14/10/2019 às 10h35min - Atualizada em 14/10/2019 às 10h35min

Congado tem último dia de atividades em Uberlândia

Programação dura o dia todo com atrações espalhadas pela cidade

ADREANA OLIVEIRA
Imagens da série “Chapelaria Congadeira”, com registros entre 2015 e 2018 | Foto: Sérgio Rhodrigues

Uberlândia acordou mais colorida neste domingo (13), dia marcante para todos que participam da festa em louvor à Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que começou cedinho com a saída dos ternos do bairro Santa Mônica até à rua Prata, no bairro Aparecida, no tradicional encontro na casa do Presidente. O congado segue nesta segunda-feira (14) com programações espalhadas pela cidade.

Se tem algo que os congadeiros honram é a memória. Aqueles que iniciaram esta tradição e já não estão mais por aqui são lembrados nas novenas e nas bandeiras dos mais de 20 ternos da cidade, divididos em cinco grupos: Catupés, Congos, Marinheiros, Moçambiques e Marujos.

Os Moçambiques são facilmente reconhecidos por serem os únicos a usarem as gungas nos pés, instrumento que leva o som de baixo para cima. Porém, por debaixo de todas as cores das roupas, bandeiras e instrumentos que saltam aos olhos de quem acompanha o trajeto até a reunião na praça da Igreja do Rosário está uma cor. A negra.

O historiador Jeremias Brasileiro, que recentemente lançou o livro “Ler Imagens – Contar Histórias: Cronivivências de uma cidade em preto e branco” (Ed. Subsolo, 60 páginas), faz questão de rechaçar que é preciso que a comunidade, a sociedade em si, entenda e participe mais de tudo que envolve os acontecimentos do mês de outubro. “Nós vivemos a cidade o ano todo”.

Basta um momento de reflexão. Pense na sua reação a, por exemplo, encontrar no seu caminho um terno em procissão. Você faria um sinal e cumprimentaria, esperaria pacientemente eles passarem ou reclamaria baixinho dentro do carro por estarem “te atrasando”?

Durante a festa no Centro você reclama das mudanças realizadas no trânsito, no “prejuízo” para os estabelecimentos da região e torcem para que “mudem” a festa para outro lugar, o realmente celebra junto?

São muitos os olhares e as percepções. Por isso, o Diário de Uberlândia presta hoje uma homenagem a essas pessoas por meio de registros de fotógrafos que aceitaram nosso convite para enviarem suas melhores imagens da festa com percepções a partir de seus olhares.

A eleita por Cíntia Guimarães, feita no ano passado, traz movimento. “É o que para mim essa festa representa, uma conexão entre as pessoas e as coisas. Entendo que essa festa é um movimento, por isso gosto de fotografar as danças das pessoas, dos olhares, das cores”.


A festa representa movimento e conexão entre as pessoas | Foto: Cíntia Guimarães

O artista plástico e arte-educador Sérgio Rhodrigues também atendeu ao nosso convite. Ele está com uma exposição em cartaz na cidade sobre o tema. Ele elegeu imagens da série “Chapelaria Congadeira”, feita entre 2015 e 2018. “Meu olhar artístico sobre Congado encontra-se na visualidade das indumentárias e adereços, com foco especial nos chapéus decorados com a quais muitos congadeiros se apresentam nos dias da festa. Suas materialidades de pedrarias, fitas, cordões de São Francisco, franjas, flores e fitas trazem uma similaridade com a visualidade das Escolas de Samba, que é meu principal objeto de estudo”, comento ele.

O artista acompanha há 4 anos as apresentações do Congado, fotografando esses chapéus que, sobre a cabeça e / ou costas dos congadeiros, muitas vezes ocultam seus rostos, e nisso se tornam, também, um elemento de identidade desses indivíduos, em diversos níveis: objetos artesanais que carregam a identidade individual de seu autor, de que o usa, do grupo (terno) a qual pertence, e da festa do Congado como um todo.

Com experiência na fotografia jornalística e artística, Paulo Augusto Soares por muitos anos acompanhou de perto a Festa do Congado. Para ele, o mais marcante é a presença das crianças, as cores e principalmente a ocupação da cidade pelos congadeiros.
Entre as imagens selecionadas pelo experiente fotógrafo Beto Oliveira está em destaque a gunga em um integrante de um terno Moçambique. Ele selecionou outros registros, sem data exata e na maioria delas, a legenda é dispensável.
 
SERVIÇO

PROGRAMAÇÃO - FESTA DO CONGADO
Segunda-feira (14), das 8h às 23h
Missa: segunda (14), às 18h, na Igreja e Praça do Rosário
Entrada franca
Classificação: livre

A partir das 08h: Visita aos festeiros, que vão até 17h

Rua Nicarágua 185 Bairro Tibery
M. Belém. Congo Amarelo Ouro, Marinheiro de São Benedito, Congo Verde e Branco, Catupé Azul e Rosa, Moçambique Quilombo dos Palmares, Moçambique Guardiões de São Benedito, Marinheiro de Nossa Senhora do Rosário

Rua Dom Bosco 405 bairro Maravilha
Congo Prata, Moçambique Raízes, Marujos Azul de Maio, Moçambique do Oriente, Congo São Domingos, Catupé (Martins)
Rua Jeronimo Martins do Nascimento 541 Bairro Aparecida Moçambique Princesa Isabel, Moçambique Estrela Guia, Congo Santa
Ifigênia, Congo Rosário Santo, Congo Camisa Verde

Avenida Jerusalém 1248 Bairro Canaã
Congo Sainha, Moçambique Pena Branca, Catupè(B. Dona Zulmira, Catupé ( B. Mansour) Moçambique Angola,

Às 17h30, ocorrerá a despedida na casa do Presidente
Às 18h30, ocorrerá a despedida na porta da Igreja
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CURIOSIDADES
144 anos de tradição
11.321 é o número do Decreto de 29 de agosto de 2008 que tornou a Festa do Congado Patrimônio Imaterial Municipal
25 ternos
5 mil pessoas envolvidas entre homens, mulheres e crianças
20 mil pessoas em média acompanham a festa no domingo
 
DIVISÃO DOS TERNOS
Catupés
Congos
Marinheiros
Moçambiques
Marujos
 


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