20/10/2019 às 09h11min - Atualizada em 20/10/2019 às 09h11min

Ginástica artística ganha novo espaço e amplia atendimento em Uberlândia

Equipe da Futel conta agora com espaço próprio no UTC; atendimentos podem chegar a 450 alunos em 2020

ÉDER SOARES
Unidade conta com novos equipamentos; número de alunos atendidos passou de 120 a 230 | Foto: Éder Soares
A ginástica artística é um esporte que encanta a muitos pela riqueza de movimentos, seja no solo ou nos aparelhos, como cavalo e argolas. No próximo ano, durante a disputa do Jogos Olímpicos do Japão, mais uma vez a modalidade estará entre os esportes mais esperados pelos telespectadores e internautas.

Em Uberlândia, a ginástica passou a ter desde o começo da última semana uma nova casa, e a expectativa é que a cidade seja futuramente um celeiro para a revelação de talentos para o cenário brasileiro e internacional. A equipe da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), que tem como um dos treinadores a experiente Maria Raquel Borges, desde 1999 ocupava um espaço dividido em um dos ginásios da Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mas, com a mudança, ganhou espaço amplo e novos aparelhos.

As atividades da ginástica agora acontecem no Ginásio Dr. Eugênio, no UTC. Com a antiga parceria entre Futel e UFU, eram atendidos o máximo de 120 alunos. Com a mudança de local, o número de atendimentos subiu para 230, e foram matriculadas gratuitamente crianças que estavam em lista de espera. A previsão é que, no ano que vem, sejam atendidos até 450 alunos. Segundo Maria Raquel Borges, um dos quatro professores da ginástica artística, a mudança proporcionará muitos benefícios.

“Como não precisaremos dividir o espaço com outros grupos, conseguiremos separar os alunos por turma, de acordo com a faixa etária. Além disso, poderemos atender um número maior de alunos, que são as crianças e os adolescentes que estavam na lista de espera. No próximo ano teremos condições de matricular mais crianças”, disse.

No total, a Prefeitura de Uberlândia investiu mais de R$ 345 mil na aquisição dos novos equipamentos, como paralela assimétrica, barra para treino assimétrica, duas traves de equilíbrio, mesa de salto, argola, paralela masculina, cavalo com alças, cogumelo para treinamento de cavalo com alças, aparelho solo 12 x 12 oficial, colchões de queda, colchões tipo sarneige e trampolins tipo Reuther. Além dos aparelhos, o ginásio Dr. Eugênio foi totalmente revitalizado e adaptado para receber a ginástica artística.

“O intuito é oferecer gratuitamente às crianças e aos adolescentes a melhor estrutura possível, com equipamentos novos e de qualidade, além de professores habilitados para essa modalidade”, afirmou o diretor geral da Futel, Edson Zanatta.

TALENTOS
Alguns pequenos talentos da equipe de ginástica olímpica começam a dar os primeiros passos no esporte e a conquistar medalhas. Um exemplo é a pequena Ana Laura Moreira, de 9 anos, que ganhou cinco medalhas no Regional disputado em Belo Horizonte. A atleta trouxe duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze, apenas o começo do que pode ser uma longa trajetória. “Gosto muito de fazer ginástica, de competir também. Quero um dia disputar competições importantes como as Olimpíadas”, disse a menina.

Outra que também quer trilhar o caminho para ser uma ginasta de sucesso, como Daniele Hipólito e Daiane dos Santos, é Julia Silva, de 8 anos. Na mesma competição, realizada na capital mineira, ela trouxe três medalhas, sendo uma de ouro e duas de prata. “É muito bom treinar aqui, estou muito feliz e quero seguir na ginástica para sempre, pois é um esporte que eu amo muito”, disse.
 
Professora ensina modalidade desde os 19 anos
Maria Raquel, hoje com 51 anos, é a mais antiga professora da ginástica artística local em atividade, e com muita história para contar. Ela começou na UFU aos 17 anos como atleta, rapidamente montou uma equipe e com apenas 19 anos já era professora. Precisou parar de dar aulas por um período de cinco anos para tratar de uma hérnia de disco. Quando retornou às atividades, reencontrou professores que foram seus alunos, como a Roberta e Mário Sérgio.

“A ginástica está nas mãos deles [dos jovens professores]. Também sempre digo para que nunca deixem de estudar, aprender e tentar fazer o melhor, pois todos os dias o esporte evolui e a gente não pode ficar para trás”, disse Raquel, que falou também sobre o futuro da ginástica uberlandense.

“Aqui, além de atender mais alunos, podemos crescer mais em nível nacional. Já fomos em vários torneios neste ano, como no Nacional disputado no Rio de Janeiro, no centro Olímpico. Foi bom para ver como estávamos tecnicamente e ainda tivemos atletas que foram muito bem. É uma turma nova e que tem muito a crescer, mas com toda a certeza ainda trarão grandes resultados para Uberlândia.”

Para terminar, a professora faz questão de ressaltar, além da parte de competitividade, o lado de benefícios na vida das crianças. “A ginástica artística desenvolve a concentração, superação de limites, as crianças se tornam mais perseverantes, pois precisam repetir muito os treinamentos, muitas vezes superando a dor. Elas treinam quatro horas diárias. Trata-se de uma escolha familiar e as crianças têm que ter um perfil”.
 
Esporte chegou ao Brasil com imigrantes alemães
A ginástica artística, também chamada de ginástica olímpica, é uma modalidade esportiva que envolve movimentos que exigem precisão, força, flexibilidade, agilidade, coordenação e equilíbrio. Portanto, o domínio do corpo é uma das principais características desses atletas. Embora inicialmente praticada somente por homens, hoje essa modalidade está presente em ambas categorias (masculina e feminina).

No início do século XIX, o pedagogo alemão Friedrich Ludwig Christoph Jahn (1778-1852) foi um dos responsáveis por transformar a ginástica artística em modalidade esportiva. Ele fundou clubes de ginástica para jovens e interessados na modalidade e ainda criou diversos aparelhos que são utilizados até hoje. Por esse motivo, é chamado por alguns de “pai da ginástica”. Visto que a prática era tida como perigosa, Jahn foi preso e a ginástica proibida.

A ginástica artística chega ao Brasil no final do século XIX. Trazidos por imigrantes europeus, foi nos Estados da região do sul que ela teve início. Em 1858 foi fundada, em Santa Catarina, a Sociedade de Ginástica de Joinville. Dez anos depois, foi fundada em Porto Alegre outra organização dessa modalidade: a Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa).

MODALIDADES
As mulheres disputam exercícios de solo (com fundo musical), salto sobre cavalo (de 1,10 m de altura, na horizontal), barras assimétricas (de 2,30 m e 1,50 m de altura), e trave de equilíbrio (de 10 cm de largura e 5 metros de comprimento). Já os homens competem no salto sobre o cavalo, barras paralelas, cavalo com alças, barra fixa, solo e argolas.
 







 
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