram muitos estragos em Uberlândia. Foram 61 mm de água que arrastaram placas de asfalto, quebra-molas, carros, motos e invadiram casas. Diante do caos gerado pelas enxurradas, muitas pessoas acabam sem saber como reagir. Por isso, o Diário de Uberlândia conversou com especialistas para saber dicas de segurança para situações de risco causadas pelas chuvas.

Uma das residências afetadas fica no bairro Bom Jesus, onde moram o senhor Juverci Ferreira Marques, 75, que é cadeirante, e dona Expedita dos Santos Marques, 76, que perderam quase tudo por causa de uma forte enxurrada que invadiu todos os cômodos.

“Era umas 18h30 e falei com o Juverci para sairmos porque a água estava vindo de todos os lados e se aumentasse demais eu não conseguiria tirá-lo. Coloquei ele na cadeira e fomos para o carro.”

Durante a fuga, quase que Expedita é atingida pelo portão da casa, que se soltou com a força da água e caiu. Por sorte, dois rapazes que estavam no momento seguraram a estrutura e impediram que a idosa fosse atingida.

“Quando eu fui abrir o portão para sairmos, ele caiu com tudo. Tinham dois homens que vieram para acudir a gente e que o seguraram. Se não fosse por eles, uma hora dessa eu estaria lá no Bom Pastor”, disse.

Segundo dona Expedita, a água que invadiu sua casa veio de um laguinho artificial instalado em uma área do Colégio Batista Mineiro, que fica nas proximidades. “Moramos há 37 anos aqui e nunca aconteceu uma situação como essa. O lago transbordou, derrubou o muro da casa do vizinho e acabou descendo até aqui.”

Dona Expedita conta que perdeu muitas roupas e móveis e, por isso, tem precisado de ajuda. Interessados em fazer doações podem entrar em contato pelo telefone 99190-4854.

Por meio de nota, o Colégio Batista Mineiro informou também ter sofrido danos causados pela chuva e que se solidariza com os vizinhos. “O Colégio Batista Mineiro está em contato com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) para que seja aprovado um projeto para melhorar a captação de água da chuva na região para que, assim, danos como esses não se repitam na cidade.”

DEFESA CIVIL
Casos como o do casal de idosos são comuns em Uberlândia durante fortes chuvas e os moradores têm que prestar atenção nos primeiros sinais de que algo não está dentro da normalidade. Segundo o coordenador da Defesa Civil, capitão João Batista Afonso, ao primeiro sinal de riscos, deve-se deixar o imóvel e procurar um local seguro.

“No caso de casa alagadas pela chuva, se [os moradores] estiverem no interior da casa no momento que estiver ocorrendo vendaval ou chuva forte, e vendo que pode haver inundação, colapsar alguma parede, ou algo que coloque a vida da família em risco, deve-se abandonar a casa imediatamente, procurar um local seguro e ligar para os Bombeiros, pelo 193, ou a Defesa Civil”, disse.

A atenção deve ser redobrada em todos os casos, pois os problemas não se resumem apenas às residências localizadas nas áreas de risco já conhecidas. “Não precisa ser área de risco para as casas para aparecerem ocorrências com a chuva, porque têm problemas com telhados, água nos quintais, muitas casas com infiltrações, destelhamentos, refluxo de esgoto”, disse Capitão Afonso.

Em muitos outros casos, a falta de energia pode causar problemas para pessoas que dependem de aparelhos ligados a eletricidade. São situações em que os órgãos públicos também devem ser acionados.

“Muitas vezes acaba energia em Uberlândia e as pessoas precisam de oxigênio, que tem uma bateria com uma duração limitada e precisa ser carregada. Também deve-se acionar Bombeiros ou Defesa Civil que vamos prestar devido socorro. Já removemos famílias para deixar em local mais seguro”, disse o Capitão Afonso.

PEDESTRES
Em períodos de chuvas são comuns muitas descargas elétricas e raios. Para se proteger, os pedestres devem procurar os locais mais adequados, como interior de carros, ônibus ou edificações.

"Ao ver um raio você pode contar quantos segundos o som demora para ocorrer. A cada três segundos significa que o raio está a 1 km de distância, então você pode calcular o tempo necessário para se proteger. É importante evitar permanecer em piscinas, em áreas abertas como campos de futebol, e se abrigar embaixo de árvores”, explicou o coordenador da Defesa Civil, capitão João Batista Afonso.
 
AUTOMÓVEIS
Segundo professor da UFU, ideal é evitar transitar em ruas alagadas | Foto: Sílvio Azevedo
 

Outra cena muito comum de se encontrar durante fortes chuvas é a de veículos sendo arrastados ou ilhados pela água. Motoristas que decidem enfrentar a força das águas, além de comprometer o funcionamento de veículos, acabam colocando em risco a vida.

Segundo o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (Femec-UFU) José Antônio Ferreira Borges, encarar uma enxurrada pode causar uma série de problemas no veículo, alguns que podem dar mais prejuízo, outros menos.

“Com o escapamento no nível da água, quando o motorista tenta reduzir marcha, o motor perde potência e apaga. Nesse momento, o escapamento enche de água e aí o motor não tem força para ligar de novo. Mas essa é uma situação de falha de momento, que não danifica o motor.”

Em casos de apagamento do motor, o perigo está em o carro morrer e ser levado pela força das águas.

O problema grave, segundo o professor, é quando acontece o chamado calço hidráulico, que é quando a água entra no motor e acaba causando um dano permanente. “Em uma situação de alagamento, o motor pode puxar água e na hora de tentar comprimir o líquido, o choque provocado lá dentro do pistão, com água e o cabeçote, arrebenta o motor”.

O motorista tem que ficar atento a essas questões, porque não é necessário o carro estar com a água em um nível muito alto para acontecer um calço hidráulico.

“Isso acontece por conta da enxurrada, do fluxo da água. A pessoa está vendo uma enxurrada de 20 cm e vai cruzar. Na hora que a enxurrada bate na roda do carro, a água muitas vezes passa por cima do capô. Então é a onda formada pelo alagamento o suficiente para essa água ter acesso admissão e aí o carro engole a água. Aí você, além de ficar parado, vai ter um prejuízo enorme destruição do motor”, explicou o professor José Antônio.

Uma dica do professor José Antônio é não enfrentar uma situação dessas, mas para quem precisa atravessar uma enxurrada, deve sempre manter uma marcha pesada e o motor com rotação alta. “Não deve trocar de marcha, manter um ritmo constante que o carro tenha força para vencer a resistência oferecida pela água. Então se ela fizer isso ela tem uma melhor chance de sucesso”.

NA CORRENTEZA
De repente, no meio de uma chuva um motorista se vê em meio a uma situação caótica, com seu carro em uma correnteza. O que deve ser feito? De acordo com o sargento Dhiego Costa, do Corpo de Bombeiros, o importante é se manter em segurança e pedir ajuda aos militares.

“Procure um local alto e espere o nível da água baixar. Não pare o carro próximo a postes ou árvores. Muito cuidado com as poças de água que podem ocultar crateras. Lembrando que ao atravessar poças, mantenha a aceleração contínua em primeira marcha, dirija devagar, fique longe do carro da frente e evite locais baixos”.

Durante a semana um vídeo circulou a internet mostrando dois carros sendo arrastados pelas forças da água que corria pela Av. Rondon Pacheco durante o temporal do sábado (7). Nesse caso, o motorista aguardou dentro do carro e foi resgatado por um caminhão do Corpo de Bombeiros.

Caso a água esteja subindo muito e dentro do veículo esteja começando a ficar inseguro, o ideal é aguardar o socorro do lado de fora, sobre o carro. “Se a situação começar a ficar mais crítica, a gente pede que os passageiros saiam do veículo pela janela e aguardem o socorro em cima do teto deitado, segurando nas portas do carro”, explicou o sargento Dhiego Costa.

Há também casos em que cabos de energia elétrica caem sobre o veículo. A estrutura metálica do carro mantém essa carga em seu exterior, isolando quem está dentro do veículo. Assim, ocupantes estarão protegidos até a chegada dos Bombeiros e da Cemig. Porém, deve-se evitar contato com partes metálicas no interior.

PREVISÃO
Céu nublado nesta quarta-feira (18) em Uberlândia | Foto: Defesa Civil/Divulgação 

Até o próximo domingo (22), o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climatológicos (Cptec) aponta novas pacadas de chuva durante o período da tarde em Uberlândia. A Defesa Civil emitiu um alerta para tempestades nesta quarta-feira (18) acompanhadas de vento, trovoadas e raios.


Pela manhã o calor poderá ser excessivo com as temperaturas máximas chegando a 28ºC, mas no decorrer do dia o céu ficará nublado e os termômetros caem. Veja abaixo a variação de temperatura de cada dia.

Quarta-feira (18): 17ºC a 29ºC
Quinta-feira (19): 19ºC a 28ºC
Sexta-feira (20): 19ºC a 27ºC
Sábado (21): 19ºC a 27ºC
Domingo (22): 19ºC a 25ºC.

A umidade relativa do ar segue alta. Durante a manhã ela pode chegar a 90%, mas cai para 40% no decorrer da tarde. 

















 

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