29/09/2019 às 08h00min - Atualizada em 29/09/2019 às 08h00min

Dos campos de futebol para os bastidores do voleibol

Bruno Vilela se destaca como um dos principais supervisores do voleibol brasileiro

EDER SOARES
Bruno é supervisor do Dentil/Praia Clube | Foto: Divulgação

Aos 34 anos, um ituitabano de nascimento, mas uberlandense de coração, mantém o que considera seu melhor momento na carreira profissional dentro do voleibol. Apesar de nunca ter jogado este esporte, Bruno Vilela, atualmente é supervisor do Dentil/Praia Clube, uma das principais equipes de vôlei feminino do Brasil na atualidade, tem a sua origem no futebol.

O Diário foi atrás de Bruno, que contou um pedaço da sua história e o porquê se considera um apaixonado pela cidade de Uberlândia, apesar manter a sua família ainda em Ituiutaba.  De dentro dos campos de futebol, ele pegou o caminho direto para trabalhar os bastidores do vôlei, um esporte bem diferente do futebol, mas que não fica muito atrás na preferência dos amantes de esporte em Uberlândia e no Brasil.

Como toda a criança, que já nascem com a bola nos pés, Bruno foi influenciado na infância pelos tios, mas, ainda pequeno já ia ao estádio da Fazendinha assistir aos jogos do Ituiutaba, atualmente Boa Esporte, e que há anos migrou sede para Varginha, no sul de Minas. “Sou boveta fanático e fui criado praticamente na casa dos irmãos Moraes (Donos do Boa). Eles me têm como um filho. Nasci dentro do campo do Boa e respirava futebol, jogando com os meus amigos. Perdi vários “tampões” de dedo jogando na rua e ouvindo a minha mãe me chamando e para ir embora, ou procurando meus amigos pra ver se me encontrava”, disse.

Em 1998, Bruno Vilela foi participar de uma peneira para a seleção de jogadores nas categorias de base do Ituiutaba e passou, começando ali um sonho de criança de um dia se tornar jogador profissional de futebol. Apenas alguns meses depois foi para o Flamengo (RJ) para um período de testes e acabou sendo aprovado. “Era menino muito novo, com apenas 13 anos, morando sozinho, mas fiquei muito feliz por realizar meu sonho, e fiquei no Flamengo por dois anos, até 2000”.

Na época, Bruno teve a companhia de professas que mais tarde se profissionalizaram como jogadores do Flamengo, caso de  Vinicus Pacheco, Felipe Gabriel, e outros mais. Mas uma negociação com o Bugre campineiro fez os seus planos darem uma boa freada. ” Um belo dia voltei de férias, e eles me emprestaram para o Guarani de Campinas. Fiquei lá seis meses emprestado, disputei o Paulista e algumas competições, mas fomos mal e eu fui devolvido ao Flamengo, sendo que depois acabei dispensado do clube”.

Mas o sonho do jovem zagueiro não parou com a dispensa do rubro-negro carioca. Ele passou ainda pelo América de São José do Rio Preto (SP), Atlético Mineiro e pelo Matsubara (PR), mas estava desiludido com o futebol. “Era 2002, quando cheguei em casa e liguei no Flamengo, onde eu tinha bom relacionamento, pedindo uma nova oportunidade. Acabei voltando, mas depois de uma competição em Erechim (RS) eu cheguei a conclusão que o futebol não era mais o que eu queria e comuniquei para a minha família que iria parar”.

Uberlândia começa a fazer parte da história
Em 2005, Bruno Vilela se mudou para Uberlândia para estudar. Formou-se em Educação Física e começou a ter as primeiras oportunidades quando foi convidado pelo então secretário-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Antônio Carrijo, para trabalhar na entidade. Lá ele conheceu o atual gerente de de esportes do Praia Clube, André Lelis, a quem ele considera mais do que um pai.

“Aprendi com a minha mãe a ser grato com as pessoas que nos ajudam. O André Lelis era o meu chefe direto, e hoje é meu gerente no Praia. Aprendo muito com ele. Sou o Bruno do Praia por causa dele. Eu nunca tinha trabalhado com vôlei, mas ele teve paciência de acreditar em mim e me mostrar os caminhos. É meu exemplo de profissional, é como um pai”, afirmou.

Em 2010, começou a trajetória do jovem supervisor no voleibol praiano, justamente convidado por André Lelis.  “Eu tinha vontade de ir para o Praia, tive a oportunidade e agora já vou para a minha  11ª Superliga, cumprindo vários desafios e prol do voleibol”.  

“Começamos com equipes humildes, sem grandes nomes, mas atletas que fazem uma parte importante da história do clube. Trabalhei com pessoas sensacionais, como a Dani Scott, que disputou cinco Olimpíadas, com a Mari e a Walewska. Algumas estão até hoje e são todas fundamentais em meu crescimento”, disse Bruno, que fez questão de se lembrar do ex-treinador Spencer Lee e do vice-presidente praiano Dayton Gomes Fernandes. “Foram pessoas que acreditaram em mim e não posso jamais esquecer”, afirmou.

Nova temporada
Em relação à participação do Dentil/Praia Clube na temporada 2019/2020 do voleibol brasileiro e internacional, Bruno Vilela garante estar otimista em mais um grande trabalho, é claro, com a conquista de títulos como os da Superliga e do Mundial Interclubes da China “Será uma temporada muito complicada, mas formamos uma equipe homogênea. Trouxemos de volta a Claudinha, a Walewska, a Monique, contratamos uma dominicana (Martinez) que tem um grande potencial, e agora é trabalhar, disse o supervisor destacando ainda que o Praia entrará para ganhar em cada competição que disputar.

“Sabemos que a pressão será grande e os jogos muito importantes. Será a nossa segunda participação seguida no Mundial, um dos mais difíceis de tosos os tempos, com as melhores jogadoras do mundo. Sempre entramos para ser campeão, e se formos, vamos dar um salto muito grande, o que será um passo para a nossa afirmação mundial”.

Admiração
A central Angélica está de volta ao Dentilo/Praia Clube depois de algumas temporadas atuando por outras equipes brasileiras. Ela trabalhou com Bruno Vilela logo no início dele como supervisor do Praia, ficaram amigos e hoje ela faz questão de ressaltar a evolução pessoal e profissional que ele teve ao longo dos anos.

“Estou muito feliz em trabalhar com ele novamente e ver a evolução. Eu era mais nova, ele mais jovem também, o projeto tinha uma dimensão menor e hoje vê-lo à frente do projeto, a tanto tempo, mantendo a qualidade e a responsabilidade é muito bom. Torço muito pelo sucesso do Bruno e desejo que ele tenha sucesso em todos os projetos que estiver”, disse a central.

Campeonato Amador
Para não deixar de lado a paixão pelo futebol, o supervisor do Praia divide o tempo vago com o futebol amador. Ele já defendeu várias camisas da cidade, mas atualmente está atuando pelo Rio Branco, uma das equipes mais antigas em atividade na cidade, e que a partir deste domingo começa a disputar a segunda fase da Divisão Especial do Campeonato Amador. “Fiquei três anos sem disputar o Amador e este ano estou no Rio Branco tentando ajudar a fazer uma grande campanha, mesmo voltando de lesão. É o campeonato amador mais difícil do Brasil, sem dúvidas”, disse Bruno, que finalizou a entrevista falando sobre a paixão e torcida pelo esporte uberlandense.

“Gosto do Uberlândia Esporte. Eu gostaria de ver um Verdão forte, disputando grandes competições, até chegar a uma Séria A. O clube, a cidade tem potencial para isso, assim como sonho em ver o basquete profissional de volta. Uberlândia precisa disso, é uma cidade maravilhosa, e digo que hoje, minha paixão é aqui, uma cidade que me deu oportunidades de tudo na vida”.
 

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »