13/11/2019 às 09h02min - Atualizada em 13/11/2019 às 10h40min

​Gaeco denuncia vereadores e mais 4 por obstrução de Justiça

Alvos foram investigados nas operações O Poderoso Chefão e Torre de Babel; MPE ouve Wilson Pinheiro e Gilmar Machado nesta quarta (13)

CAROLINE ALEIXO
Juliano Modesto e o assessor Carlos da Mata foram investigados pelo crime na Operação Torre de Babel | Foto: TV Paranaíba/Reprodução
Seis investigados nas operações O Poderoso Chefão e Torre de Babel, realizadas pelo Grupo de Operação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Uberlândia, foram denunciados pelo crime de obstrução de Justiça. Entre eles estão os vereadores Alexandre Nogueira (PSD) e Juliano Modesto (suspenso do SD). Nesta quarta (13), o ex-prefeito Gilmar Machado e o vereador Wilson Pinheiro serão ouvidos pelos promotores de Justiça em continuidade às investigações. 

A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público Estadual (MPE) na 4ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia na última sexta-feira (8). Além dos vereadores, se tornaram réus os investigados Carlos da Mata, Fernando Naves, Hanner Wallisson de Lima e um ex-policial militar, que teve o nome preservado por também se tratar de colaborador premiado. Com exceção de Fernando, que está foragido desde a Operação Fênix em que também foi alvo, os outros permanecem presos no presídio Professor Jacy de Assis.

Juliano Modesto, que já tinha liminar de habeas corpus negada nas instâncias superiores, também teve pedido de liberdade provisória indeferido pela Justiça de Uberlândia na última segunda-feira (11). O julgamento do mérito do habeas corpus, que ocorreria nesta terça no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), saiu da pauta e não há previsão para ser realizado. Já o assessor da Mata teve o HC negado pela mesma Câmara Criminal do TJ na análise do mérito. A decisão cabe recurso.

DENÚNCIA
Os seis são acusados de tentar atrapalhar as investigações que apuram crimes praticados pela organização criminosa composta por grupo econômico formado, sobretudo, pela Cooperativa dos Trabalhadores de Passageiros e Cargas (Coopass) e a Associação de Transporte de Passageiros (ATP), que prestaram serviço de transporte escolar municipal em Uberlândia. A apuração aponta desvios milionários dos cofres municipais a partir da adulteração de documentos referentes à quilometragem rodada pelas vans.

Os promotores de Justiça concluíram que os vereadores planejaram intimidar o motorista cooperado que denunciou o suposto esquema às autoridades. Foi então que, em junho de 2017, o assessor parlamentar Carlos, em nome dos parlamentares, procurou o policial civil Fernando para contratar alguém que pudesse fazer as ameaças no intuito de atrapalhar as investigações. 

O ex-policial militar foi contatado por Fernando e executou o trabalho junto ao comparsa Hanner. De acordo com o MPE, o então PM também é apontado como integrante de uma milícia que também foi alvo das investigações na Operação Torre de Babel.  

Conforme informado pelo Diário no último mês, uma tentativa de intimidação ocorreu no trajeto que o motorista percorria na zona rural. A vítima transportava crianças da rede municipal de ensino e, em virtude disso, os suspeitos recuaram.  

Outra situação relatada ocorreu próximo à residência da vítima quando foi colocada uma tábua com pregos a fim de furar os pneus da van. Ele então desceu e foi abordado pela dupla, que simulou estar armada. Houve ainda ameaças feitas por meio de ligações para o celular do motorista. 

A reportagem procurou a defesa dos vereadores e do assessor, que informou ainda não ter conhecimento da denúncia para se manifestar. No andamento processual não estão cadastrados os advogados dos demais denunciados e, por isso, a reportagem não conseguiu localizá-los.  

Ex-prefeito e ex-secretários devem prestar depoimentos
O Gaeco ainda investiga crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e peculato envolvendo o grupo alvo da Operação O Poderoso Chefão. Também não foi descartado o envolvimento de funcionários públicos no esquema.

Questionado sobre o andamento das investigações, o promotor e coordenador do Gaeco, Daniel Martinez, informou que ainda estão sendo realizadas oitivas e análise de documentos. 

Gilmar Machado presta depoimento no MPE nesta quarta-feira (13) | Foto: PMU/Divulgação

Além da documentação solicitada à Prefeitura de Uberlândia, incluindo notas fiscais apresentadas pelas empresas envolvidas no esquema, o promotor vai pedir também documentos à Câmara Municipal relacionados à atividade parlamentar dos vereadores investigados, bem como arquivos da CPI das Vans. Neste caso em específico, o vereador Wilson Pinheiro (PP) é investigado por ter presidido a CPI na Câmara e, segundo o MP, ter favorecido a contratação do escritório de advocacia no qual era cliente. Ele está em prisão domiciliar devido a problemas de saúde e teve o mandato suspenso assim como os outros dois políticos. 

Durante a manhã desta quarta-feira (13), estão previstos os depoimentos de Pinheiro (PP) e do ex-prefeito Gilmar Machado (PT), que era o chefe do Executivo na época das irregularidades apuradas. 

Também devem ser convocados pelo promotor a prestar esclarecimentos os ex-secretários de Trânsito e Transportes, Alexandre Andrade, e de Educação, Gercina Novais. Os três ex-gestores já foram presos na Operação Kms de Vantagem, também envolvendo irregularidades semelhantes no transporte escolar, mas, até o momento, não são considerados investigados na Operação O Poderoso Chefão.  

 
HISTÓRICO
 




 
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