10/11/2019 às 08h00min - Atualizada em 10/11/2019 às 08h00min

A tecnologia aliada ao desempenho

Equipes investem em recursos tecnológicos para melhorar a preparação e os resultados dos atletas

EDER SOARES
Juninho irá monitorar jogadores do UEC durante as partidas | Foto: Divulgação

O esporte segue evoluindo em suas diversas modalidades, mas em todas elas o aspecto físico é cada vez mais importante na busca por melhores resultados. É nesse último quesito que a reportagem do Diário aborda nesta edição. Atletas profissionais tentam superar seus próprios limites e obter uma condição física privilegiada.

O futebol é um exemplo de como programas e a tecnologia vem sendo utilizados como ferramentas de trabalho fundamentais por parte dos preparadores físicos. No dia 25 deste mês, por exemplo, o Uberlândia Esporte Clube (UEC) iniciará a sua pré-temporada visando à disputa do Campeonato Mineiro – Módulo I de 2020.

O atual preparador físico do clube, Altamir Vicente Ferreira Júnior, conhecido como Juninho, estará à frente da preparação da equipe. Com passagens por 30 clubes do futebol brasileiro como Ceará, Fortaleza, Boa Esporte, Guarani de Campinas e CSA, Juninho é adepto ao uso de tecnologias para o monitoramento do desempenho dos jogadores, principalmente ao longo da competição. Ele gosta de trabalhar com jogadores jovens, já que atletas mais velhos têm maior tendência a sentirem mais a carga física, ficando mais suscetíveis a lesões e baixa competitividade.

No Campeonato Mineiro de 2010, os atletas do Verdão jogarão com um GPS, mais ou menos do tamanho de um chip, que é preso na camisa ou no short do jogador. “Hoje em dia existem muitas ferramentas de monitoramento de performance do atleta. Um dos mecanismos que utilizamos nos jogos são softwares que você coloca um GPS e ele te dá todas as ações do atleta durante o período que ele estiver em campo. E vamos utilizar isso aqui no Uberlândia. Os clubes grandes utilizam processos mais evoluídos como o Catapulti, que é um colete por baixo da camisa e que te dá 440 informações por segundo. É excepcional e que você monitora o atleta on-line. Você sabe o rendimento dele, o mapa de calor, onde o atleta atua ”, disse Juninho.

“Nos dias de jogos teremos todas as informações. Aí passamos estas informações, pós-jogo, tanto para os próprios atletas, quanto para a comissão técnica. Nos casos dos meus GPS, eu preciso baixar pós-jogo, já que durante o jogo eu não consigo fazer por estar envolvido com o jogo. Então baixo os dados na segunda ou terça-feira geralmente. Temos a zona que ele trabalhou, baixa, média e alta intensidades, números de sprints, percentual de zonas que ele correu, que ele caminhou e velocidade máxima. São situações que interessam ao atleta e para nós na preparação física e da comissão técnica”, completou.

Segundo Juninho, baseado nas informações é que são montados os trabalhos físicos ao longo da semana de preparação para os jogos. “Temos a preocupação de atingir o máximo físico do atleta, mas, ao mesmo tempo, sem causar lesões. Se ele tem algum desiquilíbrio muscular, vamos trabalhar no sentido de descobrir isso e trabalhar na correção, que é feita na prescrição do treino”, disse o preparador, que falou um pouco sobre a preparação física acompanhada da fisiologia, que, às vezes, gera alguns embates de ideias.

“A fisiologia controla a carga de treino, objetivando deixar o grupo sempre descansado. O atleta cansado, a performance é sempre inferior. O monitoramento de carga é muito importante. Eles (fisiologistas) previnem mais do que visam a performance, e isso, às vezes, bate de frente com a gente da parte de preparação física. Nós queremos rendimento, e isso acaba gerando certa discussão”.
Juninho destacou ainda novas tecnologias existentes no mercado e garante que os grandes clubes saem na frente, porque investem na compra de equipamentos. “Existe a câmera hiperbárica, que monitora o atleta por dentro em várias camadas e é um instrumento fantástico. Existe uma câmara de resfriamento, estilo de pneus de carro de F1 que se coloca sobre a musculatura dolorida, sem o jogador precisar entrar inteiro numa banheira de gelo, que, às vezes, é incomodo, ou seja, é tratado diretamente o local. São coisas recentes e que a indústria não para de criar”.
 
VÔLEI
Pronto para a temporada 2019/2020 do voleibol brasileiro e internacional, o Dentil/Praia Clube terá pela frente cinco competições em uma longa e desgastante jornada. O preparador físico do clube, José Antônio Martins, o Batata, terá muito trabalho pela frente, mas para isso conta com alguns instrumentos fundamentais no monitoramento e preparação das jogadoras praianas.

Atualmente no Praia são utilizados a plataforma VERT, para controle de saltos, e o PSE/PSR (Percepção Subjetiva de Esforço e Percepção Subjetiva de Recuperação). “A importância é que através desse controle podemos mensurar e valorar o estado físico do atleta. São mecanismos de controle no qual alertamos toda a comissão técnica e o próprio atleta sobre seu nível de estresse e condições de poder jogar/treinar ou não”, disse Batata.

“Vale ressaltar que, no início da temporada, fazemos testes físicos onde avaliamos o estado físico inicial das atletas, possíveis desequilíbrios musculares e carências. Com auxílio da UFU, fizemos testes de força máxima, agilidade, velocidade e saltos. Sem dúvidas o uso da tecnologia, como o das plataformas de salto, é fundamental na busca pela melhor performance dos atletas, tanto em relação a melhora física quanto na prevenção de lesões”, afirmou.
 
EQUIPE PARALÍMPICA

Falta de recurso pode ter custado o ouro

 

Leandro Garcia acompanha testes em Rodrigo Parreira | Foto: Divulgação
 
A equipe paralímpica de atletismo da Aparu/Uberlândia, que mantém parceria com a Futel e faz seus treinamentos no Sesi Gravarás, utiliza de softwares gratuitos para o monitoramento dos paratletas. Sem contar com recursos para comprar dispositivos de última geração existentes no mercado como os famosos GPS e outras plataformas, o técnico Leandro Garcia garante que o jeito é apelar para programas gratuitos existentes na internet, e que podem ser baixados diretamente nos celulares dos atletas.

“O que usamos hoje é até legal, pois podemos controlar ritmo, percurso e durante as provas ter um retorno, de forma barata. Usamos estes aplicativos de corrida e conseguimos passar treinos para que os atletas possam fazer em outros horários. Mas, fora isso, não temos recursos para aplicar em novas tecnologias”.

“Não temos dinheiro para comprar o GPS, o que nos daria um recurso a mais no caso dos atletas que precisam correr mais. Hoje, temos performance a nível internacional. E quando se chega nesse nível, o atleta passa a ter uma dependência ainda maior da tecnologia, pois o impacto da tecnologia é direto na performance”, disse Garcia, que citou um exemplo básico e que mudaria resultados já importantes, caso a equipe contasse com novos recursos. Segundo ele, Rodrigo Parreira poderia ter conquistado a medalha de ouro no Rio 2016, caso o time contasse com um aparelho.

“O Rodrigo Parreira, no salto em distancia, foi medalha de prata na Paralimpíada do Rio de Janeiro, empatando com o primeiro lugar com o atleta australiano. Se tivéssemos fazendo um trabalho com um pouco mais de controle, ele poderia ter saltado um centímetro a mais e ganhado a medalha de ouro. Então, a diferença foi muito pequena, o que acaba fazendo diferença se tivéssemos alguns recursos a mais no dia a dia de treinamentos”, disse.
 
CUSTO QUE FAZ A DIFERENÇA
A equipe paralímpica precisa de uma plataforma de salto com software, com custo médio de R$ 15 mil e uma balança de bioimpedância, com custo aproximado de R$ 2 mil. “A plataforma de salto com software vai mandar várias informações e isso é muito importante para avaliarmos o treino, o resultado do treino, ver o rendimento, prevenir lesões. É um aparelho simples e que nos dá muitos recursos. A balança de bioimpedância dá uma avaliação fidedigna da composição corporal do atleta, como água, massa magra, massa óssea a densidade corporal como um todo. Utilizamos algo caseiro, mas que não dão os mesmos resultados. Se tivéssemos estes equipamentos isso impactaria diretamente nos resultados dos nossos atletas”, conclui Garcia.







 

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