15/09/2019 às 08h00min - Atualizada em 15/09/2019 às 08h00min

“Oseínha da Bahia” relembra os tempos de Verdão

Ex-centroavante disputou o Campeonato Mineiro de 1995 pelo Uberlândia e saiu direto para o Athletico-PR

EDER SOARES
Aos 48 anos, Oséas tem vida tranquila em Salvador | Foto: Arquivo pessoal

Um estilo todo peculiar de jogo – tipo centroavante matador, que se aproveitava do porte físico e da estatura para levar vantagem nas bolas altas – e também de visual – cabelos longos e cacheados. Foi assim que o atacante Oséas conquistou os gramados do Brasil em meados da década de 1990. Mas antes de fazer fama, gols e conquistar títulos por Palmeiras, Athletico-PR e Cruzeiro, além de vestir a camisa da Seleção Brasileira, Oséas teve um começo de superação, quando em 1995 foi contratado pelo então presidente do Uberlândia Esporte Clube (UEC), Pedro Naves, junto ao Galícia (BA) para vestir a camisa do Verdão no Campeonato Mineiro.

Hoje, aos 48 anos, o ex-atacante curte uma vida tranquila em Salvador (BA), onde apenas participa de eventos de futebol e administra os seus imóveis. Apesar do tempo que separa a carreira da aposentadoria – 2005 foi sua última temporada, com a camisa do Brasiliense -, Oséas ainda cultiva o mesmo espirito alegre, uma característica peculiar desde a época em que vestiu a camisa do Uberlândia até chegar ao cenário nacional.

O Palmeiras foi o clube em que Oséas permaneceu por mais tempo, entre 1997 e 1999, quando disputou 172 partidas, com 86 vitórias, 43 empates, 43 derrotas e 65 gols marcados, de acordo com o Almanaque do Palmeiras escrito pelos jornalistas Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti. O baiano não tem uma conta exata, mas estima que tenha assinalado em torno de 350 gols ao longo da carreira.

Entre as principais conquistas, Oséas ostenta o título do Brasil de 1998, da Copa Mercosul, do mesmo ano; e da Taça Libertadores de 1999, todos pelo Palmeiras. Em 2000, pelo Cruzeiro, foi campeão da Copa do Brasil.

Atacante em partida em que o Verdão foi derrotado por 1 a 0 pelo América Mineiro | Foto: Beto Oliveira/Arquivo

A reportagem do Diário de Uberlândia localizou “Oseinha da Bahia”, como é carinhosamente chamado pelos torcedores em todo o Brasil, em Salvador. Por telefone, o ex-jogador fez questão de relembrar e destacar momentos marcantes que viveu jogando pelo Furacão Verde da Mogiana e a importância de ter saído do modesto Maruinense (SE) para o mercado do futebol de Minas Gerais, onde ganhou destaque assinalando gols contra América, Cruzeiro e Atlético.
 
Diário: Como foi a sua vinda para o Uberlândia Esporte?
Oséas
- Eu estava no Maruinense, emprestado pelo Galícia, disputando a Série C do Brasileiro e jogamos contra o Uberlândia duas vezes. Nós perdemos o jogo no Sabiá por 3 a 0, mas eu me destaquei nesse jogo, apesar de que no Maruinense eu já vinha fazendo bons jogos. Me recordo que terminou o jogo, e foi alguém do Uberlândia no vestiário me procurar. Já senti que teve aquele interesse. Voltei para Maruim e foi um diretor do clube até lá e foi feito o acerto.
 
Como foi sair do Nordeste e chegar em Minas Gerais?
Fui muito bem recebido pelos jogadores que estavam na época no Uberlândia, pela comissão técnica, o Paulão, roupeiro; o Zezinho Damas, massagista. Jogadores tinham o Tico, Cuti,  Pael e outros grandes amigos. Tínhamos uma sintonia, era um grupo muito unido e forte. Eu me alojava ali mesmo no clube (Estádio Juca Ribeiro), me alimentava ali e quando não tinha treino a gente ficava batendo papo ali na frente do portão da avenida Floriano Peixoto. São coisas que marcam e que jamais podemos esquecer.
 
Você gostava de fazer gols contra os grandes de BH não é?
Comecei a disputar o Mineiro e o rendimento do time acontecia com facilidade. Eu dava muita sorte de fazer gols contra time grande. Fiz contra o América, fiz contra o Cruzeiro e Atlético. Me recordo muito bem de um gol, contra o Galo, matando a bola no peito e chapando na saída do Taffarel. Foi marcante e, graças a Deus, acabei sendo negociado com o Athetico-PR. Se não me engano, naquela época, o Cruzeiro despertou até o interesse na minha contratação também.
 
O Uberlândia Esporte tem muita importância na sua vida esportiva?
Todos os clubes por onde passei acabei tendo um grande aprendizado. Saí do Galícia e fui para o Maruinense, depois para o Uberlândia e assim por diante, cada clube um crescimento. Inclusive fomos três jogadores do Uberlândia, ao mesmo tempo, para o Athletico: Eu, Cuti e Tico. Graças a Deus, a partir daí a minha trajetória passou a evoluir, mas devo muito ao Uberlândia e ao presidente da época, Pedro Naves.
 
Qual dos clubes grandes marcou mais a sua carreira?
Quando fui para o Athletico passei a ser reconhecido nacionalmente. Ganhei título da Série B, inclusive sendo o artilheiro da competição de 1995 e cheguei a ser convocado para a Seleção Brasileira. Fica marcado na história. No Palmeiras, foi onde mais joguei e ganhei mais títulos, enquanto no Cruzeiro também fui bem e ganhei uma Copa do Brasil. Considero todos os clubes importantes.
 
Você foi comandado pelo Felipão. Muitos consideram treinadores da sua geração como ultrapassados. Como você vê essa questão?
Estamos vendo a qualidade destes treinadores que estão surgindo e que, com certeza, têm as suas qualidades, mas não vejo que estes técnicos mais antigos estão ultrapassados, até porque eles têm qualidades e continuam demonstrando. O Felipão, que foi meu treinador, inclusive ganhou o Brasileiro no ano passado e é um treinador que tenho o maior carinho e respeito. O Abel Braga é outro que é um grande treinador e acho que tem espaço para todos os treinadores, de todas as gerações.
 
Qual o seu recado para a torcida do Uberlândia Esporte?
Quero agradecer muito à cidade de Uberlândia, uma cidade acolhedora, com pessoas carinhosas. Um grande abraço para todos os jogadores, que, quando cheguei aí, me receberam muito bem, assim como o clube, que acreditou no meu trabalho e eu sempre quis fazer o melhor. Os torcedores sempre iam aos jogos e nas ruas me cumprimentavam e me tratavam com um carinho muito grande. Agradeço de coração por fazer parte de um pouquinho da história deste clube maravilhoso e que merece estar nas principais divisões do Brasil, torço por isso. Assim que eu tiver oportunidade, e for convidado, quero voltar aí para rever amigos, a estrutura do clube e o Parque do Sabiá. Tenho muita saudade.
 
FICHA
Oséas dos Reis Santos
Nascimento: Salvador
Idade: 48
Altura: 1,86
Peso: 89
Clubes: Galícia (BA), Maruinense (SE), Uberlândia (MG), Athletico (PR), Palmeiras (SP), Vissel Kobe (Japão), Santos (SP), Cruzeiro (MG), Internacional (RS)  e Pontevedra (Espanha).
 
TÍTULOS
Campeonato Brasileiro – Série B 1995: Athletico-PR
Copa do Brasil 1998 – Palmeiras
Copa Mercosul 1998 – Palmeiras
Libertadores 1999 – Palmeiras
Copa do Brasil 2000 – Cruzeiro
Copa Sul-Minas 2001 – Internacional
Campeonato Gaúcho 2004 - Internacional

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