15/11/2019 às 10h00min - Atualizada em 15/11/2019 às 10h00min

Cesta básica ficou 3,25% mais cara em Uberlândia

Foram necessárias 82h para comprar alimentos em outubro, diz Cepes

SÍLVIO AZEVEDO
Cerimônia na UFU apresentou histórico de 40 anos do Índice de Preços ao Consumidor | Foto: Sílvio Azevedo
O preço da cesta básica aumentou 3,25% de setembro para outubro, passando de R$ 364,04 para R$ 375,90. Entre os produtos que mais pesaram para o aumento da cesta básica estão a banana, que subiu 21%, e o tomate 15% mais caro. Já o que mais ajudou a não deixar o preço disparar foi a queda de mais de 8% no valor da batata e de 3% da farinha de trigo.

Os dados foram publicados pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais (Cepes), do Instituto de Economia e Relações Internacionais (Ieri), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), nesta semana, durante a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia (IPC).

No acumulado do ano de 2019, o valor da cesta básica sofre uma variação negativa de 2,44%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, chega a um aumento de 6,84%.

Outro dado apresentado é que, em outubro, o trabalhador de Uberlândia que recebe um salário mínimo teve que trabalhar 82h52 para poder comprar a cesta básica. A conta é feita dividindo o valor do salário pelas horas trabalhadas e comparado com o preço da cesta.

Com o aumento do valor da cesta básica, consequentemente, o valor do salário mínimo ideal para manter um nível de vida para três adultos ou dois adultos e duas crianças também subiu, passou para R$ 3.157,92, 3,26% maior que no mês de setembro.

INFLAÇÃO
Já o índice de inflação em Uberlândia ficou em 0,06% em outubro, a menor porcentagem desde o mesmo mês de 2007. No acumulado do ano, o índice chega a 2,05%. Os destaques ficaram com os preços de alimentação, transporte e habitação.

Nas contribuições positivas o destaque são os combustíveis veiculares, que tiveram variação de 5,3%, aluguel e taxas, com 1,88%, carnes, 1,57%. O principal item com contribuições negativas fica a cargo da energia elétrica, com uma queda de 4,39%.

“Essa queda no valor da energia se deve, principalmente à mudança da bandeira tarifária. Em setembro era vermelha e em outubro passou para a amarela. Essa redução tem um impacto importante na tarifa de energia elétrica residencial”, disse o economista do Cepes, Pedro Henrique Martins Prado.

A IPC mostrou que menos da metade dos produtos pesquisados tiveram variação positiva no mês de outubro. “Isso demonstra que não temos um caso de inflação acelerada, que está bem comportada e o nível de preços está razoavelmente estável”, explicou o economista.

40 ANOS DE IPC
Durante a divulgação do IPC, foi apresentado um breve histórico do índice, que em 2019 comemorou 40 anos de publicação. A economista da Cepes, Graciele de Fátima Sousa, ministrou uma palestra com a linha evolutiva da publicação, desde sua primeira edição em fevereiro de 1979.

“Temos vários momentos na economia do Brasil e Uberlândia. Em 1979 temos uma cidade menor, menos estabelecimentos para coletar preços a serem analisados, menos grupos, produtos. São vários momentos nesses 40 anos com altas inflações, planos econômicos implementados, alguns não dando certo, a implantação do Real, que estabiliza economia e a inflação se controla e períodos melhores para fazer o índice.”

Se no começo eram informações coletadas em papel e contas feitas na calculadora, hoje está tudo informatizado, com a utilização assistentes pessoais digitais (PDA) e do sistema IPC-Cepes. “Isso evita erros e equívocos de digitação que poderiam contaminar o índice”, disse Graciele.
















 

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