24/09/2019 às 16h26min - Atualizada em 24/09/2019 às 16h26min

Roadfest leva 5 mil pessoas ao Sabiazinho em Uberlândia

Fãs vão ao delírio com Helloween, Whitesnake e Scorpions

ADREANA OLIVEIRA
Banda alemã Helloween | Foto: Adreana Oliveira
“Cara, ainda nem começou, viu?” Assim um rapaz entrou na Arena Sabiazinho na área de acesso à Pista Premium tentando justificar para o amigo que não precisava ter corrido tanto. Viram a movimentação dos técnicos no palco por volta das 19h50. Por acaso, esta repórter estava ali a fazer anotações e informou à dupla que o primeiro show, marcado para às 18h45 já havia acabado. Chegaram a tempo de ver o Whitesnake subir no palco.

É isso, Uberlândia, é bom começar a se acostumar com shows pontuais, principalmente em se tratando de atrações internacionais que têm muito rigor quanto a essas e outras particularidades que cercam um grande evento como o Roadfest, que - segundo a produção local, BConcerts, que realizou ou evento junto com a Mercure – levou cerca de 5 mil pessoas à Arena Sabiazinho na noite de segunda-feira (23).

A dupla que se atrasou perdeu um grande concerto e os fãs da banda alemã Helloween foram os mais entusiasmados da noite. O nome da banda foi bradado mais de uma vez em coros tão orquestrados quanto dos competentes músicos que desfilaram sucessos de mais de 30 anos em um setlist de 10 músicas que levaram o público à loucura.

Michael Kiske e Andi Deris dividindo os vocais em clássicos como “I´m alive” e “A tale that wasn´t right” era pura perfeição, mas o público vibrou mesmo quando o guitarrista Kai Hansen se juntou a eles em “How many tears”.

E por falar em lágrimas, Eduardo Fernandes Oliveira, uberabense que já morou em Uberlândia e realiza frequentes excursões para shows de rock, não segurou a emoção. “Eu vi esses shows em São Paulo sábado (21), mas eu tinha que vir aqui hoje também, e chorei de novo. Assistir a esses shows em Uberlândia, cidade que faz parte da minha história é algo fantástico”.

“Estamos indo bem? Estamos indo muito bem?” Perguntou Deris, e a resposta não poderia ser diferente. Estavam indo muito bem! Ele rende reverências ao guitarrista Michael Weikath que começou a banda em 1984 com o baixista Markus Grosskopf. Já Kiske comentou: “É a nossa primeira vez em Uberlândia, espero que não seja a última”.
 
MR. COVERDALE

Do auge de seus 68 anos completados no domingo (22), o frontman do Whitesnake, David Coverdale, chegou elevando os níveis de testosterona no Sabiazinho. Inquieto, ele percorre o palco a cada minuto indo de um lado para o outro, tomando um pouco de vinho entre uma música e outra e fazendo a alegria dos fãs ao som de “Bad boys”, que abriu a noite, até o encerramento com “Burn”, da sua fase com o Deep Purple.

Coverdale agradeceu o público em português, desejou boa noite e falou o quanto ama nosso país. “Façam barulho... o que é isso? Aqui é o Brasil, eu quero ouvir mais barulho de verdade”, brincou antes de iniciar o clássico “Here I go again”.

Mas o barulho mesmo veio um pouco depois com o solo avassalador do baterista Tommy Aldridge que mostrou destreza também sem as baquetas, levando o público ao delírio ao executar parte do solo só com as mãos!

Depois de apresentar a banda, Coverdale deu seu recado antes de “Is this love”: “Agradeço demais a hospitalidade de vocês. Sejam felizes, fiquem em segurança e não deixe ninguém amedrontar vocês”.

Os músicos só deixaram o palco depois de registrarem o calor do público uberlandense em seus telefones celulares.

“Foi a melhor noite que tive depois que completei 40 anos”, disse o advogado Marcus Zago que assistiu ao show com a esposa Luana Frias. “Fiquei tão feliz de ver isso aqui na minha cidade e me senti também um pouco nostálgico. Esses caras são monstros sagrados do rock e não estarão aqui para sempre, penso no legado que vão deixar e principalmente se terá bandas à altura para sucedê-los”.

Se depender da vontade de Mr. Coverdale ainda tem muita estrada pro Whitesnake pelo menos. Em postagem feita no Instagram após o show ele escreveu: “Muito obrigado, Uberlândia. Vocês fizeram um barulho maravilhoso! Até nos encontrarmos de novo pela estrada... Nós desejamos que fiquem bem” (em tradução livre).
 
OS ESCORPIÕES

E para fechar a noite a “Crazy World Tour” do Scorpions fez história no Sabiazinho com a maior estrutura já montada para um show no local. A visão mais privilegiada para esta apresentação foi das arquibancadas. Toda tecnologia empregada nos telões foi um show à parte.

O vocalista Klaus Meine se equivocou em um instante ao dar boa noite para “São Paulo”, corrigiu rapidinho e rendeu elogios a Uberlândia várias vezes depois. No momento em que ficou sem som no microfone se sentou pacientemente no palco e contemplou os fãs, em menos de dois minutos, tudo resolvido.

Com 54 anos de carreira, estar em um lugar pela primeira vez proporciona uma energia extra para a banda. “Lá em 1973, 1974, quem vai saber, alguém imaginaria que chegaríamos a Uberlândia?”, brincou o vocalista.

Em “Send me an angel” era possível ver fãs chorando. Literalmente, criando memórias.

E se o público já havia ficado louco com o solo de bateria de Aldridge, ficou boquiaberto com o solo do baterista Mikkey Dee. Sua bateria foi içada do palco e por aproximados quatro minutos ele se esbaldou no ar.

No bis teve “Still loving you” e “Rock you like a hurricane” e os músicos pareciam não querer sair do palco, a despedida foi longa e ficou aquele gostinho de quero mais.

“Tudo foi muito perfeito...o som estava incrível. E não ter que ficar oito horas em um ônibus para voltar para casa foi a cereja do bolo”, disse Eduardo Inácio de Sá.

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