13/10/2019 às 07h45min - Atualizada em 13/10/2019 às 07h45min

Claudia Raia estreia peça neste mês em Uberlândia

Diário entrevistou a atriz, que falou sobre o novo projeto dirigido pelo marido, Jarbas Homem de Mello

ADREANA OLIVEIRA
Claudia Raia na plenitude de quem sabe o que quer e principalmente o que não quer | Foto: Tato Belline/Divulgação

Alguns jornalistas têm resistência às entrevistas virtuais. Às vezes desconfiam que assessores bem treinados respondem há algumas perguntas. Mas há casos e casos. E aplicativos de mensagens como o WhatsApp têm contribuído com muitas entrevistas feitas a longa distância. No caso de uma entrevista com Claudia Raia, nem um assessor extraordinariamente treinado soaria como ela! Claudia está há tanto tempo “em nossas vidas” que ousamos pensar que a conhecemos, dá até para imaginar ela falando, percebe-se o sorriso entre as frases.

Com 38 anos de carreira, na passarela, TV, cinema e teatro, budista, mãe de dois filhos e uma pessoa de bem com a vida, Claudia merecia, neste texto, um título que resume bem essas mulheres maravilhosas nos últimos tempos: um mulherão da p****!

Nos últimos preparativos para a estreia nacional de “Conserto Para Dois”, que acontecerá em Uberlândia nos dias 26 e 27 de outubro, no Teatro Municipal, ela respondeu às perguntas do Diário de Uberlândia entre um ensaio e outro. No espetáculo ela atua junto com o marido, Jarbas Homem de Mello, também diretor da produção que traz a atriz pela primeira vez à cidade.

DIÁRIO DE UBERLÂNDIA - Cláudia, obrigada por atender ao Diário de Uberlândia, só posso imaginar a correria em que se encontra nessa reta final de estreia de espetáculo. Primeiramente, gostaria de saber o que contribuiu para Uberlândia ser eleita a cidade a receber a estreia nacional de "Conserto para Dois".
CLÁUDIA RAIA: Estou muito feliz por falar com vocês. Estamos ensaiando muito para a estreia da turnê de “Conserto para dois” em Uberlândia. Nossa ideia desde sempre foi fazer esse espetáculo em um formato de turnê. Começamos a ver as datas e Uberlândia tinha os dias para a estreia. Não pensamos duas vezes e viemos (risos). Além de ser a estreia de “Conserto para dois”, será a minha estreia nos palcos da cidade também. Tenho certeza de que será muito especial começar a turnê aí. Estamos muito animados!

Li uma entrevista em que falou sobre ficar mais independente dos patrocínios e a escolha de um formato mais enxuto para este espetáculo. Mesmo assim, sei que o investimento é alto porque vocês têm um padrão de qualidade que não negligenciam. Fale um pouco desse processo dos bastidores, a escolha dos profissionais que integram o projeto, as reuniões, tudo que antecede os holofotes.
Quando a gente fala em um espetáculo enxuto é porque são menos atores no palco (risos). Somos apenas eu e Jarbas [Homem de Mello]. Mas, amor, somos nós dois interpretando 11 personagens. Então, são muitos figurinos, por exemplo. Bruno Oliveira, nosso figurinista, trabalhou muito para nos ajudar a encontrar o tom desses personagens por meio dos figurinos também. Nosso cenário tem uma base de navio e vai se desdobrando nos outros ambientes. A gente brinca que é nossa caixinha de surpresas (risos). Tudo muito bem pensado pela nossa cenógrafa, Natália Lana. Temos o luxo de ter a Kátia Barros como nossa coreógrafa e codiretora. O texto é da Anna Toledo, que escreveu um roteiro tão atual, divertido, engraçado. As músicas são dela com Tony Lucchesi, nosso diretor musical, e Thiago Gimenes. Temos a equipe que nos ajuda nas trocas de roupa, e são parte do nosso elenco de certa forma. Somos uma grande família. Todo mundo acompanha os ensaios, olha, participa. Isso faz toda diferença. E estamos todos na mesma sintonia, de fazer um espetáculo lindo e divertir o público.

Você e o Jarbas estão juntos há quase 10 anos...agora casados. Como essa união pessoal e profissional tem evoluído? Vocês são muito exigentes um com o outro e consigo mesmos?
Nós temos uma sintonia muito grande. Somos muito dedicados com o que fazemos e muito comprometidos. Desta vez, além de atuar ao lado dele, sou dirigida por ele. É uma experiência maravilhosa. Eu amo ser dirigida. Gosto que o diretor me diga o que fazer. Eu posso vir propondo coisas. Mas é fundamental para mim um diretor que saiba o que quer e que diga para mim. Eu obedeço porque acho que o espetáculo está na cabeça do diretor. No caso, do Jarbas, desta vez. Estou muito feliz por ser dirigida por ele. Jarbas tem muito bom gosto, as escolhas dele são sempre as melhores. E, mais do que tudo, ele conhece os meus truques de atriz. Então, ele vai por outros caminhos. Isso é muito legal!

Assisti a um vídeo com o trecho de uma entrevista sua falando sobre a vida da mulher após os 50 anos, muitas amigas compartilhando acompanhado das hashtags como musa, diva, amo, me representa... Acredito que a questão do empoderamento feminino está dentro de cada uma e a dificuldade é entender isso e agir para ser dona de si. Imagino que sua vida não foi um mar de rosas, todos temos problemas, frustrações... gostaria que falasse um pouco como lidava com esses tipos de situação e o papel do budismo na sua vida.
Eu sempre enfrentei o que viesse e sempre corri atrás do que queria. Para fazer isso, foi necessário aprender a lidar com o que não sai como planejado, com a frustração do que foge ao nosso controle. E me permitir aprender com essas coisas para fazer diferente em uma outra situação. Eu aprendi na prática mesmo (risos). Acho que com todo mundo é assim. Quando a gente entende que isso é a vida, vai aprendendo a navegar com isso. O budismo me ajuda a buscar um equilíbrio e um entendimento. Assim como a meditação me ajuda neste sentido.

Você sempre encontrou tempo para tudo que precisava? Após a maternidade, mudou muita coisa?
Eu sempre fiz meu tempo. Procurei dividir da melhor forma. Nem sempre consegui estar presente da maneira que gostaria, mas sempre fiz o meu melhor para equilibrar da melhor maneira. Depois da maternidade, as coisas mudam. Já paguei uma multa em um teatro, por exemplo, porque não fiz uma sessão para assistir à uma apresentação de balé da minha filha. E eu fui aprendendo e entendendo o que merece minha atenção e quando, para fazer tudo que eu queria fazer da melhor maneira. A maturidade também traz isso. Brinco que hoje vivo no modo econômico (risos). Não quero abraçar o mundo. Entendo o que é prioridade e foco nisso.

Na sua adolescência, vi que tinha 1,70m aos 13 anos e se sentia muito desengonçada, creio que a arte te ajudou e muito a se aceitar do jeito que era. Você se imagina sendo adolescente nos tempos atuais? Quais seriam seus principais desafios?
Sim, a arte me ajudou porque eu me encontrei fazendo aqui. Mas eu não era uma adolescente complexada. Eu tirava proveito do que tenho de melhor (risos). Até hoje sou uma pessoa que prefere ver o copo cheio, que está mais interessada no que tem do que no que falta. O que eu acho que pode melhorar, eu corro atrás para isso. E acho que hoje seria do mesmo jeito.

Se pudesse se definir em poucas palavras ou em uma frase, qual seria?
Amor, eu sou uma mulher muito grande para ser definida em uma palavra ou frase (risos). Cabem muitas em mim, e eu adoro isso. Sou bailarina, atriz, produtora, mulher, mãe, amiga, filha, irmã... Eu sou várias em uma só! E gosto de ser assim. Sou feliz sendo como sou, vendo quem eu vejo quando me olho no espelho.

SERVIÇO
O QUE: espetáculo “Conserto para Dois”
QUANDO: dia 26 de outubro, às 17h e 21h e dia 27 às 19h
LOCAL: Teatro Municipal de Uberlândia
INGRESSOS: de R$ 37,50 a R$ 200, à venda na Lynx Óptica (Av. Getúlio Vargas, 1.655,Tabajaras), Provanza (Pátio Vinhedos), Start Shop (Av.Rondon Pacheco) e no
www.sympla.com.br.
INFORMAÇÕES: 99866-1727






 


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