09/10/2019 às 18h09min - Atualizada em 09/10/2019 às 18h09min

Ações marcam luta contra a violência à mulher em Uberlândia

SOS Mulher e Família já registrou mais de 2 mil casos de violência doméstica; faculdade Esamc realiza semana de conscientização

BRUNA MERLIN
ONG e faculdade se unem para levar ações à estudantes e população da cidade | Foto: Divulgação
Certamente, em algum momento da sua vida, você já ouviu a seguinte frase: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Para desmistificar essa cultura, que é aplicada na sociedade brasileira por vários anos, várias ações acontecem em Uberlândia sobre conscientização e alusão ao Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher, comemorado nesta quinta-feira (10).

As atividades – palestras, oficinas, exposições, apresentações culturais, entre outras - foram pensadas e estão sendo realizadas pela Organização Não-Governamental (ONG) SOS Mulher e Família, que trabalha há 22 anos no município dando auxílio e suporte às vítimas de agressão doméstica. “É necessário falar sobre isso. Quanto mais divulgamos e mostramos as formas de amparo, mais incentivamos o encorajamento para denunciar e procurar ajuda”, ressaltou Cláudia Guerra, voluntária e fundadora da instituição.

Foram mais de 2 mil atendimentos realizados pela organização em 2018. Mulheres de diversas etnias, com idades entre 26 e 45 anos, sendo a maioria solteiras e casadas, procuraram ajuda dos profissionais da instituição. Em 2019, de janeiro a junho, já foram atendidos cerca de 70 casos.

Ainda de acordo com o levantamento do ano passado, são diversos os tipos de violência registrados pelas vítimas. Em primeiro lugar está a violência psicológica com 32% das ocorrências, seguido da física com 25% e moral, com 18% dos registros. Também foram classificadas violências sexuais e patrimoniais.

O alcoolismo, drogas ilícitas e discriminação de gênero são os principais motivos das agressões, segundo as vítimas atendidas pela ONG. Além disso, os dados mostram que 43% dos casos aconteceram em casa, 34% em vias públicas e 14% em local de trabalho. Por fim, das mulheres que já sofreram algum tipo de violência, 39% delas voltaram a viver com o agressor ou nunca se separaram dele.

As ações oferecidas pela ONG SOS Mulher e Família vão muito além do que encorajar a vítima a denunciar as situações às autoridades policiais. O objetivo é fornecer apoio psicológico, educacional, social e jurídico de forma sigilosa e sem julgamentos.

Além de oferecer auxílio às mulheres, a ONG também dá assistência aos agressores. No primeiro semestre deste ano, 11 homens já foram atendidos pela organização. Cláudia Guerra acredita que a mudança vem através da transição de comportamento e não apenas com uma denúncia.

“As agressões não acontecem por nada. Alguma coisa está acontecendo com o autor e nós também o ajudamos para que novas ocorrências não aconteçam”, explicou Guerra.
 
METE A COLHER
Alunos e professores se mobilizam e criam materiais e conteúdos para conscientização | Foto: Divulgação


Com o objetivo de ressaltar a importância do Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher, a SOS Mulher e Família em parceria com a Faculdade Esamc de Uberlândia está realizando o evento “A Esamc Mete a Colher – Semana Educativa da Não Violência às Mulheres e nos Relacionamentos”. As atividades começaram na segunda-feira (7) e vão até esta sexta-feira (11).

A escolha de levar as ações para dentro de uma instituição de ensino vai muito além do que atingir o maior número de pessoas. Fundadora da ONG e também professora da faculdade, Cláudia Guerra acredita que a educação é o ponto inicial para que mudanças futuras sejam alcançadas.

“Não existe lugar melhor do que um local educacional para realizar a conscientização. Alunos de diversos cursos e professores se juntaram e estão se mobilizando para criar materiais e conteúdos para as ações”, disse a voluntária.

A programação conta com oficinas, estandes com atividades produzidas pelo corpo docente da instituição, rodas de conversa, intervalo cultural e outras atividades. As atrações são abertas para alunos, colaboradores e também para a sociedade de forma gratuita.

Nesta quinta-feira acontece uma oficina para tratar sobre relacionamentos abusivos e masculinidades tóxicas. O evento será no auditório principal da faculdade das 19h às 20h50 e é aberto à população.

“Estou muito feliz com o resultado. Ver todo mundo unido em prol de uma causa é muito bonito. A emoção transmitida em cada atividade não tem como ser descrita”, finalizou Cláudia.
 
DIA NACIONAL
Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher é comemorado nesta quinta-feira e teve seu marco em 1980, quando inúmeras mulheres brasileiras reuniram-se nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, em movimento nacional protestando contra o índice crescente de crimes contra mulheres em todo o país. O evento exigia, além da implementação de políticas públicas e reformulação do Código Penal, dar visibilidade aos milhares de casos de ameaças, constrangimentos, espancamentos, estupros, assassinatos bárbaros esquecidos no anonimato da esfera doméstica, por serem cometidos, na sua grande maioria, por companheiros, parentes próximos e/ou conhecidos e, por isso também, não denunciados.

Movimentos semelhantes nasceram em várias cidades brasileiras, capazes de interferirem na opinião pública, principalmente no que se referia à punição dos criminosos. Além disso, foram criadas e disseminadas, por todo o país, as Delegacias Especializadas em Crimes contra a Mulher, a partir de 1985, sendo a de Uberlândia fundada em 1988. Desde aquela época, passou-se a "lavar a roupa suja" no espaço público, forçando a reflexão por parte da sociedade e das instituições sobre o problema, exigindo-se a tomada de providências, ações afirmativas e políticas públicas voltadas para a minimização das relações violentas.
 
ÓRGÃOS DE APOIO

SOS Mulher e Família: rua Feliciano de Morais, nº 62, bairro Aparecida, sosmulherfamiliauberlandia.org.br, (34) 3215-7862

Central de Atendimento à Mulher: disque 180
 
Disque Denúncia (anônima): disque 181
 
Polícia Militar: disque 190
 
Conselhos Tutelares da Criança e do Adolescente: (34) 3237-2276, (34) 3214-0721 ou (34) 32160319
 
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e Delegacia da Infância e Juventude:  (34) 3210-8304
 
Defensoria Pública da Mulher: (34) 3305-4395
 
Projeto Todas Por Ela (UFU): (34) 3291-6358
 
Núcleo de Práticas Jurídicas Uniube: (34) 3292-5600
 
Casa Abrigo (abrigo para mulheres em risco pela violência doméstica, com ou sem filhos menores de idade): (34) 3236-4040
 
Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica: (34) 99968-5878 ou (34) 999639-6932
 
Nuavidas Hospital de Clínicas da UFU (atendimento às vítimas de violência sexual): (34) 3218-2157
 
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