28/10/2019 às 10h12min - Atualizada em 28/10/2019 às 10h12min

Charme e competência à beira do campo

Uma das assistentes mais antigas na LUF, Lívia Tozato espera o crescimento das mulheres na arbitragem

EDER SOARES
Lívia Tozato atua em jogos do Amador e competições regionais | Foto: Lucas Portes Kakau

A cada dia, a mulher vem ganhando mais espaço dentro do esporte e mostrando sua competência em áreas ainda predominantemente masculinas, mas que, com persistência e seriedade vem quebrando resistências. Nesta edição, o Diário de Uberlândia traça o perfil de Lívia Tozato, de 39 anos, uma das mais antigas árbitras assistentes – também conhecidas como bandeirinhas - do quadro da Liga Uberlandense de Futebol (LUF).

Natural de Campina Verde, Lívia é graduada em Educação Física, com pós-graduação em esportes coletivos, treinamento desportivo e educação especial. Além de atuar aos finais de semana no Campeonato Amador e competições regionais, ela também divide seu tempo trabalhando como professora de dança nos poliesportivos da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel).

A arbitragem é a sua grande paixão dentro do esporte, trabalho que ela não pensa em deixar tão cedo. “Iniciei na arbitragem em 2009 e sempre amei futebol. Eu estava na faculdade e meu professor disse que iria ter curso para árbitros, foi então quando eu liguei na LUF e falei com Ricardo Graciano, que é o meu exemplo, e iniciei. Para mim, levantar cedo aos finais de semana e ir para os campos fazer o meu trabalho de assistente é muito prazeroso e não quero deixar de jeito nenhum. Estar junto com as pessoas e principalmente ter o meu trabalho reconhecido. Tudo isso não tem preço”, disse.

Lívia faz parte de um grupo ainda bem restrito. Na Federação Mineira de Futebol, dos cerca de 370 árbitros federados, somente 41 são mulheres. Em Uberlândia, são aproximadamente 80 árbitros na LUF e apenas seis do sexo feminino.

Desde que iniciou como árbitra assistente, houve somente uma parada em função do filho Crystian, hoje com 14 anos. “Fiquei dois anos afastada por que estava cuidando mais do meu filho, mas retornei neste ano. Existe uma fase que entendo ser fundamental, no sentido de a gente priorizar a família e meu filho é a coisa mais linda e importante que tenho. Ele, aliás, também está no esporte, como eu, e atualmente joga futebol na escolinha da Futel e do Euro Barcelona. Incentivo muito para que ele continue inserido no esporte e para que nunca saia”, afirmou.

Sempre que é questionada se não almeja trocar a função de assistente pela de árbitra, que tem maior visibilidade nas competições, ela responde categoricamente que não. “Amo ser assistente e não tenho vontade de ser árbitra principal. Gosto muito de correr ali pela linha de campo e observar o posicionamento de impedimento, bem como outras situações em que o assistente precisa estar sempre atento. Entendo que a função de assistente possa ser até tão importante como a de árbitro. As duas funções, aliás, se completam e uma não pode ficar sem a outra”, disse.
 
HISTÓRIAS

Assédio, homenagens e até flores no gramado
A assistente conta que, por ser mulher e ser atenciosa com as pessoas, às vezes, alguns jogadores acabam confundindo as coisas. Ela lembra que no início da carreira, principalmente, o assédio por parte de atletas era algo comum. “Graças a Deus, todos os atletas com quem trabalho me tratam com muito respeito, mas teve alguns fatos engraçados. Um jogador do amador, certa vez, fez um gol e correu até mim para dizer: Esse gol é pra você. Você roubou o meu coração (risos). Teve um jogador famoso, em um dos jogos do Futebol Contra a Fome, no Parque do Sabiá, que me mandou flores e disse estar apaixonado, mas eu levei na brincadeira”, afirmou.

MEIO MACHISTA?
Como uma das poucas mulheres dentro da arbitragem local e conhecedora da causa, Lívia Tozato destaca que a mulher é mais detalhista do que os homens e que podem contribuir muito mais, ajudando no crescimento do futebol, caso o espaço seja realmente ampliado com o passar dos anos.

“No início, tudo é complicado até que você consiga mostrar a sua capacidade e que pode fazer um bom trabalho, tão qualificado quanto o de qualquer homem. O fato do gênero não pode ser tomado como parâmetro para análise do seu desempenho dentro de campo. Hoje conquistei o meu espaço, e acreditem, a mulher é bem mais detalhista. O respeito, graças a Deus, por mim, é primordial. Me tratam super bem e não tenho absolutamente nada a reclamar”, disse Lívia, que fez questão de dizer ainda que é muito ajudada pelos árbitros homens.

“Todos me respeitam muito e me ajudam bastante, e isso acontece porque reconhecem a capacidade da mulher e que ela pode desempenhar o trabalho dentro da arbitragem da melhor maneira. Vejo que, a cada ano, a mulher vem ganhando melhor reconhecimento dentro do futebol, não somente aqui em Uberlândia, mas como em todo o mundo”.

Atualmente, a LUF conta com seis mulheres dentro do seu quadro de arbitragem, mas Lívia acredita que este número irá se igualar com os homens ao passar dos anos. “Atualmente somos seis mulheres, são poucas sim, mas todas mulheres que não precisam provar mais nada em termos de competência. Acho que o trabalho agora é em dar mais oportunidades, tem mulheres interessadas e que podem contribuir muito com a arbitragem, seja como assistentes ou árbitras”.
 
PROFESSORA
Além da atuação em campo, Lívia Tozato trabalha na Futel há oito anos como supervisora esportiva e professora de mix dance. Ela tem como campo de trabalho o poliesportivo São Jorge.

“Eu amo o que faço. O esporte é tudo na minha vida. Temos que vivenciar e aproveitar para cuidar do corpo e da alma, da mesma forma que cuidamos das outras pessoas”, citou Lívia. “Fico muito feliz em ter a oportunidade de contribuir de forma significativa para que milhares de pessoas tenham uma vida mais saudável, pois fazer esporte prolonga a vida de quem faz”, completou.




 

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